Quem ainda no pé de um despenhadeiro, sozinho a observar tamanha beleza, naquele lugar ermo onde o verdume da paisagem domina nossos olhos embevecidos, de repente soltou um grito agudo e ouviu, não se sabe donde a sua voz reverberada do outro lado gritando mais alto ainda.
Trata-se de uma sensação inigualável escutar a sua voz em duplicata vindo da boca de ninguém. Já que nenhuma pessoa se deixa ver do outro lado da montanha.
Eco da no mesmo que repetir-se algumas vezes o som de sua boca voltando de algum lugar seja distante ou mais perto. Trata-se de um fenômeno acústico qual seja a repetição de um som. No sentido figurado diz aceitação de uma idéia ou repercussão de uma noticia.
Essa palavrinha vem do grego (oikos) que indica casa, ambiente ou lar, frequentemente usado para indicar sustentabilidade tenham como exemplos: ecológico ecoturismo.
De cerca de vinte e seis anos pra cá tomei gosto pelas palavras e de então comecei a escrever.
Na escola já gostava de uma matéria chamada português. Aprendi a soletrar o baba já no jardim da infância. Continuei meu aprendizado caindo mais de amores pelo nosso idioma em tempos idos tão maltratado e injuriado. Sempre tive pela Última Flor do Lácio Inculta e Bela o maior apreço. Livros pra mim não digam que eles custam caro e seus preços são abusivos.
Quando lanço um livro de minha autoria cada um custa pra mim uma importância de não mais nem menos cinquenta reais. Esse que vai chegar de Curitiba na quarta feira próxima, encomendei duzentos exemplares apenas para não os ter encalhados na minha estante no meu consultório aqueles que não consegui passá-los adiante.
Tem gente que acha caro comprar um bom livro por cinquenta reais. Livros impressos não são defecados numa latrina no dia seguinte como certas comidas e bebidas exemplifico: beber uma kaiser quente mal acompanhada de uma porção de torresmo duro e batatinha frita que se desmancha na boca de tanta gordura que ela foi frita e o consumidor paga mais de cem reais e se diz contente. E quando se compra um livro de bom conteúdo ele fica para sempre e te ajuda a entender mais da vida e te faz mais ilustrado.
Desde o passamento do meu saudoso pai comecei a escrever mais e mais e aí não parei mais.
Desde essa data triste contabilizo mais de vinte e uma mil crônicas.
Já deixei publicados vinte e quatro livros entre coletâneas de crônicas e cerca de cinco romances beirando o sexto de nome Ucrânia que espero terminá-lo ao final desse ano se não morrer antes.
Nos dias de agora tenho a Urologia como esposa. E se me perguntarem o que sinto pela literatura qual vai ser a minha resposta: “hoje tenho a Urologia como minha estimada esposa.
Já a literatura a tenho como amante que só me da despesa, mas a amo acima de qualquer coisa.
Escrever pra mim é uma catarse uma libertação de emoções reprimidas, resultando um alivio psicológico ou purificação espiritual. É uma descarga de sentimentos intensos promovendo purgação emocional e renovação interior.
Ai o que seria de mim se não soubesse e não gostasse de escrever. Um médico de agenda vazia e cheinho de frustrações. Que aqui chega em plena madrugada ávido por deixar escrito uma ou mais crônicas que meu cotidiano dita. Um senhor bem rodado em anos que não pensou ainda em se aposentar da medicina e jamais de pensar em ser escritor.
Como amo escrever e, depois de um texto pronto ler em voz alta a algum interessado. Assim tento corrigir os meus senões e aprimorar meus escritos.
Dói-me por dentro não ter interessados em me ouvir. Não ter pessoas com quem confiar e repartir meus textos e degustarem-nos como se aprecia comer um bom prato de comida.
Amaria viver num mundo diferente. Em que em cada cidade abrissem mais casas livreiras que farmácias e supermercados. Viver e conviver num país em que se encontrassem bibliotecas em cada esquina e ali pessoas jovens, idosos vetustos, criancinhas inocentes fossem vistas lendo algum livro que neles despertassem interesse.
Pena que não encontro muitos parceiros a repartirem comigo esse meu prazer de ler e escrever.
Quando tento ler uma ou outra das minhas crônicas do outro lado não ouço o eco da minha voz.
Sinto-me como uma voz sem eco, sem a resposta esperada a esse meu prazer de deixar escritos bem guardados nesse meu computador que da ouvidos aos meus dedos digitadores.
Quem sabe um dia, antes da minha partida ao infinito, alguma criança, seja menino ou menina, lendo um ou outro dos meus escritos minha voz encontre eco entre eles.