Que irei subir por aquela rua um tanto empinada.
É só descer pelo elevador. Sair do meu consultório.
E chegar, de posse do meu título de eleitor.
Mesmo que não seja obrigado a votar por certo na boca da urna estarei.
Já decidido em quem dar meu voto. Num daqueles candidatos a cargos eletivos que pretendem dar um jeito nesse nosso país desajeitado. Embora tenha por mim que vai ser agora. Hoje, a alguns momentos.
Pau que nasce torto nem os melhores candidatos dariam jeito de endireitar.
Um dia pensei comigo mesmo, proseando com minha consciência: “por que o senhor, meu experiente doutor. Que escreve tanto. Tem olhos atentos à realidade nua e crua que se apresenta pelas ruas. Não somente em nossa amada Lavras. Como em outras Brasil afora.
Já que pela sua especialidade já deu muito à nossa cidade. E penso ter ainda bastante a oferece.
Por que não dedicar um cadinho de sua inteligência linguística às causas públicas. Ao invés de publicar tantos textos em seu site. Que perfazem mais de vinte mil crônicas. Cada uma retratando o cotidiano.
Gostaria de saber a razão de eu. Que me trato de senhor. Melhor seria você. Já que sou eu quem escreve.
Não deixa esse seu computador sofredor descansar. Dá uma folguinha a esse teclado negro de letras brancas. Aquele notebook que está morando no seu novo apartamento. Onde você escreve o sexto romance Ucrânia. Não embala e manda pro exterior?
Por favor, lhe peço. Deixa o conforto de sua vidinha descomplicada. Filie-se a um partido. Qualquer que seja menos um tal de duas letras; um p e um t.
Arregasse suas manguinhas. Se usa manga curta encurta-a. Se for manga comprida da sua camisa. Vai à luta. Discursa num púlpito qualquer. Mesmo que seja num coreto de um jardim.
Não se amofine se, caso entrar numa casinha humildezinha. Onde mora gentinha sem gentileza. Seja gentil com ela. Não se preocupe. Gentileza atrai outra ainda maior.
Não seja descortês, nunca. Se alguém dessa família te oferecer um cafezinho coado numa calcinha suja beba mostrando gosto. E não faça careta dizendo: “esse café tá frio e doce demais”.
Saia candidato, mesmo que não uses saia.
Se não vencer a eleição não perca sua ereção. Lembre-se que você é o doutor Paulo Rodarte. Urologista que se mete a especialista em doenças do sexo. Também chamadas inadequações sexuais.
Pena que já desisti de ser candidato. Não sei discursar. Nem enganar freguês. Se prometo construir uma ponte ao meu eleitor. E ele me diz que na sua cidade não tem rio. Não rio na sua cara. Prometo pedir ao rio que mude seu percurso. Antes de chegar ao mar dê uma voltinha. Passe naquela cidadezinha que não é a minha, senão… Posso não ganhar a eleição.
Em quem eu voto. Já que não sou devoto a nenhum santinho de pau oco.
Nem a mim mesmo confesso…
No presidente atual prefiro vê-lo no presídio.
Em qual senador votaria?
Por certo naquele que sanasse minha dor, de cotovelo.
Num deputado, por certo meu voto seria no mais disputado. Não num fdp qualquer pára-quedista que numa lista enorme aqui garimpa voto.
No governador em que desse conta de governar minhas dores.
Inda pouco passei por ele.
Já o conheço de velhos canaviais.
Inté já iscrivinhei algumas letrinhas sobre sua pessoinha idônea, e muito trabalhadora.
Uma das minhas crônicas teve o nome- Zé Garapinha e a copa do mundo.
Esse sujeito sempre está presente na praça aos domingos com sua moenda de espremer cana.
Gente faz fila para tomar sua gostosa garapa.
Até já propus um negocinho com o Zé Garapinha.
Como já tentei ser fazendeiro e me dei mal. Nada entendia de vacas e bois. De égua menos ainda (a não ser as que levava em riba do cupim pra fazer amor).
Quem sabe, com a ajuda prestimosa do Zé Garapinha. Moendo cana a dar às minhas vacas. Que também seriam dele. Meio a metade. Coisa justa.
Foi naquela hora que decidi em quem votar, definitivamente.
De cabo a rabo das minhas vacas . Meu voto vai ser.
Pra senador – Zé Garapinha.
Pra governar a minha dor e a de vocês. De novo o mesmo Zé.
Pra todos os disputados deputados o nome é o mesmo. Não carece repetir Zé Garapinha.
Só não ispiculei o número dele. Alguém mais sabido que eu sabe?
Cada vez mais sei que nada saberei.
Se nem voltar eu sei…
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