Só você mulher…

Tudo começou quando tinha meus dezoito anos.
Não tenho como precisar o tempo certo, se foi antes ou um cadinho depois.
Já estudando em Belo Horizonte, com meu horizonte definido. Seria o primeiro Rodarte, não Abreu, a caminhar pelos caminhos tortuosos, difíceis. Dessa profissão dantes tão valorizada. Pela qual quase todos se inclinavam, faziam mesuras e rapa pés. Éramos semi ou quase deuses. Trajávamos sempre em branco, do tronco aos pés. E quando éramos chamados a atender enfermos nas casas ali entrávamos. Sempre uma cadeira era posta defronte a cama do paciente. E toda a família, impaciente por saber qual seria nosso diagnóstico. Nosso veredicto final sobre o estado daquele familiar acamado. E qual seria a prescrição assinada e carimbada naquela folha de papel. Se faltasse nosso bloco de receituário uma página de jornal, uma folha branca qualquer serviria pra deixarmos escrito. Não em letras certinhas o fármaco que seria comprado numa botica no centro ou nos arrabaldes daquela cidade. Que no meu caso ainda é essa minha amada Lavras. Cidade de médio porte que quase tudo nos oferece de boa qualidade: educação pra mim das melhores, cultura deixa um cadinho a desejar, saúde por mim não tenho do que me queixar. Ruas sempre lotadas à hora de pico. Pra atenuar essa sandice deixo aqui minha sugestão. Deixem os carros no estacionamento, na garagem se as tem. Acordem suas pernas se elas dormem. Graças ao uso constante delas fiquei de bem comigo.
Qual o esporte, no tempo atual, tenho por mim o melhor dos mais difíceis de praticar.
Já gostei de futebol e hoje, se me pagarem pra ir a um jogo do Corinthians, que seja do meu preferido Cruzeiro, com condução fácil, dinheiro no bolso para comer um tropeiro no Mineirão. Agradeco a gentileza e digo não.
Em contrapartida, considerando-se uma aguerrida partida de tênis, como essa que de pouco aconteceu entres os melhores tenistas da atualidade: o espanhol Carlitos Alcaraz e o americano Ben Shelton, o vencedor. Faria minha trouxinha, lotadinha de cervejinha geladinha, como tira-gostos torresmo crocante e batatinha frita ao ponto. Que fosse no Us Open ou em Roland Garros na mesma hora iria a pé mesmo.
Tênis, se tem coisa, dita esporte melhor, se sabem me digam.
Pra mim tênis é também o melhor calçado que tenho usado nas minhas andanças costumeiras.
Já o tênis esporte pratico, hoje menos que dantes.
Disputei animadas partidas em dupla com meu pai nas quadras de terra batida no LTC.
Fui “paitrocinador” do meu filho tenista Stenio hoje professor dessa nobre arte.
E meu netinho Gael, tomara ele troque futebol de salão, onde ele é craque. Desportista nato e goleador do time daquele clube supra citado.
Já que temos jogado tênis, e ele sempre me vence e estou convencido que Gael joga muito mais que eu.
Agora, nesse meu ocaso, sem fazer pouco caso de outros esportes. E nada contra aqueles que gostam de futebol. Pra mim é como gostar de picanha magrinha mal passada e torrada na churrasqueira em excesso.
Não são todos os esportes que me fazem ficar a frente da TV altas horas como fiquei nessa madrugada.
Torcia pelo Alcaraz e ele perdeu. Convenhamos, Shelton foi melhor e mereceu.
Nada contra a opção sexual da nossa maior jogadora de futebol a alagoana Marta.
Cada um da o melhor que o satisfaz. Se queres ser feliz usando, mesmo sendo mulher, um sapato grandão, que use o número quarenta e quatro. Seja feita a vossa vontade que não é a minha.
Agora, me desculpem aqueles que acham a Marta bonita e gostosa.
Tem gosto pra tudo mesmo pra porcaria.
Já viram lindas tenistas jogando? As russas, tchecas, bielorrussas, e até mesmo a nossa Bia que interrompeu sua jornada tenística até reencontrar seu melhor tênis de novo?
Como já deixei escrito, um dia desses, sob esse titulo- estou à procura.
