De tempos longos aprendi: se fosse cobrar por cada conselho dado, meu pobre cofrinho estaria tilintando alegre com a barriga cheia de moedinhas. No entanto, com a senioridade chegando, com as cãs enxovalhando-me os cantos da cabeça, ficando mais sábio, penso, posso estar enganado, caso cada conselho fosse aceito, mesmo graciosamente, o pobre porquinho, infeliz, estaria magrinho, faminto, roncando de fome, à espera de o seu dono despejar a ração logo no seu coxo vazio.
Sobre as opiniões, tão opiniosas nos tempos de agora, sobremodo em tempos de efervescências politicas, meu saudoso avô bem dizia: sobre futebol, política, melhor virar o foco da prosa. Fale de outras coisas menos digladiadoras. Por exemplo, sofismava o vetusto ancião, puxando as duas abas elásticas dos seus suspensórios – melhor comentar, sem apontar, a linda mulher que passa logo do seu lado direito, ela pode não ser direita, mas o homem que a enlaça com braços fortes pode não gostar do seu comentário, e aplicar-lhe uma direita portentosa que vai tornar seu olho roxo. Ou um chute nas partes baixas que da mesma forma pode fazer você procurar você mesmo, já que tu és um urologista.
Nunca foi da minha apreciação, ou falar, ou assistir, a partidas de futebol, salvo aquelas da seleção do meu país, agora que ela parece ter encontrado seu caminho certo, na hábil direção que lhe tomou o timão (não entendam timão como se fosse o tal Corinthians).
O tênis sempre foi e por muito tempo haverá de ser meu esporte predileto. Nos idos anos que ficaram olhando para trás usava praticá-lo em companhia do meu pai, de outros ilustres amigos, muitos deles talvez joguem tênis no céu, ou onde quer que estejam. Adorava aqueles jogos em duplas. Dois de cada lado, um mais a frente, esperando a chance de um voleio certeiro, o parceiro no fundo da quadra, à espera da bolinha amarela, bem menor que aquela que rola nos gramados, praticando tiros certeiros, com spin ou em deixadinhas curtinhas que deveriam ser gentilmente desferidas por golpes disfarçados, para não deixar a dupla do outro lado se posicionar em posição fácil de devolver novamente a bolinha para o lado adverso. Eram tantas e tantas jogadas combinadas previamente, ou no momento exato, que, uma vez a partida encerrada, todos corriam em direção à rede, num cumprimento afável de cavalheiros, como é diferente de quando a torcida do tal Corinthians, ou do Flamengo, ou até mesmo do time do Cruzeiro, acabam a partida em zero a zero, e de aí em diante é só baderna e vandalismo, culminando até mesmo em morte de gente que nada tem com o empate sem gols.
Se querem saber a minha opinião sobre resultados de partidas de futebol uso o tal fone de ouvido, passando a não escutar nada mais que as lindas canções de Roberta Miranda ou da mais linda ainda Paulinha Fernandes nos seus melhores dias.
O final de maio se anuncia não apenas chuvoso assim como o céu de Brasília carregado de raios que em nada são prenúncios de tempestades meteorológicas, e sim de natureza à qual se dá o nome de crise, desacertos na economia, onde o gato mia e faz coco onde não deveria.
