Queria ser como ele

Quem ainda não se perguntou.
Seja na infância, na juventude ou em maior idade.
Pensando no que seria anos adiante.
Sonhando em ser alguém. Um quem produtivo inspirador de coisas boas.
Não desses que se dizem influenciadores digitais. Que nada têm de boa influência a passar tanto as crianças ou de mais idade.
Os quais se dizem formadores de opinião. Que nem na própria confiam e seguem o mesmo caminho por eles traçado.
Ícones estão em falta em nosso amado Brasil.
Quem seriam eles no conceito de vocês?
Essa pergunta faço aos que pensam com a cabeça não com o cotovelo inchado.
No nosso esporte brasileiro quem encabeça a lista? Seria ela reduzida ou inflada como uma bola de futebol que, quando recebe uma cabeçada forte demais acaba furada.
A mim a lista começa por Pelé.
Embora não seja hoje meu esporte predileto começo por esse emérito jogador nascido aqui pertinho em Três Corações. O qual cedinho mudou para Santos, creio eu. Ali fez carreira atrás de uma bola. Tendo alcançado, aqui e no exterior a marca quase inigualável de ter chegado a mais de mil gols.
Nas pistas de velocidade tenho aquele do capacete com as cores de nossa bandeira como um dos maiores ídolos brasileiros endeusado no mundo inteiro. Não carece nomear seu nome, pois todos sabem de quem falo.
No meu esporte predileto. Aquele que, ao revés de usar os pés, por vezes a cabeça nas cabeçadas. Usamos as mãos a impulsionar velozmente uma bolinha. Usando uma raquete. Um ou dois de cada lado de uma quadra. Que seja de terra batida, mais macia ( saibro). Ou de piso duro, pode ser cimentado ou de outro material. Até mesmo gramado, como em Wimbledon, o templo pra mim magnífico desse lindo esporte.
Nesse metier não tem quem se rivaliza ao grande Federer. Segue-lhe o caminho o nosso Guga. Aquele pra mim garoto surfista imbatível no saibro. A seu tempo salvo Nadal.
Tenho certo receio de o nosso João não lhe seguir as pegadas. Um tanto fragilizado pelas contínuas lesões. Oxalá esteja enganado.
Convenhamos.
Vamos deixar os ídolos do esporte descansarem.
Seriam verdadeiros ícones apenas aqueles notáveis ditos famosos?
Artistas globais, midiáticos que mostram suas caras nas redes sociais?
Políticos que se dizem santos. Às vésperas das eleições tomam cafezinho em copos sujos.
Fazem visitas relâmpagos em lugares que nunca pisaram prometendo asfaltar ruas. Dar picanha graciosamente aos que se dizem eleitores. E até mesmo distribuir canetas emagrecedoras aos falsos obesos que não usam. E passam a vendê-las a preços exorbitantes aos que em verdade precisam emagrecer.
Pra mim ícones de pés firmes. Mãos que não negam ajuda aos necessitados. Mestres que não precisam ser doutores ou pós. Sim aquele professorzinho que mal concluiu o curso normal. O qual afunda os pés na lama para dar aulas numa escolinha numa rocinha qualquer. Onde o transporte escolar nem chega.
Médicos novatos como aqueles que deixei inda pouco dando plantão na Santa Casa aqui pertinho.
Homens do campo, de mãos caludas e pele grossa. Retireiros que não têm dias santos ou feriados que sabem bem melhor que eu a razão de o leite sair branquinho das tetas de uma vaca preta.
Serviçais da construção civil. Pedreiros, serventes, carpidores de madeira que deixam a casa coberta e uma vez pronta nem são convidados a entrar. Esses e outros mais são pra mim verdadeiros ícones. A maioria das vezes nem são lembrados. Nunca serão homenageados com placas ou com seus nomes em maiúsculo num busto a enfeitar um cantinho de uma praça qualquer.
Eu já quis ser como muitos personagens vividos por mim tanto no passado como no tempo presente.
Sonhava ser um Machado de Assis, patrono da Academia Brasileira de Letras.
Na escola, embora não tenha lido Memórias Póstumas de Brás Cubas. Sei da importância que esse livro tem na literatura mundial. Inconteste que Machado é um grande ídolo brasileiro.
Queria saber escrever belas crônicas como ele.
Gostaria de ter sido um Rubem Alves. Nascido mineiro, da mesma cidade onde nasci, Boa Esperança. Ele viveu aqui na nossa amada Lavras como pastor presbiteriano.
Mais um tipo de ídolo das letras e pregações.
Mas chegando onde queria. Aqui mais perto.
Pra onde vou sempre. Passando por aquela rua onde cresci. E não foi nela onde nasci.
A Costa Pereira de boas lembranças. Tanto da minha infância e mocidade.
Reporto-me ao velho clube, o LTC. Que já chamei de, ao invés de Lavras Tênis Clube: Lá Tem Coisa boa por sinal.
Tenho absurda certeza que gostaria de ser exatamente como ele.
Ele preenche tudo que queria ter como exemplo.
Tem um sorriso fácil e verdadeiro.
Demonstra enorme conhecimento de sua nobre profissão de educador esportivo.
Sua altura não nos faz sombra já que ele. Com seu porte alto não se dobra a nossa de pouca estatura.
Suas maneiras gentis. Seus amplos conhecimentos na prática do basquete. Especialidade na qual é mestre educador.
Seja personal disputado na academia desse belo clube dantes nomeado.
Não que eu seja um bom nadador. Nado o suficiente para não me afogar em águas rasinhas. Nas profundas afogo sim senhores.
Nada melhor, num dia de forte calor. Depois de malhar pesado na academia. Correr e suar numa carreira comprida na esteira.
Entrar no vestiário da piscina. Deixar a roupa de malhar dependurada no cabide.
De banho morno tomado mergulhar na piscina aquecida daquele clube que tanto amo.
Não tenho paciência de estar presente uma aula inteira de hidroginástica.
Essa aconteceu ontem de tarde na piscina menor.
Esse é a pessoa que gostaria ser.
De uma simpatia de verdade verdadeira.
Pensava que toda unanimidade seria burra.
Mas ele me fez mudar de ideia. Todos gostam muito dele.
E qual é seu nome? O cara que me ensejou essa crônica de agora cedinho.
Seu pré nome começa por jota e termina por é.
José, o resto não sei.

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