Se eu pudesse dizer a ela…

Quantas palavras carinhosas teria dito.

Quantos abraços apertados teria lhe dado.

Já se foi tanto tempo que Ela se despediu da gente sem que nós, seus filhos e aparentados, incontáveis pessoas que tiveram a felicidade de serem brindados com seu sorriso doce, pudéssemos dizer com o peito lotado de sentimentos os mais distintos, minha querida mãezinha dona Rute, por que a senhora nos deixou chorosos a sua perda. Bem que uma pessoa de alma tão boa, mãe extremada, esposa dedicada que não mediu esforços na enfermidade do meu pai que lhe dava tanto trabalho e a senhora não se furtava a ajudá-lo nos derradeiros anos quando  ele morreu três anos antes da senhora.

Seu eu pudesse lhe dizer, agora, nesse dias das mães que não mais a tenho ao meu lado.  Como sinto falta das nossas idas a rocinha da Cachoeira, município de Perdões cidade vizinha onde a senhora nasceu.  Quando íamos caminhando a uma distância pra mim hoje pequenina, àquela fazendinha onde moravam minhas tias avós Mariana, tia Leonor e o não menos saudoso tio Júlio aquele senhor de sorriso fácil com quem aprendi que vaca não da leite e sim tem de tirar.

Se eu pudesse hoje, no dia de todas as mães não somente da senhora, que saudades eu tenho daquela casa tão linda onde a gente morava que nos dias de agora só restam lembranças do quão prazeroso era eu e meu irmão e minha irmãzinha Rosinha tínhamos a ventura de tê-la ao nosso lado.  E, nas refeições naquela mesa feita em azulejos coloridos comíamos aquela comidinha gostosa que a senhora fazia com inominável prazer.

Pena que agora todas as palavras que gostaria de dizer a você, permita-me chamá-la desse jeito, não considere falta de respeito pois pra com a senhora sempre tive muito. Palavras de amor ficam grudadas na minha garganta quase me sufocando pela falta que sentimos da senhora eu e meu irmão e minha querida Rosinha que sempre fala de vocês, nossos pais, com uma montanha de saudade misturada de amor.

Se eu pudesse hoje, nesse dia dez de maio, dizer ou deixar escrito a senhora uma crônica que por  acaso de um descaso pudesse ler junto a senhora na intenção que sua pessoa,  que já foi professora me ajudasse a corrigir os senões desse meu escrito. Com que gáudio o faria,  com que prazer imenso voltaria a dizer-lhe o quanto sinto falta dos seus carinhos e até mesmo dos castiguinhos que eu menino era posto de costas pra televisão sem poder assistir aos desenhos animados de antão tanto do tio Patinhas ou do Pluto e da Minie ou até mesmo do Super Homem que voava aos céus onde a senhora mora agora.

Se pudesse de novo, já como médico formado, naquele dia fatídico quando a levei bastante debilitada a Santa Casa, vendo a senhora arfando de cansaço, com seu coração tiquetaqueando bem baixinho. E já no centro  cirúrgico desse hospital assistir impassível minha querida mãe Rute ir avoando aos céus para se juntar ao meu pai naquele espaço onde nos encontraremos nalgum dia.

Se eu pudesse retardar a sua morte um cadinho que fosse para que a senhora pudesse estar presente quando do lançamento de meu mais novo livro O Canto das Cigarras aí pertinho de onde a senhora morava no bar desse clube vizinho ao hospital Vaz Monteiro. Como me recordo saudoso daquele dia quando de outro lançamento num restaurante naquele espaço onde hoje existe uma farmácia onde um vasto estacionamento permite aos fregueses estacionarem os autos. E a senhora comprava cinco ou mais livros para que meu prejuízo não fosse tanto maior.

Seu eu pudesse minha amada e saudosa mãe dizer a senhora, de joelhos postados no chão, se preciso fosse: “ meu bom Deus me permita por favor, avoando não em asas como as de Ícaro, que se estatelou no chão por serem de cera e se derreteram no calor dos raios do sol.  E sim em asas fortes o bastante para me deixarem onde a senhora está nesse seu dia e de outras mães. Para poder dizer-lhe ou deixar uma cartinha em suas mãos onde me sentia seguro quando perto de onde estava a minha espera em casa dizendo-me: “Paulinho, não se atrase muito pois sempre me preocupei com sua ausência quando ela tarda mais que o previsto”.

Minha querida, saudosa, muito amada dona Rute.

Se eu pudesse dizer a senhora não seria nessa hora e sim em incontáveis outras.

Nesse dia das mães não a tenho mais presente naquela mesa azulejada de nossa casa a Rua Costa Pereira 152.

Mas tenha certeza que a sua lembrança não vai ser esquecida nunca mais.

 

 

 

 

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