Senti-me um ETEZÃO bem velhinho

Quem ainda não se olhou no espelho, no alvorecer dos seus alvoreceres.
Numa idade bem distante da mocidade. Da infância então nem se contam os anos perdidos em incontáveis desenganos. Num relance igualzinho ao farfalhar de asas de um beija flor avoando de flor em flor. E, naquela hora tardia, de repente ao espelho perguntou desassossegadamente: “espelho espia eu e todos que te olham na cara espelhada. Existe pessoinha mais idiota e velhinha que nem eu? Quantos anus você me da”?
O mesmo espelho abelhudo e enxerido, que de bobo ou tolo nada tem. Respondeu na horinha mesmo sem pensar milhares de vezes: “em primeiro lugar seu besta! Em segundos lhe digo. Anos eu tenho muitos, bem mais que você sua égua charreteira e empacadeira. Agora anus com u tenho apenas um. E não vai ser você seu bonachão mais que bobalhão que vai enfiar seu dedão no meu rabicó pois ele não é jiló, muito menos fiofó pois meu anus é lugar não de alugar pra qualquer inquilino, ainda mais seu dedão de tamanhão bem maior que do último urologista que se meteu a engraçadinho enfiando o que não devia naquele local indevido por que mora dentro de minhas nádegas roliças as quais só minha mãezinha hoje ausente passava talquinho pra ela cheirar melhor.
Eu já me senti o derradeiro dos homens quando ela me olhou enfezada ameaçando me denunciar por importunação sexual indevida quando eu passei, sem querer desejando muito, passei minha mão nada boba no seu traseiro arrebitado que me lembrou, naquela hora ingrata, aquela de uma tanajura bunduda e cabeluda.
Já me senti muito mesmo mal quando, dentro daquele hospital, pela primeira vez tendo de operar uma próstata gigante de um paciente impaciente que, se a operação corresse mal ele prometeu me processar, não por negligência já que não podia. E sim por uma singela razãozinha. Havíamos combinado um preço baratinho. Pago em suaves prestações. E como ele morreu no pós operatório tardio. Cinquenta anos depois e eu não pude cobrar a tempo hábil. Pois já de muito havia sido enterrado num cemitério e ele no outro. A conta não chegou há tempo já que eu, numa cova e ele, pão duro noutro cemitério distante. As nossas mãos não se tocaram e no céu, ou no inferno, o capeta chefe não deixa cobrar contas em atraso.
Mas isso de me sentir um extraterrestre mais feio que eu já sou, o ET de Varginha pra mim não passa de pura baleia gorda melhor dizendo pura balela.
Agorinha há pouquinho, no supermercado fazendo umas comprinhas para passar a semana não faminto como de costume mal acostumado.
Com o carrinho lotado de mercadorias. Perdido naqueles corredores lotados de gente apressada para chegar a casa antes de o sol dormir em boa companhia da lua e as estrelas.
Dois menininhos, dos mais espertinhos que já vi, noves fora os meus três netinhos, acompanhados pela vovozinha, a qual não vi naquela hora.
Para puxar prosa, como amo prosear com crianças.
Primeiro falei ao menino mais velhinho bem acompanhado por uma menininha que presumi ser sua irmãzinha.
“O que ocê quer ser quando crescer? Grande só não vale”.
E ele me respondeu, em coro com sua adorável irmãzinha: “queremos ser médicos”.
E eu voltei a perguntar: “apenas isso? Médicos e o que mais”?
Nesse ínterim me apresentei pelo meu site paulorodarte.com.
O qual mostrava que eu era médico e mais alguma coisinha ( entre parêntesis escritor).
O esperto menino me olhou com um olhar misturado de assombro e admiração como se eu fosse uma lenda viva, um fóssil em extinção ou um Etezão dinossáurico congelado em meio às águas geladas do lago Baikal na Sibéria.
Nunca me senti tão sentido. E quando mostrei ao menino meu mais novo livro O Canto das Cigarras, então, acabei desfalecendo de pura emoção…

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