Em permeio as impossibilidades tudo se torna possível.
Da mesma maneira que sonhar é possível.
E dar de cabeça ao chão, quando sonhos sonham em vão. Cuidado para não devanear muito, sonhos podem se tornar ilusões.
Nunca, dantes ou agora, quando deixei o ancião que mora em mim tentar se avizinhar daquele lindo menino que era, não mais menino ladino, iludo-me pensando ser inda criança, nos bons tempos da minha infância, acordo sempre de hora em outra, na intenção de ir ao banheiro exonerar minha bexiga repleta de urina já que minha próstata aumentada aperta esse canal por onde a urina sai daquela cor amarelo citrina.
Penso ser possível amenizar esse meu queixume. Basta criar coragem, submeter-me aquele exame tido indecoroso por muitos. Pra mim que sou o examinador tenho o toque retal como coisa normal. Necessário quase premente a partir dos quarenta e cinco quando não temos sintomas miccionais tais como dor ao urinar, mijar de hora ou menos minutos, começar a ter infecções urinárias e mais longe retermos urina que dor maior é essa quando ao pronto socorro chegamos apalermados e com nossos rostos crispados de dor. E nossa bexiga, pobrezinha delazinha inflada mais parecida a uma bola enorme tipo da que se usa em academia aquela molinha com a qual nos exercitamos deitados nela ou simplesmente fazendo alongamento naquele movimento gostoso de virar nossa nádega pra cima e vice versa.
Sempre, ontem ou até mesmo nesses dias em que a senilitude me convida a descansar e não aceito seu amável convite.
Desde anos antes dessa data quatro de agosto.
Vinte e seis anos antes, no dia ou noite quando meu pai fechou os olhos para sempre. Foi uma morte anunciada e não me avexo de dizer, dado ao sofrimento não somente dele como o nosso. Por ele estar inerme numa cama de onde não tinha a menor condição de ele próprio se levantar. Tendo sido eu, médico acostumado a tentar dizer a morte, por favor, deixa pra depois ele morrer. Se possível fosse num trinta e um de fevereiro num ano desconhecido.
Foi a partir de então que comecei minha escrevinhança e não parei mais.
E não pretendo tão cedo a não ser que perca a inspiração pra mim tão essencial como o ar que entra pelas minhas narinas quase sempre entupidas.
Divido-me entre crônicas e romances.
Crônicas, creio perfazerem mais de vinte mil.
Romances são quatro quase cinco completos com Ucrânia que está pela metade.
Cito-os pelos títulos : Madest, Crônica de um Sonho Interrompido, Rakel, Por Quem os Sinos Não Dobram e esse último de nome de um lindo país sofrendo por uma guerra interminável.
Como amo ainda minha rocinha. Que me deu mais prejuízos que ganhos os quais chamam de lucro. De onde trazia na caçamba da minha caminhonetinha, três foram as sofredoras até na presente data.
Uma da marca Fiat vermelhinha toda incrementada e bem rodada.
Ia me esquecendo da Variant valente de cor palha que penso ter virado sucata de tão velha que foi.
A segunda caminhonete a chamava de Pratinha Valente de tantos bons serviços que ela me prestou.
A de agora é toda branca e lindona. De marca Renault batizada de Oroch, tem sido muito útil quando vou ao que restou da minha rocinha.
Madest ( a Moça Alegre do Sorriso Triste), merece uma breve sinopse.
Quem são os personagens desse romance?
E qual o cenário onde se desenrola esse livro de capa preta e um rosto lindo de uma moça a quem chamei Madest.
Não é outro senão minha rocinha prejuizenta.
A casa amarelazul, a família linda do meu amigo ex arrendador das minhas terras de nome Roberto ou Betão como preferirem.
Madest que foi inspirada numa linda moça que não mais trabalha como garçonete de uma padaria aqui pertinho.
Meu inteligente cão de nome Paulo Rosa que sumiu sem deixar endereço certo.
Outro viralatinha gentil de nome Gabriel que também não sei por onde anda.
A mãe da Madest, uma linda mulher de mais idade que deixou o Correinha pensando bobagem e se apaixonou por ela e foi à loucura por amor a ela.
E outros tantos que não vou citar para não cansar a vocês.
Quem quiser ler Madest ou me compre ou peça à editora que lhe mande mais um exemplar.
Inda me sobraram três livros de A Moça Alegre do Sorriso Triste.
Um deles foi salvo dos morcegos e ratazanas gordas deixado pra trás na casa amarelazul onde morou meu amigo Betão.
Confesso que chorei ao ver esse meu primeiro romance abandonado na casa vazia de paredes tintas de amarelo e janelas azuis.
Levei-o nas mãos a minha casa beira lago e a seguir o deixei sobre uma mesa redonda no meu quarto onde durmo um cadinho só e aqui chego nas madrugadas.
Minha intenção era doá-lo de presente a um amigo recente de nome Cássio aquele fazendeiro de verdade que planta café e não cria vacas não por não amá-las como eu as idolatro e sim por pensar que vaca só avacalha a renda quando em pequenas quantidades e de pouca aptidão leiteira.
Esse quase único remanescente de Madest foi deixado sobre a mesa do meu quarto.
Meses deixaram fumaça. Dias desapareceram no calendário. Horas se despediram há tempos.
Acreditem se quiserem…
Não é que esse exemplar do meu romance de capa preta já dedicado a família do Roberto sumiu sem deixar vestígios nem endereço ou CEP?
Ontem, de manhãzinha, a procura desse livro, ao olhar pro alto vi um livro de capa preta voando nas alturas.
E ele tinha asas negras como dos urubus. E mais ainda juro ter visto um urubu branco, usando um pince nez no seu bico, tentando entender a razão de Madest não ter ficado com o riquinho que a amava e sim com o Carlinhos filho do meu amigo Roberto da dona Lúcia.