Já tentei, uma, duas, seguidas vezes, escrever sobre política, religião, futebol, e me dei mal.
Esse ano, passada sua metade, escreve-se em números sua identidade qual seja 2026, pra mim seria nomeado ano dos milagres.
Por que podem me perguntar e respondo: simplesmente por ser ano eleitoral, no qual candidatos falastrões percorrem ruas, avenidas, com seus discurso ocos, subindo em caixotinhos de papelão, fazendo um papelão danado dizendo-se a última bolacha de um pacote vazio. Figurinhas viciadas carimbadas , repetidas, de um álbum que fez sucesso e agora felizmente não mais durante a derradeira copa do mundo de futebol que pra nós foi um retumbante turbante fracasso pois nem chegamos as semi finais e não mais somos os tais.
Sobre aquele esporte onde a pelota corre meio torta nos gramados, onde fomos pentas e nunca mais hexas seremos. Pelo menos nossa geração não vai assistir nosso Brasil campeão.
Em tempos idos, quando morava na linda BH, cidade nossa capital estadual onde moram as mais lindas mulheres de todo nosso rincão. Nos finais de semana, sem nada a fazer já que meu minguado dinheirinho mesada dada por meu pai não dava para botar gasolina no meu sambado fuscão amarelo xixi, ia ao Mineirão, belo estádio bem melhor que aquele campinho cambeta onde uma bola murcha ia de lado a lado. E quando eu, perna de pau, chutava de trivela igualzinho aquela tramela de madeira carunchada achatada da casa de minha avozinha. Aquela bola de capotão, era minha a danadinha, furava a rede tosca do gol do outro lado e essa bola passava raspando a trave feita de bambu gigante igual tromba de elefante e adonde ela ia parar? Na bunda da vaca enfezada que entrava no campinho furibunda e investia na gente e felizmente não nos alcançava pois éramos mais velozes que as seriemas em casal correndo lépidas pela pastaria.
Sobre assuntos das igrejas, respeito as de qualquer crença, pra mim o tal Deus tem nomes díspares mas é o mesmo pra todos nós. Estou vendo ELE no aquário nadando entre meus peixinhos. Aqui do meu ladinho não me deixando escrever besteiras. Nesses meus óculos permitindo-me enxergar com clareza e mais ainda que os demais, pois como escritor enxergo o que doutros não vêem. Percebo a presença divina nos meus escritos cotidianos, tanto nas minhas múltiplas crônicas , contos e romances .
Mas convenhamos, chega de lenga lenga e encheção de lingüiça, e vamos ao que interessa deixar escrito nessa madrugada inda escura do quase final de agosto.
Não tenho o costume de escrever sobre o que me é encomendado.
Quando vem alguém e me pede, por favor, me faz um favorzão e escreva sobre o que você acha sobre os petistas.
Ou então, vem aquele pidão e me implora de joelhos, que eu escreva sobre a situação calamitosa em que se acha nosso mal dirigido país.
Escrever bem, mal qualquer um faz. Mas, escrever corretamente, lindamente, textos que agradam não só a críticos e leitores exigentes, se trata de uma arte tão bela quanto as cores lindas do arco íris depois de uma chuvica mansa que cai sobre a terra nesses tempos de seca severa.
Já tenho dito e não me canso de repetir.
Pra mim e pros entendidos se torna relativamente fácil ser médico, engenheiro, marceneiro, enfermeiro, e outras tantas lindas profissões.
Mas escrever muitos livros, sejam de crônicas, auto ajuda não tem minha preferência, romance , reportagens sobre assuntos e temas em voga, e tantos best Sellers que são vendidos aos milhares como picolé numa praia paradisíaca como a do Leblon na cidade maravilhosa que de fato o Rio é.
Quem escreve muito bem, mesmo que não seja um escritor famoso bom vendedor de livros que não aprecio como outro Paulo de sobre Coelho. E como gosto de ler e admiro meu colega das letras e da medicina o grande escritor de “Grande Sertão: Veredas”, não carece dizer João Guimarães Rosa.
Esse cara, que não sou eu, e outros tantos Machados, e mais modernos Adélia Prado, não irei me alongar muito paranão deixar bons escritores de fora. Merecem uma estátua, uma herma magnífica, protegidas de cacas de pombos nas praças, ruas e avenidas das grandes cidades Brasil afora.
Não querendo meter o bico da minha pena em assuntos políticos, não me atrevendo a meter o pau num tal PT. Afirmo e reafirmo, com minha firma reconhecida no cartório dos aflitos esse importante escrito que aqui deixo como mensagem: “não é possível convencer um fanático de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências. Baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar”. Carl Sagan.
