Quem ganhou?

Parece um despropósito.
Dois dias antes das eleições.
Nesse próximo domingo temos de decidir quem vai pôr a mão no timão de nosso barco à deriva.
Um país desgovernado que não sabe quando vai entrar no prumo. Infelizmente te quase vejo naufragar em águas rasas. Não nos dando tempo de embarcar naqueles barquinhos dependurados no convés. Nem mesmo nos abraçarmos àqueles coletes que podem salvar nossas vidas.
Lindo Brasil, deitado eternamente em um berço, dantes podia ser doirado. Esplêndido até. Agora a cor desse nosso berço mais e mais se acinzenta. Não por essa chuvica mansa que cai nessa hora cedinho.
E sim por outros motivos que nos saltam aos olhos.
Não preciso enumerá-los um a um.
Já que a lista pode ser mais comprida que a pena que nosso presidente atual deveria ter cumprido no xilindró de onde ele saiu faz um tempinho.
Que despropósito disse dantes no parágrafo primeiro? Escrito na primeira linha desse texto?
Parece um contrassenso.
Logo eu, médico, escritor, cronista e romancista.
Que deveria ser formador de opinião. Exemplo a ser seguido pelas futuras gerações.
Não digam, por favor.
Que eu, doutor sem titulação devida de doutor. Já que simplesmente sou formado e bem informado em assuntos médicos e outros mais. Mal escrevo sobre minha especialidade, Urologia. Bem mais sobre literatura nua e crua.
Se quiserem me injuriar digam que sou um dos tais influenciadores digitais.
Gente que, para ganhar alguns trocados posta em redes sociais facetas deles ou delas coisas que não são e dizem que pretendem ser.
O despropósito que gostaria de escrever é esse.
Como já deixei escrito, e não me canso de repetir.
Perder tempo escrevendo sobre política, futebol e religião. Não me sinto à vontade embora o faça a contragosto. Sentindo no meu palato duro um gosto de desgosto símile à doce de batata doce salgada.
Contrassenso: “aqueles que, como eu e outros mais antigos. Conheceram a Tereza Doce, que morava pertinho da casa onde morei na infância. Mãe genética do Zé Guida e adotiva da Roseli Viana. Ela não vendia doce e sim salgados. Era uma pessoa boa, macumbeira. Que fazia despachos pela cidade inteira”.
Perder tempo escrevendo, ou discutindo sobre política. Então, não me aquece o coração.
Se uma turma agitada de petistas tentar me fazer aproximar do grupo. Como sou bom de canela fujo tal e qual criança medrosa foge de assombração.
Se me pagarem, e bem, para assistir a uma pelada de futebol. De graça ao jogo do Corinthians. Ficar num camarote, com bebida e tira gostos gostosos à vontade. Agradeço penhoradamente. E peço ao ofertante para trocar meu ingresso para uma partida de tênis entre o espanhol Alcaraz e quem sabe contra o nosso João em dias melhores?
Isso de quem ganhou. Já perdi muita grana em jogos nos idos tempos de menino.
Quando jogava tapão. Tentando virar ao revés figurinhas de jogadores de futebol. Pelé já era o camisa dez. Tostão a de número nove.
Pedrinho, meu amiguinho da Rua do Cascalho, sempre ganhava uma graninha boa de mim. E lá ia água abaixo minha minguada mesada.
No jogo de finca e bete.
Pra quem não conhece esses joguinhos da minha infância.
Finca é aquele que, usando um ferro pontudo. Um vergalhão enferrujado servia.
A gente jogava aquilo na terra nua.
E aquele ferrinho pontudo quase sempre caía fincado ao lado do ponto mirado.
Quem acertasse mais vezes saía ganhando aplausos da torcida. Pra mim a melhor era a feminina.
O joguinho de bete era mais ou menos assim.
Na nossa rua, que não era asfaltenta e sim de terra batida. Depois recoberta de pedras duras, paralelepípedos.
A gente punha duas traves feitas de qualquer coisa que nos lembrasse um pequeno gol.
Cada um dos jogadores ficava num lado da rua a uns vinte metros de lonjura.
Usando um bastão, um pedaço de pau roliço, ou não, o qual chamávamos bete.
Um dos contendores atirava uma bolinha. Que podia ser uma de tênis bem velhinha.
Que era rebatida com força pelo rebatedor.
E desse jeito desajeitado a gente ia correndo de um lado a outro marcando os pontos até a contagem final.
Nesses bons tempos sim. Me interessava, e muito, qual dupla seria a vencedora.
Assistir a debates televisivos, entre bestas feras não ferozes. Dois ou mais candidatos a cargos eletivos.
Pela televisão e outras formas de veicular notícias pela mídia. Sempre sedenta de sangue e notícias nada alvissareiras.
Não dá ibope inserir em horário nobre poesias de Quintana e crônicas minhas.
O debate a ser transmitido ontem pela poderosa rede globo não foi ao ar. Entre candidatos a presidente. Não se sabe a razão, não aconteceu.
Se me perguntarem quem ganhou?
Esclareço não ter sido eu.
O resultado final vamos saber na próxima semana.
Tomara, torço eu. Não ganhe nenhum deles.
E sim saia vencedor nosso amado Brasil.

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