Não se fala noutra coisa nestes tempos de rica ebulição nos céus não tão verde- amarelos de norte ao sul do país. De dias pra cá, tanto pela internet, quanto nos jornais escritos, tanto quanto na televisão, é só escândalo, corrupção descoberta, dinheiro entrando e saindo das tais malas pretas, delações tidas como premiadas, são alcaguetas que querem se livrar das penas pesadas, deveriam ser bem mais, cabeças coroadas perdendo a coroa, um presidente, com uma linda mulher se defendendo de acusações importantes, devem ser apuradas em sua plenitude dando nome às vacas, pobres das tais ruminantes, quase perderam a credibilidade por suas carnes tidas fracas, nem era carne de vaca e sim de boi, deputados que disputaram votos pau a pau, sendo declarados venais, senadores enganadores que devem perder o mandato, o de Minas já fez as malas e teve a irmã presa, empreiteiros condenados pela lava-jato sendo soltos, graças as tais denúncias exatas ou não, uma grana alta sendo trazida de novo ao porquinho-cofrinho que voltou a ter a velha barriguinha barrigudinha, condenados em primeira instância, sem muita sustância, presos fora, noves fora, não se fala mais naquele, noutro, nem se comenta, o que estava preso agora ficou em prisão domiciliar, e que mansão ele passa o tempo todo fumando charuto vindo de Havana, bebericando uísque de não sei quantos anos, cachacinha tida da boa ele não deseja nem para sua amante, que escafedeu-se para o estrangeiro usando passaporte falsificado, pena que as sobras da campanha acabaram, bem como a tesão pelo amante se foi, terminaram as amostras grátis dos primos perto do Viagra, e nem a tal “capim novo “ teve sucesso em levantar o mastro da bandeira que acabou ficando a meio pau, daí a debandada do país do carnaval, e do futebol, a ele prefiro o tênis, embora, como urologista trabalho com o pênis o dia inteiro, estou cansado dele, no sentido profissional, tenho dito.
Ah! Já ia me esquecendo, do título em questão.
Caso queiram saber a minha opinião, não sobre os rumos que a urologia tomou, só vou me inteirar dos avanços da minha especialidade em agosto próximo no congresso de Fortaleza, até lá continuo a defender o PSA, só faço o toque retal quando eu indico, não quando os colegas que me encaminham os pacientes a fazer o toque quando ele não tem indicação fundamentada, só o especialista deve fazer o que seu bom senso dita, e reedita.
A minha opinião, tacanha e apolitizada, já cometi um senão uma vez ao votar no Lula, antes o chamava de Sapo Barbudo, o caboclo que se diz não saber nadica de nada, sem barba fica mais feio ainda, é que, não quero, muito menos desejo colocar meus devaneios pueris em forma de ideias juvenis, mercê das denúncias graves hodiernamente vindas à tona, estamos pelo pescoço atolado de assistir a tantos descalabros, a tantos tiroteios de balas de festim, que, me perdoem os que não pensam da mesma maneira, a liberdade de pensar e repensar faz parte da democracia, apesar de, no momento grave por que passamos, entendo que uma ditadura forte deve ser posta à venda, já que não nos passa pela cachola voltar aos tempos ditatoriais, se me pedirem a opinião, sobre o nosso presidente atual, se deve ser impichado, se deve renunciar ao mandato, legítimo ato que ele conquistou, não me era simpática a ex-matrona presidenta, ouçam-me com paciência, para depois não me crucificarem.
Sou pela manutenção da ordem e da decência. As coisas caminhavam bem. Temer se esforçava muito. Seu ministro Meireles me cheira coisa boa. Ele estava dando cara nova ao desgoverno da já extinta sigla de um tal PT.
Não lhe desejo a renúncia. Muito menos acredito que seja melhor para o Brasil novas eleições diretas já. Quem, dos que lá estão, são tão confiáveis como foi meu pai, ou o pai ou o avô de qualquer um de vocês?
Sei que minha opinião, nem ao menos meu conselho foi requisitado.
Essa crônica foi escrita inda agorinha mesmo. Acabada, bem ou mal, em apenas trinta minutos. Agora mudo de computador. Vou ao notebook defronte a mim. Voltar ao romance que urge que esteja terminado antes que o ano dobre ao meio.
O cenário de “Por quem os sinos não dobram” é a linda Alemanha. País pra onde pretendo me mudar. Caso, tanto o meu conselho, quanto a minha opinião, não me levem ao degredo do estrangeiro. Aceitando-a ou não, sendo a favor ou do contra, pra mim tanto faz, quanto fez.