Deveríamos dançar seguindo a partitura da música.
Mas tem gente que dança, requebra a pança, rebola, pisa na bola e de nada adianta voltar à pista d e dança que a barriga não desincha. Ela passa a engordar mais ainda. Pena que nem sempre ser bola cheia faz da gente uma Gisele Bündchen. Essa nossa linda modelo gaúcha. Infelizmente não faz meu tipo por ser tal e qual varal de enxugar roupa. Ou cabide onde deixo minhas roupas pra no dia seguinte vesti-las de novo.
Ismagrecer, dá no mesmo que emagrecer. Se não sabem passem a saber nessa hora madrugada.
Pra ficar esbelto como meu amigo Erivelto. Magricela, sarado e mal curado de uma quase fatal peneumonia. Nem sempre uma boa dieta resolve.
Tem-se de ter vontade mesmo de perder bons quilinhos. Ficar que nem a magricela Olivia Palito, namoradinha do fortão Popeye.
Privar-se de comer torresmo engordurado. Fechar a bocona com uma mordaça que não merece ser mordida. E não se esqueçam de fazer como faço mesmo que não tenha dado resultado significativo. Andar sempre usando as pernas. Acostumar-se a malhar pesado nos pesos de uma boa academia. Correr é preciso. Não apenas da polícia como das feiosas que pretendem te pegar como troféu a ser posto não na prateleira de um armário. E sim numa cama a te fazer de papai com sua amante o que deverias fazer com tua própria esposa que se mantém fiel até que a outra os separe.
Nos últimos tempos, não por uma questão religiosa e sim de saúde. Tenho feito uso da tal milagreira caneta ismagrecedora. Minha intenção não somente perder uns quilinhos a menos como ver secar minha barrigona.
Tenho comido pouquinho.
Esse tal de Ozempic faz a gente perder o apetite (não sexual, inda bem).
Como não o que acho nos sacos de lixo. As sobras, restos, deixo aos esfomeados cães vadios (não tanto como eu).
Aquelas deliciosas empadonas. As quais como no almoço nas minhas subidas rápidas de onde moro até aqui no consultório. Bebo uma sodinha de abacaxi junto.
Quando vou pagar pergunto à simpática moça do caixa : “moça, empadinha faz a gente engordar”?
Ela responde risonhamente exibindo a alvura da sua dentadura: “ não meu senhor. O senhor não vai engordar. A empadinha que o senhor comeu sim. Vai te sacanear. Sua barriga, com a empada dentro vai aumentar muito mais”.
Pago o valor pedido. Vou embora sem me queixar.
Como os tempos mudam…
Infelizmente não conseguimos acompanhar as modernidades dos anos.
Dantes, anos antes, nem conhecia os tais celulares.
Resisti, estoicamente, a não comprar um desses telefoninhos andarilhos como eu sou.
Mujo, rumino de saudade dos orelhões.
Era neles que me escondia da chuvarada do cair das tardes. Comprava fichas na padaria da esquina para prosear com minhas namoradas.
Os telefones fixos quase são peças de museus. Como dinossauros na beirada da extinção.
Aqui no consultório preservo meu fóssil que algumas vezes tilinta na sala de espera da minha querida Zaninha.
Minha especialidade urologia a cada dia aparece uma novidade.
Já disse adeus ao meu amado dantes bem usado bisturi afiado. Ele chora de saudade esquecido na gaveta do olvido.
Até nunca mais enormes lombotomias para sacar pedras nos rins. Não até breve incisões na pele até chegar à próstatas crescidas que precisam ser removidas por entupirem o canal por onde passa a urina.
Hoje não somos nós que operamos : próstatas em velhos, cálculos grandões encalhados nos ureteres, tumores malignos ou benignos nos rins e adjacências e outras doenças cirúrgicas mais.
São os robozinhos ( cirurgia robótica ) que nos roubam a vez de pensarmos ser ainda cirurgiões. Médicos especiais, bem treinados como gaviões que bem enxergam pintainhos fora da segurança da mãe galinha.
Como especialista nessa espinhenta especialidade mutante. Que como outras se metamorfoseia como uma camaleoa que toma a cor e forma do ambiente para se proteger dos predadores.
Não mais tenho participado de congressos dessa cruz que carrego há quase cinquenta anos.
Pra quê? Se não vou poder nunca comprar nem treinar em usar robôs de primeira ou última geração.
Devido aos rumos tortuosos que caminha a medicina. Essa nossa linda profissão que mais e mais a deturpam e tentam nos jogar de fuça no chão sujismundo desse nosso desgovernado país.
Quando aqui apeei, longe da minha visão posso ver.
Sonhando de olhos bem abertos fazer uma medicina de ponta com os conhecimentos trazidos de além mar.
Hoje dei de ponta cabeça na atual conjuntura de pura amargura em que nos encontramos.
O que nos paga o sistema único de saúde mal dá para pagar o almoço deixando-nos com fome na janta.
Médicos novatos mal sabem o que os espera o porvir.
Ah! Esses jovens esculapinhos. se soubessem o que já passei nem passeavam no rela do jardim.
Não se casariam nunca, nem amariam a mulher do seu vizinho.
Eu já fiz isso tudo e nem se teria coragem de dar um bis na minha vida.
Antes era proibido médico cobrar do colega. Se fizesse isso seria tido persona não grata a toda nossa classe não ainda desclassificada.
Os, pra mim considerados mal vindos planos de saúde nem haviam nascido. Nem embriões mal formados dentro das placentas das mães.
A gente operava o bom povinho da roça quantos veinhos quiséssemos.
Eles nem perguntavam o preço de uma operação de fimose ou de próstata.
Traziam, naquele embornal furado notas altas. Duas galinhas com seus pintainhos, uma cachacinha boa como acompanhante. E nos presenteava com muitos mimos a graça de terem sido bem atendidos tanto na primeira consulta quanto no retorno.
Ah! Como o hoje infelizmente difere do antigamente.
Quando temos de agendar a nós mesmos uma consulta com um especialista.
Exemplifico pra ficar mais fácil.
Ontem, por uma dor na cacunda, de tanto ficar assentado nas minhas escrevinhanças furibundas diuturnas.
Supliquei a minha não menos amada Zaninha que marcasse uma consulta com um ortopedista no andar de baixo onde estou agora.
Elazinha, como sempre muito bem disposta, desceu um lance de escada e me trouxe uma má notícia.
Se minha consulta fosse particular seria pra tarde de hoje mesmo.
Se fosse por um convênio, não privado, o doutor teria vaga pra daqui a dois anos, ou mais.
Minha dor na cacunda iria piorar mais ainda. Quem sabe iria doer mais ainda minha bunda magra.
Tenta dormir ou tirar um cochilo num barulhão como esse…
Eu não dou conta.
Pena que os ventos nem sempre assopram pras bandas que a gente deseja.
Assim como não tento ir no mesmo passo das modernidades.
Minhas passadas são lentas. De repente o que era pra mim novo ficou velho.
Mesmo não sendo um pé de valsa. Nem um exímio dançarino de tango.
Nesses meus incontáveis anos de exercício na medicina.
Não pretendendo ficar de tanga, pelado com a mão no bolso.
Tenho de acompanhar as modernidades.
De dançar conforme a música.
Quem sabe vou tomar jeito na minha vida desajeitada?
Embora aprecie muito dançar valsa, dessas bem rodadas.
Terei, infelizmente de me abaixar ate o chão. Tendo o cuidado de não enfiar meu fiofó na boquinha da garrafa.
Funk não…