Não confundam joelho de porco com a porcaria que fazem os suínos.
Schweinshaxe quer dizer joelho de porco em alemão. Que prato gostoso comi em Berlim. Naquele calorão, em pleno verão, num restaurantezinho sem muitos predicados. Assentado sem muito conforto e nenhuma pressa. Abri minha boca e saboreei aquele prato típico. Bem acompanhado de um shop ao ponto. E a conta não foi tão salgada como a água do mar.
Da mesma maneira não confundam equoterapia com a palavra do título acima.
Cheguei inda agorinha da minha rocinha na zona rural de Ijaci.
Fiz-me acompanhar do meu amigo Marcelo. Nascido e crescido pros lados na divisa da minha cerca com o senhor Nicanor.
Marcelo é bom cavaleiro. Um fidalgo cavalheiro segundo me disse ao pé do ouvido sua digníssima esposa Rose.
Ele é amigo por inteiro. Não consegui, até hoje, fatiá-lo pela metade. A dona Rose iria me matar e esquartejar se o fizesse.
A nossa intenção primeira era visitar o meu amigo Roberto. Que se mudou das minhas bandas há alguns dias apenas. Gente boa, honesto e confiável.
Nossa éguaterapia começou pela Volta do Brejo e Córrego do Paiol. Eu montado na minha égua Felicidade. Ele tentando se equilibrar num cavalinho pampa de posse da minha esposa. Outra Rose, só que Rosemirian.
Eu na frente alternando as posições com o cavalinho montado pelo Marcelo.
Ele abria as porteiras e eu as deixava abertas.
Que vista deslumbrante se deslumbrava aos nossos olhos de riba dos cavalos.
O nosso égua tour foi passando. Com o Marcelo como guia turístico. Admirando as vacas com seus bois na fazenda do Onofrinho. Passeando pelas chácaras de gente de aqui de Lavras e Ijaci. Num sobe e desce interminável.
Até chegarmos ao sítio do Roberto, também conhecido por Betão. Que casa bonita, que gente mais bonita e acolhedora nos recebeu de tronqueiras abertas; abestado fiquei eu.
De lá saímos, na companhia agradável do primeiro neto do supracitado Betão, em direção ao Barreiro. Não sei se o de cima o ou de baixo. Andando léguas na fazendona dos filhos do falecido Pé.
Num ribeirãozinho de águas serelepes demos de beber aos equinos. Bom saber que cavalo só bebe água pura e limpa. Eu não bebi para não sujar a água.
Já estávamos quase chegando a minha rocinha onde os cavalos pastejam sossegados.
Deixamos as selas e mantas dentro da casa amarelazul. Cenário do meu romance Madest.
Levava nos ombros, dentro do meu alforje. Vestido ao bom caráter dos pampas gaúchos com minha bombacha e bota de cano alto. Usando um lenço vermelho no pescoço grosso preso por um anel com a bandeira do Rio Grande como insígnia.
Tínhamos a intenção dupla. Não nós dois e apenas eu. De passar pela fazenda do Zé Peleja para vender a ele meu romance Rakel e, ainda de quebra propor ao Zé que comprasse a minha rocinha prejuizenta. O calor mugia e as montarias estavam cansadas.
Voltamos na minha caminhonete pela estrada de Ijaci. Dobrei a esquerda e dei na casa do Zé Peleja. Parece que ele já me esperava junto a porteira com sua mulher, seu filhote Zé Pelejinha e sua namoradinha.
Não deu negócio; tanto na minha intenção de passar Rakel nos cobres nem mesmo de tentar vender a ele minha rocinha.
Eita Zé Peleja agarrado! Dizem por ali que ele não abre a mão nem para dar bom dia ou boa tarde.
Desisti de fazer negócio com o Zé Peleja. Pelejei umas dez vezes e nada.
E pus minha caminhoneta para andar rumo à Ijaci.
Foi a melhor éguaterapia que já fiz.
Recomendo a vocês. Não faz negócio com o Zé.
Obrigado Marcelo da dona Rose.
Prometo nunca mais chamar você de filho do Nicanor.