Todo aquele que pretende se dar bem na vida são esses os conselhos que lhes passo adiante embora não seja eu exemplo que devem seguir já que eu, médico escritor que um dia tentou ser fazendeiro morando no asfalto sem saber as razões de o leite sair branquinho de uma vaca de cor escura. Ou até mesmo sem saber o por que de tanta porcariada que a porcada grunhe faminta prestes a morrerem no final de ano abatidos com uma punhalada certeira por baixo do sovaco que vara seus pobres coraçõezinhos que param de bater sem ao menos terem a chance de saber qual a dor maior. Se de um infarto ou quando perdemos o maior amor de nossas vidas.
Foi no dia de ontem, antes da hora do almoço, quando subi a rua em direção a pastelaria do meu amigo Edvar e sua dona mandona de nome me parece ser Maria.
Ambos não são de aqui nem moram nas suas cidades cujo nome é Oliveira.
Aqueles dois se juntaram a anos passados e agora formam um casal muito simpático.
Pessoas de riso fácil e fino trato.
Tenho os seus pastéis como os melhores de nossa cidade apesar de um dia, num passado remoto, nem me lembro de quando foi e se foi verdade ou mentira meu dito deixado escrito.
Encomendei ao amigo gordinho, que usa um chapeuzinho de padeiro quando ele nunca fez pão; pois só sabe fazer pastel. Um de queijo fresquinho como ele que nasceu numa cidade cuja água tem má fama de fazer os oliveirenses darem ré no quibe. Ou desmunhecarem em linguagem mais fácil de ser entendida. Pra não falar que todos nascidos em Oliveira são viados (viados ou veados?), ditos gays ou símiles, salvo honrosas exceções que não incluem ele e outros mais.
Quando veio esse pastel e o abri, com muita fome de comer pastel, de dentro dele assoprou uma ventania que mais me pareceu um vendaval. Queijo que é bom neca de pitibiriba, só saiu vento mesmo e uma mosca morta creio que ela morava na massa do pastel desde nascida.
Não acreditem na minha historinha pra fazer boi dormir.
Disse-me um grande amigo, o qual incluo entre os melhores, um médico como eu, e ainda por cima escritor de memórias que mora na sua linda São Lourenço, libanês de coração, quando leu meu romance de nome Rakel. Ao final da leitura me mandou uma mensagem dizendo ser eu bastante criativo e imaginoso.
Deixando de falar mal do pasteleiro Edvar e sua dona mandona dona Maria, que malha na mesma academia da minha esposa.
Ontem, assim que me enfarei de tanto comer pastel de queijo de verdade não falsificado como uma nota graúda de mil reais.
Na iminência de ir embora, pela porta aberta da pastelaria citada no parágrafo acima entrou um molequinho muito simpático.
Ele entrou rapidinho e se enfiou num cômodo pouco ventilado por detrás de onde fazem pastéis.
Fiquei de olho nelezinho curioso para descobrir quem era ele e o que tentava fazer ali.
Não notei que, por cima do balcão onde a gente come pastel e bebe um suco de cor amarela e outro de outra cor, que o tal rapazinho havia deixado um balainho cheinho de paçoquinhas.
O meninote permaneceu dentro do tal cômodo escuro fazendo anotações em papeizinhos.
Não deu pra ver quais seriam essas anotações. Notei que eram numerozinhos, muitos deles.
Ofereci um lanche ao menino, que não era de aqui e sim de Perdões terra de minha saudosa mãezinha.
Elezinho me agradeceu em voz muita baixa quase inaudível.
Somente mais tarde descobri aquilo que estava escrito naqueles papeizinhos.
Eram números, uma infinidade deles.
Acompanhei esse meninozinho de Perdoes até a rua naquele cruzamento muito movimentado na minha Lavras numa esquina onde tem um semáforo que obriga autos a pararem um cadinho.
O pequeno Davi, como soube ser seu nome, vendia suas paçoquinhas muito gostosinhas aos motoristas que paravam de vidros abertos naquele sinal luminoso.
A maioria agradecia e não comprava.
Já outros, caridosos e com pena do pequeno Davi, que no meu conceito vai ser um grande empresário vendedor de paçoquinhas e outras guloseimas mais.
Mais uma coisa percebi com meus olhos que bem enxergam a realidade nua e crua. E por vezes a distorço inventando coisas e loisas.
Davizinho, quando não recebia o pago de suas paçoquinhas em dinheiro vivo, cada uma custava um real.
Enfiava confiando os seus papeizinhos miudinhos pelo vidro dos carros parados no sinal luminoso.
Aqueles números todos eram as chaves do seu pix, qual seja seu CPF.
Por vezes os compradores de suas paçoquinhas faziam os pixes de somas maiores que um real. Outros não, esquecendo-se de pagar a importância devida.
O pequeno empresário, de nome Davi, me deu uma aula de como ganhar dinheiro mesmo na sua idade muito jovem ainda.
Esse menino, vendedor de paçoquinha vai longe com certeza. Como ele mesmo disse, quando a ele perguntei o que ele gostaria de ser num futuro distante ou pertinho de ontem.
“Não vou ser médico não como o senhor doutor Rodarte. Nem advogado ou até mesmo engenheiro e outras coisas mais. Serei um grande empresário no setor de vendas, pois não tenho vendas nos olhos como muitos por aí”.
Sei que talvez você. Davizinho, bom menino trabalhador de Perdões.
Talvez não tenha a chance de ler essa minha crônica de hoje cedo.
Ela escreve sobre você, meu querido amiguinho e de outros que fazem das suas paçoquinhas o seu louvável ganha pão.
Tão difícil de ganhar em nosso amado país, de nome que deixo escrito em maiúsculo de nome BRASIL.