Palavras ditas são como uma folha de papel voando numa ventania. Ou flores dos ipês desgarradas da árvore mãe que caem ao chão ainda vivas. Pena que não se pode ressuscitá-las, tomando-as com os dedos das mãos e de novo inseri-las na ponta de um galho mais fino de onde elas vieram para que esse ipê amarelo, seja de flores brancas ou arroxeadas se colora novamente conferindo esse espetáculo à natureza embelezando nossas matas que seja à beira das estradas por onde passamos apressados ou a passos lentos quando corria e voltei a correr no dia de ontem de aqui da minha cidade à rocinha que tanto prazer inda me da.
Hoje, domingo, nome desse mês que deveria me dar desgosto e ao revés só coisas boas me fazem lembrar.
No primeiro dia, há nove passados, dia um de agosto recém inserido no calendário, que saudade DELE me traz.
No primo dia desse mês de agosto ELE, três letras em maiúsculo sim, aniversariava.
Vinte e seis longos anos faz que ele se foi.
ELE não fazia questão que nós, seus filhos, eu, meu irmão Fred e minha querida Rosinha irmã de coração, lembrássemos dessa data. Como eu também não preciso que me dêem presentes naquele sete de dezembro que se avizinha e nem que se lembrem dessa data que deixou de ser importante desde quando eu menino deixei de existir.
Dúvidas pairam em meus pensamentos. São tantos que não merecem lamentos.
Tenho quase certeza que ELE, meu pai e de outros dois citados dantes, se ele soubesse talvez fosse motivo de júbilo pra ele. Já que exatamente na noite que meu estimado e muito amado progenitor fechou os olhos para sempre levitando aos céus deixando uma imagem de austeridade e imensa capacidade de gerir aquela casa bancária que tem o nome de nosso país. Deixo aqui grafado que nessa noite enlutada passei a escrever febrilmente. Seriam minhas mais de vinte mil crônicas escritas por inspiração dele? Ou ainda psicografadas por seu espírito de luz?
Doi-me muitíssimo as entranhas meu pai não saber nem ter conhecido esse monte de livros que se mostram perfilados um a um às minhas costas. O fato de que ELE não ter comparecido aos inúmeros lançamentos que tenho feito das minhas obras literárias tantas que são.
E como gostaria de ter dito a ELE, não sabendo onde ELE está, desconhecendo que dia novamente iremos nos encontrar e em qual lugar.
Diria não palavras que o vento levaria rodopiando aos ares. E sim textos escritos, como esse que escrevo nessa hora madrugada, desse domingo nove de agosto dia de todos os pais.
Meu pai, estendo essa homenagem sincera de coração aos meus dois irmãos, Fred e Rosinha, que nessa hora cedo deve estar dormindo seu soninho angelical.
Dizendo a você, desculpa-me não ter escrito senhor já que bem o merece.
O quanto o senhor faz falta. Era e inda o é de suma importância pra nós, seus filhos que não se esquecem de sua postura elegante. De quando ia em direção ao banco onde começou sua carreira como funcionário não sei ao certo se em Caratinga ou mesmo em Boa Esperança cidade banhada por hoje por uma represa onde nasci.
O senhor, com sua calva brilhante caminhando sempre vestindo um terno, não sei se na moda ou fora dela, ia de nossa casa a Rua Costa Pereira a esse estabelecimento fronteiriço a nossa praça maior de nome Augusto Silva.
Sei também o quando o senhor era respeitado por todos que tiveram o gáudio de conhecê-lo e não se cansam de me dizer agora: “doutor Paulo, como o senhor se parece ao seu pai. Não pelo terno que ele usava e sim pelo andar semelhante ao dele. Seu saudoso pai, Paulo José de Abreu pra mim e muitos outros é um exemplo de retidão, amor ao trabalho, e devoção impar a sua família. Se alguém merece uma estátua, uma herma ou um busto notável a ser fincado numa praça pública, livre de ser transformado em latrina de pombos ou outros inoportunos pássaros quaisqueres esse homem é seu pai”.
Como não mais o temos ao nosso lado gostaria de celebrar, nesse nove de agosto, dia de todos os pai, eu avô sou pai em dobro, apreciaria dizer ao senhor o quanto gostaria de tê-lo ao meu lado direito, que seja a esquerda, a me contemplar nesse e noutros meus escritos.
Tenho certeza inarredável que sua presença não se manifesta em corpo e sim na sualma boa.
A nos acompanhar em nosso caminhar a princípio inseguro dando nossos primeiros passinhos pelas estradas acidentadas da vida.
Não me esqueço de nossas memoráveis partidas de tênis naquele clube defronte a nossa casa de nome LTC. Quando quase sempre em duplas jogávamos eu o senhor de um lado da rede e do outro lado tenistas que agora disputam animadas partidas numa quadra florida no céu.
Gostaria de dizer tantas palavras doces no seu ouvido meu pai. E sofro por não tê-las dito quando ainda o tinha vivo me dando bons conselhos me repreendendo quando merecia por um ato inadequado.
Pena que nesse dia dos pais, hoje num domingo nove de agosto, o senhor não possa me ouvir.
Essa crônica de agora ao senhor dedico.
Meus dedos tremem ao digitar cada palavra, cada letra, cada parágrafo meus pensamentos vagueiam vagabundos pensando em tudo que gostaria de te dizer.
Resumidamente singelamente deixo, nessa derradeira linha essas palavras que simplificam e minimizam tudo que sentimos pelo senhor: “nós o amamos meu pai”.