Ela não é de deixar palavras guardadas na gaveta

Fazendo um breve preâmbulo gostaria de deixar escrito o seguinte.

Torna-se quase missão impossível agradar a gregos e troianos.

Sobremodo pessoas como eu que têm o costume de deixar escrito suas convicções e pensamentos. Palavras o vento leva. Quando escritas e publicadas em redes sociais elas provocam tanto quem tem o costume de ler. E infelizmente menos aqueles desacostumados a uma boa leitura.

Como é difícil a arte de manter um agradável convívio em uma sociedade. O homem infelizmente é um ser gregário que, quando morando numa ilha deserta nem os tubarões que o cercam serão convidados para um jantar a luz de lamparinas.

E quem escreve então, pobrezinho dele, fica sujeito o tal sujeito escrevinhador a toda sorte de interpretações equivocadas daquilo que deixou escrito.

Eu tenho o costume de deixar nos meus textos uma pitadinha de ironia e bom humor. Já que penso e imagino como seria desgraciosa a vida vivida apenas e tão somente entre pessoas emburradas, desprovidas de alegria, que por certo é prima perto da dona felicidade.

Foi ontem o acontecido. O meu último escrito, cujo titulo foi “depois de certa idade assumem-nos a paternidade”, acredito ter sido lido e mal compreendido por muitos leitores meus.

Em certo ponto da escrita deixei grafado, sem sequer imaginar o quanto essas parcas palavras suscitaram malversações: “a megera da minha sogra, a essa hora deve estar batendo palmas lá no céu”.

Jamais tive intenção de magoar as filhas da minha amada dona Edméa. Ou qualquer dois que a tenham conhecido sabedores que bem sabiam o quanto ela era admirada e ao mesmo tempo respeitada. Não levem ao pé da letra as minhas palavras.  Interpretem-nas, como deixei escrito, com bom humor e ironia.  Direi que foi um desagradável chiste ao escrever a palavra megera. Minha sogra, querida por todos, inclusive por mim. Desmerece qualquer injúria ou ofensa que porventura tenham dito.

Foi na tarde quase noite de ontem, ao chegar ao meu quarto, depois de malhar leve na academia, usando meu fone de ouvido costumeiro. Fui recebido por minha cara quase inteira com uma admoestação duríssima que custei a entender o motivo.

“Paulo Rodarte! O que você escreveu ontem sobre minha mãe? Três pessoas esclarecidas me ligaram injuriadas. Uma delas até disse que seu escrito dá motivo a processo por calúnia e difamação”.

Enfiei minha língua afiada no céu da boca e não disse mais nada para não encompridar a discussão.

Agora, deixando o vento levar as folhas na ventania.  E esse disse disse maldito secar ao sol. Aqueles que se sentiram ofendidos com minhas infelizes palavras tomem-nas como se não tivessem sido escritas.

Essa grande mulher de fibra parece que nem uma tempestade da conta de fazê-la avoar.

Tive a sorte de conhecê-la, e ao seu prestimoso marido, há tantos anos que nem me lembro quantos.

Fomos vizinhos de casa num condomínio onde ela até hoje mora.

Fazia caminhadas com seu marido no entorno daquela rua que circunda um monte de casas supimpamente elegantes e bem confortáveis.

Bem me lembro dele.

Anestesiologista de fino trato. Que, dado ao volume excessivo de trabalho por vezes cochilava no centro cirúrgico. Pai extremado e marido dedicado, não sei se ele conheceu seus netos.

Essa mulher de fibra pra mim é uma sobrevivente.  Não vítima inocente do holocausto e sim hoje liberta de pertinaz enfermidade.

Não sei se ela nos dias de hoje ainda pita um cigarrinho as escondidas de seus dois filhos. Ou se ainda bebe uma Brama estupidamente gelada no jardim de sua morada.

O fato retrato que tenho dela, em nossos encontros Lavras afora. Acredito que ela anda mais do que eu.  Pois sei e passo adiante que essa mulher guerreira, que não usa armas e nem carteira de motorista que a habilite a dirigir. Bate pernas pela cidade inteira. Não tem freios na língua como eu não tenho bridão no que escrevo.

A barriga dessa grande mulher mais parece uma colcha de retalhos dado ao número elevado de cirurgias que ela já se submeteu.

Ela sobrevive a um câncer. À morte do amado esposo. E anda de cabeça ereta cumprimentando seus amigos que, como eu a admiro muito Maria Helena, és tu mulher feita de aço tendo por dentro um coração amanteigado que se derrete todinho pelos seus dois filhos amados.

Minha querida amiga de longos papos. Sei ainda que você não é de deixar palavras guardadas na gaveta.

E, se porventura de uma desventura eu a chamar de megera não me leve a sério.

Tenho o costume de colocar ironias e um humor saudável nos meus escritos.

Mas sobre você não tenho como lhe chamar assim.

Nem a minha querida sogra que no céu bem sabe o quanto a admirava.

Parabéns pela mãe admirável que vocês têm meus queridos colegas médicos.

Juninho e Simone fazem justiça tanto ao seu pai Carlos Valadares como a sua amada mãe Maria Helena.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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