A bela Manuela e que virou Manezão

Para amar em tempos modernos é preciso cautela.

Não é como nos velhos tempos quando a mãe da mocinha. Ou a tia ou a avó. Já que o zeloso pai ia trabalhar até tarde da noite. O namorido entre a filha de quinze aninhos e o jovenzinho ainda imberbe. Que sonhava um dia se casar com uma moça virginal. Vestida de branco. De véu e grinalda. Entrando igreja adentro sempre atrasada. Com a cauda de seu maravilhoso e custoso vestido de noiva sendo levado pelos pajens. Crianças graciosas nunca filhas de um primeiro casamento que acabou pouco depois da lua de mel que logo se transformou em fel amargo.

E, naqueles velhos e verdes anos a noivinha ruborizada, ainda com o selo vaginal lacrado. Nunca dantes perfurado por um objeto não cortante e deveras ansiada à hora do primeiro coito. Quem em absoluto não se chamava desse jeito e sim uma relação sexual feita por amor. E bastava apenas ser mulher. Nunca seria uma mulher rodada. Não de saias rodadas e sim umazinha que já foi com o primeiro ou o derradeiro namorado namorar numa estrada vicinal e a relação aconteceu no banco de trás do carrinho semi novo dado pelo pai do rapazola. Que se masturbava pensando na fotografia da garota do tchã pelada na capa da revista Playboy. Mas infelizmente tinha, por pura ansiedade. Ejaculação prematura. Antes de começar já terminou.

Ai que saudades do namoro que acontecia no rela do jardim. Quando a quase menina. Pudica saía da missa das nove e meia. Deixava os pais de prosa com velhos amigos que não viam há mais e trintanos. E essa mesma criança, doce infância, corria solitária apressadinha a ver se aquele coleguinha. De olhinhos azuis da cor do céu. Cujo rapazola a ela lançava olhares melosos na sala de aula. E ela correspondia fazendo beicinho. E ainda usava um lacinho cor de rosa a ajeitar a belezura de seus cabelos feitos tranças. E elazinha não jogava a ele suas tranças como Rapunzel. Mas, à hora do recreio os dois se isolavam num lugarzinho reconditamente escondido pertinho do banheiro feminino. E no máximo acontecia um beijinho rápido como as asas frenéticas dos beija flores. E nada mais.

Ah! Que pena que os tempos saltitaram tanto. Dizem que a vida sem mudanças seria uma chatice só. Mas mudar pra pior nem pensar.

Agora, neste século onde homens se consorciam com os do mesmo sexo. Que olhar de esguelho em direção aos traseiros das mulheres virou crime de importunação sexual. Onde o simples passar a mão naquele lugar onde as moças guardam o celular sob o risco de serem afanadas naquela coisa que mais prezam e ficam prisioneiras neles quase o dia inteiro e metade da noite. Quando não dormem de olhos fechados sonhando com aquele namorado que as deixou por outra tida como a melhor amiga. No entanto elazinha se mostrou em verdade amiga da onça pintada. Não aquela personagem da linda novela da rede Globo reprisada recentemente.

E no primeiro contato entre macho e fêmea. Tenham cuidado para não encherem a mão de porre num bar ao conhecer a fulana de tal que parecia ser mulher, no entanto. Ao primeiro relar de mão boba estes mesmos cinco dedos encheram-se de vergonha pois. Ao invés de acharem uma fenda um mastro meio mole foi encontrado por debaixo da sainha justa. E que saia justa o macho passou. Até nos dias de hoje é motivo de chacota dos amigos. Pois aquela bela prenda. Prestes a ser levada para um matel. Já que faltava grana para irem a um motel de verdade. E o banco do carro já estava ocupado por outro casal de verdade.

E as tais redes sociais. Que tentam ajuntar casais. Em correspondências que dantes eram feitas em lindas cartas de amor. Que agora o correio não entrega mais. Que lindas eram elas. Apaixonadas e lindamente ilustradas com coraçõezinhos desenhados por baixo das páginas muitas delas escritas em folhas de cadernos pautados. Em letrinhas bem legíveis. Não como nós, médicos, nem os farmacêuticos entendem nossos garranchos.

E, nesta tentativa por vezes inglória de encontrarmos nossas caras metades. Ou as tampas que faltam em nossas panelas vazias.

Damos com o burro n´água fria. Melhor seria morna ou a temperatura agradável de outono.

Tenho um amigo do peito grande. Que, na infância, por ter nascido com dois peitinhos que, de tão crescidinhos tinha de usar soutien.

E o jovem mancebo. Cujo nome não declino por respeito a ele mesmo.

Já que somos amigos desde priscas eras. Quase dinossáuricas.

O qual, aos mais de trintanos permanecia a procura da tampa da sua panela de pressão.

E que caldeirão efervescente este meu amigo vivia. Se aquilo podia ser chamado de vida a minha é um mar de rosas sem espinhos.

Lá pelas tantas. Já tarde da noite. Faltava-lhe o sono.

Aquele, como os outros, foi um dia pesado. Bem mais que dois elefantes obesos sem se importarem com uma dieta para emagrecerem.

Foi por uma rede social de relacionamentos entre solteiros ou descasados que o começo se deu. Por sinal se deu muito mal.

Ele mandou sua fotografia sem foto shop como ele era na real.

E esperou ansiosamente a resposta de volta de uma tal linda Manuela que a ele encaminhou outra foto mais bela que a Paola de Oliveira desnuda desfilando como rainha da bateria de uma escola carioca neste último carnaval.

E os dois passaram a se corresponder não por cartas de amor e sim de uma maneira virtual.

Ao cabo de dois meses de missivas diárias eles combinaram um encontro cara na bunda da outra.

E com que alegria e emoção incontida esse encontro se deu.

Não foi num rela de jardim e sim num motel caríssimo e extremamente luxuoso. Cujo preço da hora chegava à estratosfera do absurdo.

Meu amigo chegou duas horas antes do encontro agendado.

Era um sábado. Se não me engando deste mês corrente. Não fazia frio nem calor de frigir ovos no asfalto quente ao lume do meio dia.

E o encontro tão esperado aconteceu.

Já na luxuosa suíte do motel. Logo à primeira vista meu amigo percebeu algo diferente em Manuela. Ela não usava salto alto e sim um par de tênis surrado número quarenta e quatro bico chato. E um shortinho agarrado na falta de bunda como perfeita é a da Paola Oliveira.

Mesmo assim ambos se despiram. Meu amigo na cama mesmo. Já a não tão bela Manuela, dizendo-se acanhada, pediu pra se despir no banheiro anexo.

Pasmem! Assim que a antes bela Manuela entrou no quarto nua em pelo. Tudo de fora. Até mesmo a vergonha. Meu amigo, assombrado pela assombração em que se transformou sua dama da noite. Nem pagou a conta e escafedeu-se cortininha afora.

A noite todas as gatas podem ser pardas. E homem virar mulher e vice verso.

Até hoje meu amigo foge como o diabo da cruz credo das redes sociais.

E eu  também.

 

 

 

 

Deixe uma resposta