Nem sei dizer

Vinte e quatro de dezembro nos colhe mercê de múltiplas interrogações. Dizer o quê àquelas famílias de muitas bocas e pouco juízo. Que pensam que encher o mundo de filhos é a solução para a escassez de alimentos por que estamos passando? Cuja solução do problema passa simplesmente pela contensão demográfica. Que uma simples ligadura de dois canais de fácil execução pode evitar mais um filho. Outra boca faminta, outra criança de rua, outro futuro detento das tais casas onde se dizem recuperar menores infratores. No entanto quem ali entra sai pior de quando adentrou.

Caso fosse listar quantas vezes tenho dito “que pena!” a listra seria tão longa que daqui ao céu fica um grãozinho de areia na praia olhando o mar. Ou um orifício minúsculo por onde passa a agulha na hora de cozer o tecido fino.

“Que pena que hoje não choveu”! “Que pena que a bezerrinha morreu”!  “Que fatalidade hoje aconteceu”!

Dá pena, condoo-me, de tantas e tantas coisas que me torna impossível esmiuçá-la. Trocá-la em miúdos. Digeri-las todas.

Um dia me disseram que em pouco tempo os livros impressos terão fim.  Noutro que não é bem assim. Mas creio que vence o primeiro.

A internet será por certo a algoz dos jornais de papel. Tudo vai ser on-line. Virtual, surreal.

Conto nos dedos, no Brasil, os devoradores de livros. São canibais adoráveis. Eu, ao revés de estar entre eles confesso que escrevo mais do que leio. Antes lia bem mais.

Já li tantas crônicas lindas no Estado de Minas. O jornal. Agora, cito bem poucos, neste país continental, onde crônicas são escritas e apreciadas demais. Talvez, se não me foge a memoria, a Folha de São Paulo, o Tempo, o Estadão, o Globo, e outros periódicos regionais, ainda conservam páginas dedicadas aos textos literários.

Outros, de menor envergadura, não moral, fecham as páginas. E se despedem dos seus leitores. Atribuindo a crise a grande responsável pela falência dos jornais impressos. Que vivem e sobrevivem as expensas de mecenas anunciantes. Cada vez mais raros. Nos dias atuais.

Estou no meu decimo oitavo livro. O derradeiro, lançado há um mês, Por Quem os Sinos Não Dobram, tem vendido bem. Mas poderia ser mais.

Tentando acompanhar as tendências achei por bem publicar meu livro em E-book. Ainda não sei quando irá sair. Muito menos o resultado de tal feito. Se vai ser bom ou malfeito.

Na edição de ontem, assim que passei os olhos num jornal da cidade de Lavras, a Tribuna de Lavras, onde fui articulista anos seguidos, junto a tantos outros cronistas de peso, cito: Pedro Coimbra, Francisquini, Hugo de Oliveira, e tantos mais, fui sabedor que o mesmo noticioso vai ter fim em breve.

Não mais teremos a Tribuna de Lavras em papel jornal. E sim como outros, mais.

E quando a gente estiver na roça? Onde a internet ainda não fincou as antenas? Como poderemos ler Pedro Coimbra, Paulo Rodarte, Francisquini, e tantos mais?

Não sei. Nem quero pensar. Pensem vocês. Quem quiser usar os neurônios para lucubrar.

Nem saberia dizer o que vai ser de nós…

 

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