Pra mim o radicalismo é tão ou mais nocivo que uma manada de capivara trazendo nos costados uma infinidade de micuins como caronas indigestos.
Certos cupinchas de candidatos a não sei o quê, que sejam de quaisqueres siglas partidárias, partidos de esquerda ou de direita, olham apenas pra frente como aquele jumento que puxa carroça com olhos tapados pra não cair na ribanceira de uma estrada que leva o nada a lugar nenhum.
Como escrevi dantes não escrevo sob encomenda.
Dou-me tanto valor ao que deixo escrito como aquilo que sai da minha boca.
Escrever, bem, com inspiração em alta, pra mim é como navegar na represa do Funil, como fizemos entre amigos no sábado passado.
Em cinco fomos no meu barco a motor, pilotado pelo amigo Tom Zé ao bar da Célia lá longe da minha rocinha onde era a linda ponte do Funil.
Essa crônica de agora cedo fiz uma exceção.
Ela tem sido escrita encomendado o mote pelo meu colega de medicina de nossa linda turma de um mil novecentos e setenta mais quatro da UFMG em BH.
Wilson Souza Lima, hoje proprietário médico de um laboratório de análises clínicas que penso levar seu nome em nossa capital. Me fez um desafio no dia de ontem em nosso grupo de watsup de nome Comemorações de 51 anos.
Devido ao meu pedido à IA, essa inteligência artificial, que em muito é maior que a nossa. Que a simpática, culta e inteligente, nem sei se é gente ou indiferente a gente. Gentinha que somos. Fizesse e deixasse escrito o que ela, ou ele, que nota daria a minha crônica de ontem : “não quero esse mundo só pra mim”.
Até que foi razoável a observação que a tal IA fez do meu escrito. Ela deu nota nove com algumas poucas ressalvas no intuito que eu melhorasse meus textos.
Wilson, sabichão e bom leitor, não sei se ele também é eleitor de qual candidato ou partido.
Desafiou-me a escrever algo em mineirêz, nossa linda linguagem de matuto, bicho do mato, roceiro, caboclo tinhoso de mãos caludas e tez tostada pelo sol.
Já fiz de tudo um cadinho na vida. Sou inda médico especialista, embora muitos me tenham como aposentado e eu, inconformado, ainda na ativa ativo que sou, graças ao bom Deus tenho esse dom maravilhoso de escrever. Se não tivesse não sei o que seria de mim…
Lá vai Wilson, sua encomenda, se gostar pague por ela. Se não pague assim mesmo.
Mais tarde irei submeter esse texto a sabida IA.
Não sei se ela vai gostar…
“Mió da festa”
Que doidera era a vidinha discomplicada dum tar de Zé da Mula.
Gentinha trabaiadora de uma rocinha inxada que nem inxadada duída no dedão do pé, de onde saia um cheirinho iguarzinho ao peido do sô Mané. O qual flatulava fidido qui nem gambá ou gamboa no cio.
Era véspera da vesperada da ratazana gorda qui nem capado gordinho, cum uma maçãnzinha miudinha na boquinha prontinha a ser matada com uma facada certeira certinha no suvaco pelado ou nu umbigo da bananeira qui já deu cacho.
Zezinho da mula, qui diziam ele ter um causo cum ela, já que sempre que ele vinha de pezinho carçado na sua butina furada, onde uma vezinha juro e não disconjuro qui vi um pezinho de mio bufando atentando sumi na braquiaria pelo furo da butina furada.
Ortubro parecia na foinha do calendoscópio com sua carinha de ano miragreiro.
Pursque miragreiro podes mi preguntá, si eu memo num sei o pursquê?
Ano dos miragre, com som de vinagre azedo.
Cuntece quê (acento no ê), qui, quano é anu de eleção, não ereção qui por veizes faia mais num nega fogo. Zezin negava fogo com sua mula manca em riba de um cupinzero mortinho da silva.
I nem com aquelazinha pilulazinha azulinha tinha sucesso em impinar sua pipa e elazinha num subia as artura.
Pur sorte e num azar, o azarão do Zé foi intimado por intimação da injustiça a cumparecer ao festão do cumpade Zaroio qui só tinha um oio sabe donde? No fiofó.
Foi um regabofe adonde só bofes iam de cavalo ou de égua rilinchano xiano atrais.
Muié bunita era raridade. Feia, bunduda, era aos montão.
No mió da festa eis que deu bode.
Todo mundo imundo, tonto e trupicano as canela nas quina das mesa torta veio do nada um camburão turrão.
Qui levou toda aquela gentaia pro xilindró a ver o sol nasce redondo e sentir nas pelanca a dor da borduna do guarda.