Colocome-me diametralmente contra a sua ideia, ao revés

Nem sempre as opiniões emitidas em qualquer lugar, seja numa pichação em um muro todo rabiscado, fosse num jornal televisado, ao mesmo tempo escrito numa esquina quase escondida, onde por vezes nossos olhos são testemunhas, e ainda, pelo Face, quando uma mensagem foi escrita, não sei a quantas mãos dela emana: “ nem pense olhar o passado. Deixe-o pra trás. Lá não é o seu lugar. Você não perdeu nada ali! É para frente que se anda”!

Assim que passarinhei os olhos atentos naquela frase inserida no Face, li-a, reli, mais de duas vezes, e ela nada me disse, além de me colocar examente do lado oposto de quem ali deixou escrito as suas impressões, tanto sobre o passado, assim como o presente, que via de regra caminha acelerado ao futuro, por que tanta pressa?, quando mais se apressa a realidade é que iremos chegar juntos, um mais tarde, outro tempos depois, a um lugar inevitável onde nos aguarda o porvir, qual seja o lado oposto da vida, por muitos chamados de vida após a vida, embora alguns entendam que do outro lado da vida se esconda apenas e tão somente a morte, em suas inúmeras roupagens, geralmente negras como as asas dos seus arautos maiores, os avoantes urubus.

Eu, na longa idade na qual me acho, aos mais de sessenta e sete, em dezembro perto me assanho aos oitos,  simplesmente ao debruçar os olhos da minha janela do consultório, do sétimo andar onde escrevo e exerço ainda a arte da medicina, tudo lá embaixo, ao derredor, me conduz, inexoravelmente ao passado.

Desde aquela a casa uma vez tinta em amarelo desbotado pelos anos, aquela rua de nome Costa Pereira foi por ali que fiz minhas pernas andejas titubearem, desde o velho hospital que daqui mostra uma pequena fração de sua parte mais alta, desde o velho clube do velho trampolim, das quadras de tênis onde tanto jogava com meu pai, depois veio meu filho Stenio a nos fazer companhia, e de tantos amigos partidos, que tavez pratiquem tênis nalguma quadra do céu, ela deve ser tinta em azul, nos dias como o de hoje, rico em azul do céu, ou em cor cinzenta nos dias quando o céu se cobre em cinza escuro, tenho ricas saudades de um passado que nunca me deixou falando sozinho.

Quando quero conversar com o tal passado a ele recorro. Tanto pela interveniência das minhas crônicas carregadas de nostalgia assim como bem acompanhado de minhas lembranças eternamente guardadas com a força de um cadeado de ferro duro, afivelado dentro de mim, no mais recôndito e seguro abrigo da intimidade de minha alma sensível.

No ponto nevrálgico que se refere ao presente, não estou descrente dele. Embora a presença das conturbadas confusões pertinentes ao nosso amado país ainda se mostrem distantes de uma solução favorável a todos os brasileiros de bem. Aos venais elas estão a serem descobertas, tomara de punição exemplar, para que não se repitam mais.

Já quanto ao futuro deixo-as irem adiante. Não sei se aqui estarei para confrontá-las. Meu filhos, os filhos deles, meus netos, por certo irão presenciar tais causos abjetos.

Alguém postou, pelo Face, que a gente não deve se preocupar com o que nos afirma o passado. Essa mesma pessoa afirmou e deixou seu testemunho, em próprio punho, que coisas pertinentes ao passado não nos devem inserir preocupações em nosso cotidiano atual. Da mesma forma garantiu-nos, da parte dela, somente dela, que o passado não é o seu lugar. E que a gente, por mais que tentemos, nada acharemos de proveitoso naqueles anos distantes do tempo atual. Nada foi perdido naqueles rincões mofados, ocupados por teias e aranhas, cheios de morcegos e ratazanas noctívagas. E culminou afirmando que é para a frente que se anda. Fim daquele Face, lido no dia de hoje cedo.

Agora, antes que as oito dessa manhã do dia vinte e três de maio, onde o sol promete virar sol de fato, mais cedo estava frio ao exagero, olhando ao lado de baixo, à esquerda da minha janela parcialmente coberta por uma persiana verde, que nos dá a impressão que tudo fica de um verde pasto banhado pela chuva que tem caído em tempos extemporâneos, de novo meus  olhos banhados em rica saudade dos bons tempos perdidos anos antes, não tenho como, nem o menor desejo me atrai, de deixar de me lembrar do tal passado, para muitos alijados das suas lembranças, mas para mim, nostálgico e romântico de fato, sempre volto atrás, e sem querer querendo percorro aquele rico cenário que tanto bem me faz.

 

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