Qual o sentido da vida?

De outra maneira intitulo: “pra que ou por que viver”?
Tudo vale a pena e pra mim compensa dar anos aos anos.
Certo que dar adeus a vida um dia acontece…
Que seja de repente, não mais que noutra repetição, devagarinho como um lindo carro de boi puxado por juntas de bois parrudos, cujos nomes já me foram ditos por aquele senhor amigo deles todos. Um senhor bem velhinho, corcundinha dobrada fazendo-o olhar não adiante e sim de olhinhos baixos a olharem a terra ressequida onde seu carro de boi passa fazendo poeira e com aquele barulhinho típico “nhecccnhecccnheccc.” Aquele som mavioso que encanta não apenas quem mora na roça e outros urbanos como eu.
A vida perde pra mim o sentido se um dia perder a inspiração.
Se minha saúde ficar à deriva como um navio que, ao singrar as águas de um mar revolto, em águas rasas ali ficar encalhado num banco de areia.
E mais uma vez deixo escrito pra que leiam vocês, a vida no meu entender acaba. Não com minha permissão. Já que me tenho como um ser que vive e ama totalmente, sem sequer pensar em viver noutra galáxia distante. Pois aqui, nesse planeta ao mesmo tempo tão lindo e infelizmente querem fazê-lo em escombros, ruínas, um monte de terra ressequida, árida perdida como um lago seco perdido no meio do nada.
Outros pensam na vida como um dia nascermos. Noutros tantos crescemos. Na juventude, pra mim verdes anos soa melhor. Tomamo-mo-nos de responsabilidades já na fase adulta. Unirmo-nos a outra pessoa idealmente de outro sexo. Envelhecer é inevitável assim como sentir dor torna-se pra mim uma opção. E enfim morrer fechando os olhos e ver finarem os batimentos do coração.
Mas passar por tudo isso, pra quê, viver nesse mundão tão díspare em nosso país continental. Dantes tido como pátria de chuteiras e depois dessa copa quando dentro de nós apenas resta desilusão por termos sido derrotados prematuramente quando essa derrota fragorosa nunca se deu como agora.
Viver sem deixar como legado, não uma soma vultosa de dinheiro, mansões paradisíacas a beira do oceano onde quase nunca nelas adentramos. Contas gigantes nos bancos suíços em dólares, que sejam em euros ou em libras. Mais uma vez pergunto já que penso que avós fazem muito, pais aumentam a fortuna e filhos desafortunados jogam tudo pelo ralo como fezes soltas na privada.
Eu tenho tentado deixar como legado aos que me sucederem mais que dinheiro, que quase não me sobra. Casas que um dia construí e já foram passadas aos meus filhos que graças ao bom paizinho do céu não mais precisam de mim. E que deixarão aos meus netos amados.
Deixarei como herança aqueles que apreciam o que escrevo. Minhas mais de vinte mil crônicas, meus romances que hoje somam a cinco e em breve espero somarem a seis; com esse de nome Ucrânia que tento culminar antes que esse ano termine. Deixarei ainda meus bons dias andando nas ruas como sempre faço e não me desfaço de continuar andando. Tentando ser um vendedor de sorrisos fazendo graça aos que comigo se cruzam pelas ruas. Fazendo do meu bom humor costumeiro uma forma de desencalhar a tristeza dos que se sentem tristes. Contaminando aqueles que não caminham mostrando a eles os calos nos meus sofredores dois pezinhos. Rindo não de mim e sim sorrindo para os outros que passam por mim e nem me olham.
Já esse meu legado maior que da sentido ao meu viver lhes conto o sucedido que deveras aconteceu ontem e um dia antes de ontem.
Sempre daqui saio contrafeito na tarde por volta das quinze horas.
Despeço-me da minha querida Zaninha, não somente meu braço direito e também o esquerdo. Dou adeus aos meus peixinhos aquarianos. E retorno ao meu apartamento bem próximo.
Dependuro essa roupa que estou vestindo e invisto na minha saúde indo à academia.
Não a de letras pois já exercitei minha outra face de escritor aqui na minha oficina de trabalho.
Vestido sumariamente na minha vestimenta fitness, de foninho de ouvido plugado no Spotify, ouvindo as melosas melodias de Roberta Miranda, daquela cantora sertaneja de voz possante; como amo a Simone pena que ela não me corresponda.
Chego ao Lavras Tênis Clube em menos de dez minutos isso quando não me param pelo trajeto.
Um dia antes de ontem, a minha saída pela porta lateral, de foninho de ouvido ligado. Ouvi pelos meus dois ouvidos escutadores duas lindas meninas em disparada correndo até onde estava.
Elas duas estavam alvoroçadas gesticulando com seus shortinhos curtinhos e suas camisetas de cores brancas me pedindo para fazer uma breve reportagem comigo. As duas disseram ser minhas fanzocas de carteirinha do LTC. Pena que pouco durou nosso curto entrevero.
Voltei a caminhar sem pressa a chegar onde moro.
Pensando na beleza e na pureza das duas ainda crianças.
Ontem, de tarde se deu quase o mesmo.
Entrava pela portaria do mesmo clube.
Após fazer minha identificação facial entrei.
Um rapazinho lourinho, que acredito ter seus doze aninhos, desconheço seu nomezinho.
Abordou-me meio exaltado querendo fazer uma fotografia ao meu lado.
“Doutor Paulo Rodarte. O senhor não tem vindo a esse clube não? Meus amigos e eu sentimos sua falta. E o senhor tem feito falta aqui. O senhor é famoso sabia? Não somente como médico como na sua arte de escrever muito bem. A gente sabe que vai lançar mais um livro nessa sexta feira na livraria linda de nome Nobel. Com certeza iremos lá te prestigiar”.
Quase perdi o resto de fôlego que não tinha. Fui à academia, corri uns poucos quilômetros na esteira, exercitei-me um cadinho nos ferros leves pensando no sentido da vida.
Pra que vivemos, uns mais outros menos?
Simplesmente para nascer e morrer?
Atravessar tamanhas atribulações?
Perder, na juventude ou na decrepitude a saúde e mofar numa cama de hospital a espera do momento final?
Pra mim não…
O que da sentido a minha vida não apenas considero meu talento de escritor e minha formação na medicina.
Voltando os pensamentos aos meninos e meninas lindas e lindos eles.
Quando disseram ser meus fãs e me terem como exemplo em suas vidas futuras.
Defino com uma só palavra: RECONHECIMENTO.
Em vida ainda melhor. Pois quando morto não irei escutar.

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