Essa famosa premissa pra mim inconfortável crise de identidade faz-me não apenas perder o sono, ele sempre foi resumido, a quatro ou menos horas, principalmente nos tempos presentes, quando aquele rapazinho de calças curtinhas, mostrando todos os dois joelhos, branquinho e sem lesões, pois futebol nunca foi das minhas predileções, naqueles janeiros fugidios não era corredor de longas distâncias, no máximo uns cinco míseros quilômetros atrás daquelas bolinhas menores, lançadas à força das cordas das raquetes, antes de madeira de boa qualidade, que eram prensadas em artefatos que as mantinham retas, hoje as tais raquetes modernas não entortam mais, salvo quando um tenista, de estopim curto, após uma jogada cuja bola cai ao chão da sua própria quadra, não ultrapassando a rede, caindo após repicar quantas vezes for e o aleta da bola de tênis acaba perdendo as estribeiras, atirando a pobre raquete de encontro ao saibro vermelho fazendo-a em cacos, tendo de substituí-la em seguida por uma novinha em folha guardada entre as mais de não sei quantas naquela bolsa especial enorme, estampada com a logo marca da fábrica de onde elas saíram rumo ao mundo inteiro, desfilando sob os olhares atentos dos apreciadores do tênis, mais e mais pessoas que passam horas e horas entortando o pescoço, que pode se cansar de tanto acompanhar o movimento rápido das bolinhas amarelas em seus vãos se vêem pelos torneios os quais pagam prêmios vultosos, a cada vez que o jogador vence uma etapa das competições ao longo de ferrenhas partidas, tanto na América do Norte, mais ao sul, passando pelo hemisfério de cima, estendendo-se desde a fria e encantadora Noruega, as mais longínquas quadras da Europa, passando pelos países amarelos, até ao começo de dezembro quando a gente, os aficionados, finalmente nos últimos anos o derradeiro tira-teima tem sido em Londres, onde os oito melhores disputam o Master, para antever, numa pontuação complicada, quem vai ser o número um entre os melhores do ano em curso.
Por estes motivos narrados acima, faltam alguns detalhes menores, ainda estamos nas semifinais de Roland Garros, no domingo próximo saberemos o nome do vencedor do mais charmoso torneio do mundo inteiro, sem nos esquecermos da volta do sempre número um, o suíço Roger Federer, uma lenda vida que felizmente ainda não morreu, que se dará em Wimbledon na próxima virada do mês, quem seria o atual campeão que vai ter a honraria de vencer o grande tenista, o maior ganhador de todos os tempos seja em qual latitude for, falante em sete idiomas, apenas na sua Suíça tem o costume de se deixar entender em pelo menos cinco delas? Eu, com certeza acompanharei pela TV, não ao vivo ou em loco, um dia ainda estarei presente onde for que o suíço estiver, seja nas quadras de grama da Iinda Inglaterra, fosse na Austrália, qual seja no Aberto dos Estados Unidos, seja onde ele for jogar.
Estou aqui pertinho de onde mora meu querido netinho Theo. Talvez, pelo precoce da hora, bem cedinho seu bercinho branco ainda recebe seu doce soninho de anjo menino. Há tempos não me sinto à vontade de estreitar-lhe nos braços, por motivos que não dizem respeito aos meus leitores. E sim a mim mesmo, a minha pequena jornalista e ao seu pai colega de tantos predicados constatados na arte da cirurgia plástica.
Ignoro quando vou vê-lo de novo. Qual vai ser o momento exato para, juntinho a ele, poder encaminhá-lo nos primeiros passinhos titubeantes, tentando evitar-lhe as quedas tantas, que por certo virão.
Talvez em breve, bem mais do que minha vontade dita. Por mim seria ainda hoje, se possível agorinha mesmo. Sei que de fraldas sujas pouco entendo. Daqui a alguns anos precisarei de uma cuidadora que troque as meus próprios fraldões geriátricos. Tomara este tempo, inevitável e inadiável tarde bem mais que uma fração de minutos, se pudesse ditar a marcha inclemente dos anos esse tempo se alongaria por muitos e muitos anos mais.
Ontem, por volta da volta das seis da tarde, quando voltava ao achego do meu lar, doce lar, logo à porta do condomínio, nas beiradas de uma padaria neófita por ali nascida a casa dos pães quentinhos, vi um casal pertinho um do outro. Já bem conhecia o rapazola. Ele ajudava a minha amiga Taís na venda de ração, a maior parte a ser dada aos cães. Esposa amada de outro amigo, Eder, não sei se tem acento seu primeiro nome ou não. O fato constatado, há tempos passados, como foi acertado o consorcio matrimonial entre os dois.
Assim, no exato momento quando passei os olhos atentos no casal, não conhecia a linda morena, cabelos cacheados, trazendo nos lábios cor de mel um lindo e sinuoso sorriso, fiz questão de inquirir aos pseudo- enamorados, que em absoluto não estavam a se beijar ou trocarem um longo e estreito amplexo apertado, o que significava um para o outro.
Foi quando a rapariga, para mim ilustre desconhecida, no momento seguinte mostrou ser alguém, ainda indefinida, na vida do comportado varão, jovenzinho ainda, afirmou, com mi nucioso pudor, que até na presente data desconhecia o que a sua linda e jovem pessoa em verdade seria para o rapaz ao qual por nalgumas poucas vezes passei os olhos. Se bem terem sido bem poucas. Numa loja de produtos agro-veterinários, um pet-shop sabidamente governado com mãos macias da linda T aís. Uma talentosa mãe de primeiro parto, como idem notável mulher de negócios, que aprendeu rapidamente a vender de tudo um pouco. Até duas calopsitas presas num viveiro pequeno, das quais gostaria de me ver livre das duas, apesar de ainda lindas e tagarelas.
Deixei o jovem casal entregues às suas primeiras dúvidas. Seriam ambos um futuro par? O que, em verdade, a vida a frente estaria reservando aos dois quase pombinhos?
O que sinto pelo meu netinho Theo salta aos olhos, mesmo que semiabertos. Trata-se de verdadeiro e incontestável amor. Já qual o sentimento que juntava o casalzinho ainda quase em uso de fraldas, apenas o futuro perto, ou longe, vai saber diagnosticar.