O canto das cigarras

Por vezes me pergunto? Por que as cigarras cantam? Seria o canto motivo de alegria? Ou um canto triste por algum motivo que só elas sabem? Eu raramente canto. Não alguém de rara beleza e rica em encantos. Pois nem minha mãezinha gostava do meu canto.  E euzinho ficava no meu canto sem querer cantar nem encantar.

Segundo fontes confiáveis as cigarras cantam a hora de se acasalarem. De procurar encontrar um cigarro aceso disposto a com elas copularem.

Bichos feios são as cigarras. Cujo canto no tempo certo acaba importunando.  Dizem que seu canto chama chuva. Não sei isso tem valor. Mas fato retrato esse fato acontece. A seguir do canto das cigarras quase sempre vem a chuva. E como tem chovido nesse começo de ano.

Ano esse, que há dois meses amanheceu. Que eu, o autor de mais um livro. Essa coletânea que tive a audácia de conceber. Mais uma dentre mais de vinte. Que coragem a minha podem dizer. Com tantos livros encalhados como barcos em águas rasas. Mais uma edição pode ser tida como sandice. Mas pra mim o limite entre a sanidade e a louquice é mais tênue e fino que uma linha imaginaria que vai de aqui a lua. O que seria desse mundão certinho sem os insanos que aqui desfilam sua louquice?

Estou envelhecendo, mais e mais idoso e gostoso, não velho. Tenho sim a coragem de publicar mais um livro. Não me importa se fecharem as portas a sua leitura. Nem que deixem de adquirir mais um dessa edição. O que pra mim conta é não deixar tantas crônicas nessa pasta sem compilá-las em mais um livro. Não tenho vida curta como as cigarras e nem passo tanto tempo debaixo da terra como elas a espera de de novo verem a luz de um novo dia.

Hoje, aos setenta e seis, perdi a conta de quantos textos deixei escritos. Talvez eles perfaçam mais de vinte mil. E como foi difícil eleger, dentre mais de duas mil crônicas essas menos de duzentas a perfilarem nesse livro que batizei de O Canto das Cigarras. Não sei se elas irão saber da minha lembrança. Dos seus nomes que titularão esse meu novo livro que pra mim é como se fosse um filho que nasce. Ou um neto que sorri pra mim.

Não me importa por que cantam as cigarras. Importa-me sim por que eu escrevo tanto. Escrever pra mim é quase uma obsessão. Uma catarse da qual não quero me desvencilhar.

Sei que as cigarras cantam até explodirem. E eu explodo de felicidade quando nasce mais um livro.

 

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