“Pára! Eu quero descer”…

Quem ainda não conheceu os Emirados Árabes Unidos não faz idéia do que seja o paraíso.

Corre, às bocas entendidas, que o Jardim do Éden foi exatamente naquele lugar magnífico onde Adão presenteou a sua Eva com uma maçã envenenada. Dai tendo começo o pecado. Não da gula por ter Eva comido a maçã. Uma fruta, apregoam os entendidos em dieta, que não faz engordar e nem mesmo murchar a barriga. Que continua a esconder aquela coisa morta nos de mais idade. Que agora só serve para urinar e mal.

Foi em Bahrein que comi com meus olhos aquele cenário idílico. Aquele país do golfo Pérsico não faz parte dos Emirados por ser um reinado. Ele é governado com mãos sábias por um sultão (Hamad Bin Isa Al Khalifa). Não como o nosso amado Brasil entregue em mãos nada bentas onde pulula a corrupção e desmandos nas altas esferas e idem onde o povo pensa que levar vantagem tá tudo certo e uma mão suja ajuda a sujar a outra.

Quem vive em Bahrein tem vida pra lá de boa. Não se vêm pedintes a esmolar nem pobreza espalhada naquele lindo pais. Conquanto cachorros vadios por aqui cavoucam sacos de lixo por lá não se vêem cães. Endinheirados têm outros pets nas suas luxuosas mansões a beira mar. Como tigres, leões e falcões. Bem cuidados e não carecem devorar seus donos.

E que limpeza se vê pelas ruas. Se tem lixo ele tem endereço certo. Não vi pessoas andando pelas calçadas . Com um calorão daquele melhor ficar sob ar condicionado ou tomando banho de mar. A riqueza do Bahrein se deve principalmente não ao petróleo. Ouro negro que jorra não somente do fundo do mar como da terra árida semidesértica submetida a irrigação para enverdejar os lindos gramados. As pérolas daquele pais são famosas no mundo inteiro. Bolinhas que nascem em ostras e não cultivadas. A água, por ser escassa, não se vêem rios ou ribeirõezinhos onde nadam lambarizinhos de rabinho vermelho. Como aqueles que costumava pescar na minha infância perdida. É retirada do mar in natura e dessalinizada. Dai ser um líquido precioso mais que a gasolina que custa bem baratinha.

Deixando Bahrein aos sultões e suas odaliscas. Onde um felizardo mancebo pode se consorciar a quatro mulheres que fingem se tolerar. Que ao se casar deve oferecer um dote que antes se equivalia a uma manada de camelos e hoje melhor comprar uma esposa a peso de ouro. Que pode ser devolvida ao dono se não agradar.

Vamos dar uma voltinha a outro país. Dessa feita pertencente aos Emirados Árabes que em verdade são unidos. Abu Dhabi é a capital dos Emirados sendo o mais extenso e o mais rico do golfo pérsico. Ali tudo é superlativo. Encantei-me com sua mesquita, que leva o nome de Sheikh Zayed. A maior do mundo em verdade. Ali não se pode entrar de bermuda ou, no caso dos homens, mostrando os braços desnudos. E as mulheres devem encobrir a cabeça para não mostrar se são calvas ou não (brincadeira).

Doha, capital do Catar, foi outro país visitado. Fomos de busão por termos perdido o ônibus que nos levaria aquela cidade. O idioma oficial é o árabe, mas se tolera o inglês. Como em outras cidades o comércio frutifica num burburinho mais que o nosso. Foi em Doha que me vesti de árabe.       Com aquela vestimenta típica dos muçulmanos que a mim pareceram bem humanos. E eles oram a cada hora, virados pra Meca que fica na Arábia Saudita. Um real no Catar vale 1,42.  Se me enganei levem dólar e não real. Naqueles países não se deve beijar em público e sim as escondidas do pai da moça. Não se esqueça de pechinchar naquelas lojinhas espalhadas nos mercados. Onde quando, a gente fala que somos brasileiros eles logo vêem com essas exclamações: “Lula ladrão1 Que futebol maravilhoso se joga no seu pais”. E citam nominalmente: Rivaldo, Roberto Carlos, Ronaldo e outros aposentados de agora.

Dubai fechou nossa viagem com chave de ouro num colar de pérolas genuínas.

Que cidade maravilhosa e cosmopolita. Ali quase não se vêem nativos. Mais parece uma torre de babel ensandecida pela riqueza. Gente do Paquistão, da Índia, e de toda Ásia que não nos da azia. Tudo ali é o maior do planeta. O edifício Burj Khalifa fica difícil de chegar ao topo. São 828 metros em mais de 160 andares. Tentei subir a pé e desisti. Já viram um carro andando sem motorista? Eu vi e não me vi nele.

Essa viagem toda finou no dia de ontem. Fui, vi de tudo um cadinho, e me deslumbrei. Lá não tem violência nem somos passados pra trás. Aquela imensa arca de Noé me levou a um futuro que não sei se iremos chegar lá.

Mas meu amigo do peito. Aquele sujeitinho meio sem jeito. De nome atravessado Tom Zé.

Por indicação minha tentou fazer o mesmo percurso.

Da sua Ijaci amada saiu na jardineira das onze horas em direção a São Paulo onde iria pegar o avião que avoa saindo do chão.

Foi um custo custoso pegar a lotação ao aeroporto sem se importar em levar dinheiro no bolso. Tentou dar calote no motorista que lhe fez chegar ao seu destino de pé mesmo, sebo nas canelinhas fininhas.

A hora de embarcar quase desistiu de voar. Isso é coisa de urubu pensou com seus botões.

Quase perdeu o vôo. Dentro do avião, era a sua primeira e derradeira vez, chamou com um dedão da mão a aeromoça que não era tão mocinha assim.

Na hora H, assim que aquele urubusão branco bateu asas, meu amigo Tom, já ia me esquecendo do Zé. Uma revoada de ventania fez balançar aquela coisona grandona.

“Dona, a senhora me garante que isso não cai? Tenho medo só de pensar. Num sei andar de pára-quedas e tenho receio de deixar viúvas as muié que tenho. Dona, faiz um favorzinho pra mim. Pára que eu quero descer!”

Não sei se meu amigo Tom Zé apeou no ar. Ou se esborrachou no chão e nunca mais voou.

 

 

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