Contam-se trezentos e sessenta e cinco dias um ano inteiro.
Doze meses somam-se desde janeiro a dezembro.
Já horas, minutos e segundos nem sei dizer quantos são perfazendo um ano inteiro.
Eu, desde que nasci em sete de dezembro de um mil novecentos e quarenta e nove, contabilizo setenta e seis.
Acredito que todos os dias do ano têm uma data comemorativa especial.
Primeiro de janeiro Confraternização Universal (ano novo). Vinte e sete de janeiro Dia Internacional em memória das vitimas do Holocausto. Oito de marco-dia das mulheres. Vinte e um de março dia internacional contra a discriminação social. Vinte e dois de marco dia da água. Sete de abril da saúde. Vinte e dois de abril da terra. Primeiro de maio do trabalhador. Doze de maio da enfermagem. Quinze de maio da família. Cinco de junho dia mundial do meio ambiente. Vinte de junho dia mundial do refugiado. Vinte e seis de junho dia internacional do combate as drogas. Trinta e junho dia internacional da amizade. Nove de agosto dia internacional dos povos indígenas. Oito de setembro dia internacional da alfabetização. Vinte e um de setembro da paz. Primeiro de outubro dia internacional das pessoas idosas. Cinco de outubro dos professores. Dezesseis de outubro da alimentação. Vinte e quatro de outubro das nações unidas. Vinte de novembro das crianças. Vinte e cinco de novembro dia internacional pela eliminação da violência contra as mulheres. Primeiro de dezembro dia mundial da luta contra a AIDS. Vinte e cindo de dezembro natal.
Nem a IA consegue guardar tantas datas a serem celebradas.
Nessa lista não constam dois dias pra mim e pros demais de muita importância: dezoito de outubro de nós outros que cuidamos da saúde de outrem esquecendo-nos de zelar pela própria.
E esse que cai justamente no dia de hoje- vinte e cinco de julho?
Que dia é esse que ensejou meu texto de agora?
Escrever pra quê?
Debruçar sobre um teclado de um computador alguns insanos que varam noites deixando sua inspiração fluir senão…
Dar-se muito bem com as palavras, unindo-as em suas letrinhas miudinhas, nós, mais velhos com nossas vistas fraquejando, com nossas corcundas recurvadas, tentando dizer algo usando as palavras, muitas delas sendo criadas novinhas como ousou fazer o grande Guimarães Rosa com seus neologismos criativos.
Pra que perder tempo com isso? No meu caso acordar bem cedinho importunando aquela que tenta dormir até mais tarde e não consegue, pois vê a luz acender no seu quarto. Que também pertence ao seu marido escritor?
Indago-me ainda, por que perder um precioso tempo quando deveria estar trabalhando mais. Já que aquele seu marido ainda é médico não aposentado embora já tenha passado a hora de isso acontecer?
De vez em sempre me pergunto. Pra que escrever tanto se poucos lêem livros físicos, aqueles lindos exemplares feitos em editoras que custam os olhos da cara para os pobres escritores desconhecidos, que por não serem conhecidos como tais seus livros encalham nas prateleiras e não são objeto de cobiça dos que se dizem leitores.
Que quando pessoas curiosas passarinham os olhos nas livrarias pescoçando aqui e acolá, dão de comer aos olhos nos livros de um tal Paulo Rodarte. E acabam perguntando a dona da tal loja onde livros são expostos aos olhos, se porventura de uma desventura ali não tem livros de outro Paulo, mais famoso de sobre Coelho?
Escrever tanto e bem, pra que se nesse nosso mal fardado país, poucos, uma minoria esmagadora tem o costume louvável de ler. E prefere ficar a frente da televisão pouco educativa assistindo comendo pipoca as telenovelas de uma rede de TV que tem a ousadia de mostrar, em horário dito nobre sandices indecentes como os tais big brothers, essa casa a qual dizem os imbecis ser a mais devassada de todo esse nosso mundo mais e mais imundo onde um belo par de seios e uma grande bunda tem mais valor que um cérebro pensante que serve de exemplo digno as futuras gerações.
Todas as datas dantes assinaladas são ou não lembradas por quem nela passou os olhos.
Salvo duas como deixei escrito num parágrafo superior.
O dia dos médicos- dezoito de outubro e o dia de hoje, vinte e cinco desse mês de julho dia dos escritores.
Mais uma vez recorri à inteligência que não é nossa e sim artificial e ela me ditou: escrever é dar voz ao que o coração sente e a boca não consegue dizer. Escrever é eternizar um instante que o tempo levaria. As palavras voam quando são ditas. Quando escritas, permanecem”.
Escrever, pra mim é mais que uma maneira de viver. É conviver o melhor que posso com as palavras. É dizer a elas o quanto as amo. E o quanto da-me pena não poder me juntar a elas a fim de formar uma frase, um verso quem sabe? Um romance então seria minha maior obra. Num meu romance me insiro como se fosse o protagonista principal. E me contento em ser até secundário. Escrever pra mim é tão fundamental quanto a água que borbulha dentro do meu aquário aos peixinhos que vivem dentro dele. É mais que uma obsessão, uma catarse.
Se me privassem de escrever, ah! Não sei o que seria de mim.
Uma pombinha branca se a tingissem de preto?
Uma florzinha, que seja amarela, roxa ou até mesmo branquinha, de uma velha árvore de ipê que caída ao chão vivinha ainda sem chance de ser de novo colada a sua árvore mãe?
Chega! Basta de hipotecar meu amor insano ao ato de escrever tanto.
Mas por favor, lhes peco, suplico-lhes de joelhos postados ao solo duro desta sala onde escrevo.
Posso morrer algum dia, qualquer que seja.
Mas desejo que não seja no dia de hoje.
Data essa que poucos conhecem.
Dia vinte de cinco desse mês de julho- dia do escritor.