Sinto-me como um passarozinho atônito, ao ver a porta de sua gaiola aberta. Um reles canarinho amarelinho, cantador desafinado, temeroso de voar livrinho, leve e soltinho.
Sinto-me um filhote de urubu, feio como anu preto tentando se livrar do óleo queimado depois de desavisado ter caído num balde lotado disso.
Quem leu meu escrito de dias passados disse que fui muito exigente ao escolher os predicados da mulher com quem desejo ajuntar meus panos aos dela a partir de não sei quando.
Não deixei escrito por mal e não desejo fazer mal a qualquer mulher que seja.
E qual, pra mim, seria a mulher ideal?
As feias que me perdoem, mas beleza é essencial.
Não apenas aquela beleza daquela beldade que se olha no espelho e pergunta, já sabendo a resposta; “espelho espelho espelhado, abelhudo, enxerido, fofoqueiro. Existe mulher mais bonita de bunda e feia de cara que nem eu”?
E o espelho respondão responde sem olhar na cara dela: “não é a toa que seu nome é Raimunda”.
Voltando ao tênis, pra mim qual a mulher mais bonita e graciosa, dentre todas as formosas?
Qual delas escolheria pra ser a mulher da minha vida?
Minha opção talvez fosse pela mais vencedora de agora e de tempos de hoje.
A russa Sharapova talvez fosse uma delas. Já aposentada das quadras talvez não. Mas ela é linda não? Tem pernas finas, se as tem não tem problema. Jogo-as pro lado e vamos ao melhor da festa.
A argentina Gabriela Sabatini, morena maravilhosa, um tesão.
A segunda no ranking das campeãs da WTA, a loiríssima girafenta Rybakina, bate de quina no meu coração. Mas ela também não.
E por qual delas cairia de amor e paixão?
Vocês conhecem Belarus, Bielorússia? Um país sem saída para o mar na Europa Oriental, fronteira com a Rússia, Ucrânia, Polônia, Lituânia e Letônia? Cuja capital se chama Minsk?
Eu também não, mas tenho grande vontade de conhecer.
Não apenas esse lindo país e sim uma mulher especialíssima ali nascida e não sei se ela mora naquele lugar.
Por essa linda mulher eu chutava o balde cheinho de leite não me importando se o leite derramasse no chão do curral.
Só por você, bela Aryna Sabalenka, mesmo nessa chuvarada, com a quadra de tênis encharcada e bem molhada. Voltaria a ter aulas de tênis com meu filho Stenio e, se perdesse do meu netinho Gael não iria chorar nem reclamar da derrota merecida.
Por você lindona Sabalenka, iria morar onde você quiser. Seria a toalha onde você derramaria suas lágrimas quando perdesse para a tal adversária que pleiteia ser a número um. Cargo que é seu e espero continuar por muitos anos mais.
Só por ti, maravilhosa nascida em Belarus, mesmo sabendo que tu és compromissada com um brasileiro milhares de vezes mais rico do que eu. Te daria uma linda aliança, se bem que de menos valor que aquela que seu noivo te deu. Mas de coração te daria o meu. Que sofre quando você, minha linda perde uma partida e se queixa à diretoria que um cheiro asqueroso de maconha exalou em suas lindas narinas. Desacostumada à drogas nocivas como essa. Embora já se sabe dos efeitos benéficos de uma substância retirada da maconha com grande poder curativo ou paliativo em doenças que nos afligem.
Por ti minha doce linda Aryna, não me importaria em bater a sua porta sem resposta ao meu pedido de casamento. Daria minha aliança a outra tenista? Ou a guardaria pro futuro a espera que você aceite meu pedido, de joelhos se preciso for.
Só de pensar em ti, minha amada Sabalenka. Meus dedos trêmulos não encontram as teclas desse computador onde escrevo nessa hora e em outras. Apaixonado que estou por você.
Perdoa minha ousadia. Sei que tu não és vadia como eu sou. Nem burra como me sinto, um asno ao te ver e não poder chegar a você nas quadras de tênis mundo afora.
Te desejo, se o melhor pra você seja continuar a me ignorar, que o seja.
Mas olhe em direção à televisão.
Busque com seus lindos olhos, na platéia gigante do Arthur Ashe, em Nova York, um brasileiro de cabelos brancos, olhar atento, na última fileira bem no alto das arquibancadas.
Esse brasileiro encantando sou eu.

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