Podem me perguntar o por que de Zé Antonho e não Zé Antonio sem acento no o.
O motivo é simplesinho, e não compliquem nem o óbvio nem ao menos ovo de avestruz que é bem maior que o das galinhas.
Meu amiguinho da roça, sujeitinho baixinho, bonzinho, carinhosinho, safadinho como euzinho, tudo no diminutivo embora o tenha como um sujeito de pequena estatura que merece de mim e de outros, uma estatueta bem maior e de mais valor que aquelazinha que dão aos vencedores do Oscar. Aquela concorrida efeméride que acontece a cada ano na linda Los Angeles onde fui umas duas ou três vezes não para receber aquela prova inconteste que premiam atores e atrizes famosas por seus desempenhos em filmes que críticos consideram os melhores do ano. E sim para estar presente a um congresso da minha especialidade onde passeis dias maravilhosos na companhia de uma pessoa linda a qual não esqueço jamais.
O antes e o depois sempre estarão presentes na vida da gente desde nascidos ao túmulo final conduzidos.
Nos tempos idos, nem ainda convictos de qual altura iríamos chegar. Se da mesma de um pintor de rodapé que não precisa se espichar para chegar ao alto do rodapé que pretende pintar. Se do tamanhão de uma girafa grandona que com seu pescoção consegue chegar ao alto de uma palmeira a fim de se alimentar das folhas altaneiras dessas lindas e majestosas Arecaceaes.
No caso agora cedo descrito no começo ainda, versando em não verso e sim prosa ruim.
Contando o causo do meu compadre amigo Antonho. Vizinho bonzinho de pasto, sujo do meu lado e limpinho do dele.
Temos quase a mesma idade e vivemos, na nossa rocinha, ele sempre na dele e eu apenas nos finais de semana dou uma escapadinha a minha.
Antonho já fez oitenta e eu quase chegando lá sem pressa de nela assoprar mais velinhas.
Ele e euzinho, menos um palminho de altura que ele, Antonho.
Somos casados desde que o velho Adão perdeu o paraíso graças a desgraça que ele cometeu ao se aproximar de uma tal Eva. Que mulher gostosa e fogosa! De tão bonita e angulosa no traseiro, de uma cintura tão fininha que se alguém quiser dar nela um abraço não carece de fita métrica e sim de um carretel de linha de alguns centímetros somente e nada mais.
Antonho se uniu a uma rapariga de menos muitos anos que os dele que já alcançaram uns perto de oitenta.
E como ela ainda se mostra maravilhosa e peituda. Se olharmos pros seios dela, seu nome é Cinderela, e sem querer desejando muito, sem a conhecermos, termos a audácia de olhar seus enormes peitos e numa exclamação delituosa dizermos ao seu companheiro do lado: “quantos litros de leite a senhora da na primeira tirada da manhã”?
Foi devido a uma inoportuna fala dessa, com minha língua grande, naquele dia passado, quando, de volta da academia, olhei pro banco do carona do carro de um amigo e falei sem pensar nas consequências danosas do meu dito uma coisa assim: “quantos litros de leite a senhora da”?
Descarece dizer que fui processado por uma injusta causa. Salvei-me de consequências piores dado ao meu amigo e sua esposa peituda terem tido clemência para comigo e me perdoaram.
Voltando ao causo do amigo Zé, vamos nos esquecer por enquanto do Antonho.
Quando jovens se conhecem, seja caminhando lentamente ou com pressa no rela do jardim. Igualzinho eu e ela nos verdes anos de antão antes de me tornar mais que setentão, sujeito a enormes tentações ao ver aquelas mocinhas boazudas dando ou não bola pra mim. E quando nossos olhos se cruzavam aos dela não dava remela e sim nossos olhos se clareavam mais que luz da lua que hoje despertou antes de mim.
Como a gente chama quando encontramos a nossa cara metade?
Aquela zinha, não mais bobinha a qual pensamos ser ainda virginal?
Damos o nome de A Tampa da Nossa Panela né? Mesmo que essa tampa não tampe a nossa. Nos primórdios do casamento de Zé Antonho e sua Cinderela que já havia perdido a abóbora de sua carruagem anos antes quando ela capotou na estrada antes de chegar à igreja onde os pombinhos iriam trocar as alianças e prometerem e não cumpriram a promessa jurada ao padre, a frente do altar, dos padrinhos e convivas, que só a morte iria separá-los.
Aquele consórcio, desde a lua de mel que inda não havia se transformado num melado grudento e rançoso, tudo eram flores, rosas e petúnias num jardim florido sem espinhos.
Depois de dez anos de matrimônio os beijos mudaram em tapas e empurrões, entre xingos e impropérios ditos somente a maiores de idade.
Aquilo que era doce azedou de vez pra sempre.
O te amo meu amor se transformou em vai-te embora que não te suporto mais.
Zé Antonho desconjurava e ainda amava a sua Cinderela antes mesmo que ela de novo virasse abóbora madura quase apodrecida.
Já a Cinderela ainda bela, quando seu marido Zé Antonho queria sexo ela virava sua bunda pro lado e dizia estar com enxaqueca das bravas.
Foi nessa madrugada de sexta feira que encontrei meu amigo Zé Antonho andando desconsolado pela avenida de nossa cidade.
Achei-o meio não, totalmente desacoçoado, macambúzio e suado.
“O que foi Zé? Tá doente? Tá se sentindo mal? Posso te ajudar em alguma coisinha”?
Zezinho Antonho, sentindo-se pequenininho, miudinho como um anão naniquinho. Parou um cadinho a minha frente e assim se explicou em palavrinhas soltas: “sim meu amigo, você pouco pode fazer por mim. Lembra-se de quando me casei com a minha amada e idolatrada Cinderela? Eu a chamava Cindy, só isso. Ainda amo ela como gosto de comer moela de galinha. Ela era e inda a considero como a tampa da minha panela já que tenho por mim que panelas velhas são as que fazem as melhores comidas. Ontem passei por uma loja de utensílios domésticos e comprei uma tampa de privada, pois a tampa da minha quebrou. Saí com a novinha pelas ruas até chegar a minha casa. Lá não vi mais a minha amada esposa minha querida Cindy que deve ter sumido na braquiária e escafedeu-se de vez pra sempre. E agora José, em boa hora sei que você se chama Paulo Expedito Rodarte de Abreu, doutor Rodarte como o chamam aqui na nossa Lavras. Antes pensava ter achado na minha Cinderela, Cindinha ou Cindy como prefiro, que ela fosse a tampa da minha panela. Agora que tive de trocar a tampa da minha privada pois a velha estava rachada. E acabei de colocar a nova tampa no meu vaso sanitário. Acho que vou ter de procurar outra tampa para tapar a boca da minha panela”.
Despedi-me do amigo velho o velho Zé Antonho com essa nova definição do que seja uma boa tampa de panela.
Quando a gente fica velho e nossa mulher esposa velha e rabugenta não nos quer mais o que fazer então?
A minha sugestão é não nos sujeitarmos a ela e sim trocá-la por uma tampa de privada mais novinha como fiz no dia de ontem.