Já na estação rodoviária dona Maria se despedia chorosa do seu amado filho Julinho.
Ela e ele não se desgrudavam, amavam-se ao extremismo, quando um sofria dores em qualquer parte do corpo a mesma dor incomodava tanto a mãe quanto seu filho único.
Foi numa sexta feira que aconteceu o infausto ocorrido.
Quando o menino Julinho chegou da escola atrasado, mostrando na cara um ar de cansaço, a mãe zelosa logo percebeu que alguma coisa não ia bem. Ela conhecia cada palmo do seu querido filho. Por ser sempre ela a dar banho nelezinho sabia, em detalhes mínimos se aquela marquinha, de nascimento morava no mesmo lugar. Se aquela verrugazinha no seu pescoço havia desaparecido a amorosa dona Maria se preocupava ao tentar saber a razão. Muitas vezes desprovida de razão.
O motivo de Julinho ter chegado atrasado saltava aos olhos. As más companhias que ele andava injetaram em seu bracinho magricela uma injeção de alguma substância desconhecida que certamente era uma droga nociva a exemplo de cocaína ou símile. Com o tempo aquele bom menino se tornou um viciado. Daí a razão de sua mudança de cidade e de sua despedida na rodoviária naquela sexta feira onde sua mãe chorava copiosamente de saudades antecipadas de seu filho amado.
Um dia depois Julinho chegou ao seu destino. Era uma cidade distante de onde passou a infância feliz ao lado de sua mãezinha que tudo fazia por ele. Dona Maria não deixava nada faltar ao seu filho do coração. Fazia às vezes de pai e mãe. O pai de Julinho deixou a família em prantos quando se foi em companhia de outra mulher mais nova e bonita que sua velha esposa com quem se casou há uma penca de anos antes. E nunca mais deu noticias.
Ao chegar num quarto de hotel, ao abrir a mala, Julinho encontrou uma cartinha escrita de próprio punho por sua mãezinha dona Maria. Ela dizia assim: “meu amado filho. Não se esqueça de mim. Fui eu quem lhe troquei as fraldas quando você era um bebezinho chorão. Fui eu mesma quem lhe deu banho naquela banheirinha cor de rosa presente de sua tia. Não se esqueça de que fui eu mesma que, quando você chorava de noite eu não dormia um segundo sequer. Lembre-se sempre meu amado filho. Sem a sua mãezinha ao seu lado você não seria ninguém. Um zero a esquerda nem isso. Você se recorda daquela manhã chuvosa quando você saiu de casa em plena tempestade e eu fui atrás? Se não fosse eu com certeza você seria levado pela enxurrada e teria morrido afogado. Não se esqueça que fui eu quem o salvei. Agora você se foi a contragosto meu. Despedimo-nos ontem na rodoviária e como eu chorei e ainda choro. Não se esqueça de sua mãe meu filho ainda amado. Mais ainda que dantes por ti ainda choro. Se quiser voltar pra mim faça-o sem pensar duas vezes. Aqui te espero de braços abertos de saudades”.
Não sei se Julinho voltou, recuperado ou não do vício das drogas.
Eu voltaria logo. E não me esqueço da minha mãezinha dona Rute. Que nessa hora ora no céu por todos nós…