Como o amor tem evoluído através dos tempos.
Dantes, no meu tempo de juventude, antes de ser maior de idade. A gente amava aquela coleguinha do lado. Aquela garotinha recatadinha, novinha como um botão de rosa sem ainda se deixar ver numa rosa formosa de que cor se colorir. Umazinha menina pudica, sardentinha e de sorriso doce meio encoberto por um aparelho que tenta corrigir um defeito de dentição. Que só de olhar pra ela elazinha se ruborizava todinha ficando da cor de um tomate bem maduro. Com a qual sonhava namorar, mas ela não me dava bola sim se arreganhava toda por outro colega capitão do time de futebol da nossa escola. Que deveras era bom de bola e se gabava de conquistar todas as moçoilas casadoiras que fossem nossas colegas ou não.
Bons tempos idos aqueles. Pena que mesmo se eu quisesse e meus devaneios me levassem em sonhos, não tenho a ventura de voltar aqueles verdes anos. Já que na idade em que me encontro agora fazendo as contas, setenta e seis menos quinze perfazem quanto? Minha calculadora mostra sessenta e um.
Voltando alguns anos antes. Estamos em meados de julho de um mil e vinte mais seis.
Em consulta a sabichona IA, coisa maravilhosa que aprendi a consultar, ela respondeu a minha pergunta que foi essa: “IA? Quando foi dado a gente o gáudio de termos em mãos o celular”?
IA me respondeu numa linguagem escrita assim: “o celular foi desenvolvido ao longo dos anos, mas alguns marcos importantes são: 1973 o engenheiro Martin Cooper, da Motorola , fez a primeira ligação de um telefone celular portátil. Esse é o nascimento do primeiro celular”.
Em 1983 foi lançado o primeiro celular comercial, o Motorola Dyna TAC 8000X. Era grande e pesava cerca de 800 gramos. E sua bateria permitia trinta minutos de conversa. Na década de 1990 os celulares foram ficando menores, mais acessíveis e se popularizaram. Em 2007 foi lançado o primeiro iPhone marcando o início dos smartphones os quais têm evoluído a cada ano sendo criado mais um a preços que quase nenhum de nós, brasileiros podemos pagar.
Desde o advento desses aparelhinhos que ninguém, em saúde perfeita, fica sem, o amor tem mudado de maravilhoso para essa coisa que a mim causa desgosto me fazendo lembrar daquela sopa de repolho misturada à jiló, que minha santinha avozinha fazia quando minha mãe me punha de castigo por um ato falho antes de elazinha falecer.
Que saudade dos velhos anos, quando eu, não tão velho ainda, embora, quando me olho no espelho, quase não mais tenho esse costume. E ele reflete a minha imagem de um ancião ainda não recurvo sobre minha coluna ereta. E ele mostra meus ralos cabelos tintos em neve. Meu sorriso sem abrir a boca senão minha dentadura cai. E nele me vejo com um olhar fatigado de um idoso ainda não aposentado, mas deveria. Tenho vontade de esmurrar a cara espelhada desse espelho alcagueta e parti-lo em caquinhos impossíveis de serem colados.
Aquele amor que era doce azedou-se no passarinhar dos anos.
Não mais andamos, eu e elzinha, no rela do jardim. E quando nos cruzávamos em nossas andanças matinais dominicais flertávamos olho no olho dela e ela ficava vermelhinha quando na mãozinha lisinha delazinha, sem querer querendo muito no seu corpinho macio tocávamos.
E nem de longe nela pensávamos uma vez no banheiro, mentira, às escondidas, passando os olhos na revista de nome Playboy, com a linda e apetitosa imagem daquela não mais menina, já mocinha não tanto pudica. Íamos às nuvens e aterrissávamos à terra nua e crua em repetidos orgasmos.
E como o amor tem mudado de ontem a agora.
Amores existem aos milhares.
Amor filial de mãe pra filho e vice e versa.
Amor de padaria ao qual nomeio de amor pãotônico.
Amor que se confunde à paixão. Não tenham a ilusão de mergulhar de cabeça nele, pois se a piscina for rasa demais pode quebrar o pescoço e passar o resto de sua vida sem poder caminhar pelas próprias pernas.
Mas, não tenham dúvidas que amor é, indubitavelmente um sentimento maior que pode inclusive matar um dos dois quando de um lado uma ou um sente essa coisa que nasce entre duas pessoas, sejam de sexo oposto ou até mesmo igual.
Amor desvairado e raivoso, a palavra que melhor define se chama ciúme. Pode sufocar incluso matar.
Pena que amor tem mudado tanto.
Aquela troca de olhares entre duas pessoinhas, jovenzinhas, imaturas, que sonham um com a outra. Aquela troca de presentes em datas quaisqueres. Aquele beijinho ingênuo que deveria ser na bochecha e resvala na boca abatonzada. Que coisa mais que boa a gente teve e jamais esquece.
Os tempos andam mudados. Quando deveria chover a seca impera.
No momento que deveria fazer frio esquenta.
Tenho visto, nas minhas andanças costumeiras pelas ruas e avenidas.
Jovens, crianças, velhos e suas velhinhas que não mais assopram velinhas com medo de incendiar a casa. De cabeças baixas alheios ao que se passa no entorno. Olhando nos seus celulares indiferentes aos carros que passam e até mesmo ao despetalar das flores dos ipês.
Jovens mocinhos, velhos como eu ainda não caducos, se amam de verdade.
Não mais escrevem cartas de amor. Nem usam essa palavra linda de uma doçura sem igual.
Apenas ficam trocando WhatsApps sem ao menos se verem olho no olho. Mão na noutra mão. Lábios se tocarem num longo ou curto beijo de amor…