A hora e a vez do sogro

Foi-se o tempo, idos e não saudosos anos, de quando um rapazola, metido a conquistador.

De flerte com minha menina. Que pra mim ainda continua menina aos seus dezoito janeiros.

Sem me pedir permissão, nem me beijava a mão. E me chamava desreipeitosamente de sogrão.  O danadinho nunca comprou uma cervejinha sequer. E entrava na minha casa pela porta da frente sendo indiferente ao meu cãozinho de estimação. Que fugia pra rua e ele nem se lixava com a escapadela. E minha assustada garotinha, minha pequena jornalista que nunca vendeu um jornalzinho sequer. De mãos dadas com aquele mocinho ainda imberbe. Que só tempos depois vim a saber que ele tinha fimose.  E por isso sofria de ejaculação prematura.

A minha pequena jornalista batia as perninhas de volta pra rua indo atrás do cãozinho fujão. E meu pretendente a genro não fazia questão de nadica de nadinha. O tal abria a porta da geladeira. Empanturrava-se com todas as guloseimas que eu comprava a prestação numa vendinha que vendia fiado.

O tal candidato a genro dormia no meu sofá novinho. Sem se importar em tirar o par de tênis imundo já carecendo trocar por um mais novinho.

Anos se foram. Eu fiquei por aqui mesmo.

A minha pequena jornalista hoje se tornou mãe extremada de meus dois netinhos- Theo e Donzinho, agora já crescidinho igualzinho ao pai.

Aquele rapazola desavergonhado acabou criando juízo.

Fez-se cirurgião plástico dos melhores. Um dia ainda irei me plastificar com elezinho. Vou esticar minhas pelancas. Dar um jeitinho de diminuir minha papada. E por que não fazer uma operaçãozinha nas pálpebras caídas na intenção de enxergar melhor as lindas moçoilas que desfilam aos meus olhos quando corro na esteira pensando besteira na academia do LTC.

Agora, quase na aurora da minha vida. Vendo pelo retrovisor o que passou passou e o passarinho voltou o ninho.

Fiz promessa de dar o troco no meu genro doutor operador de milagres nas veias envelhecidas.

Não me queixo se ele vem aminha casa e assalta a geladeira. Ou se ele come todas as picanhas que comprei a prestação. Ou até mesmo se meu genro. Graças ao bom Deus me tornei sogro daquela gente boa e operosa.

Agora, em boa hora, os tempos mudaram. Passei a ser o sogrão que ele, meu genro, não sei se pediu a Deus ou se renega a minha pessoinha purinha como mel de assa-peixe.

Tenho ganhado de presentes do meu genrão muitas coisas boas. Na semana passada ele me deu um relógio de corrida Garmin. Velho e usado pra ele e novinho pra mim. Como não sei usar deixei o tal lá em casa. Trata-se de um aparelho fora de moda. Como se eu estivesse na moda.

Hoje,domingo, quinze de março, voltei a casa do meu genro. Filei um pratão de comida boa. Bebi todas as cervejas geladinhas na geladeira.

E, se não bastasse tamanha desfeita pedi a ele esse relógio aple watch semi novo que estou usando.

E inda assisti de camarote ele, meu genro Daniel Reis, filho da dona Rose e do Tom Hankes, configurar meu I phone onze com meu presente aceito de bom agrado.

Já foi a hora e a vez do genro. Agora é a vez do sogrão.

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