Não me levem a sério

Como um sorriso faz bem a gente.

Mau humor, raiva, levar a vida em nuvens cinzentas só traz más consequências.

Nada como viver distribuindo afeto e bons dias a esmo. Mesmo que do outro lado não digam bons dias. Olhar a vida sob uma vidraça limpinha de alegria não apenas aquece o nosso âmago como faz bem a saúde.

A vida é por demais complicada para não tentar, pelo menos, atenuar nossas amarguras.

Aperte as mãos. Sorria mesmo se não tiver vontade.  Cumprimente os outros mesmo que sejam desconhecidos. Não se avexe se do outro lado pensarem que és louco à mercê de uma insanidade qualquer.

Não tenhas receio de demonstrar amizade. Mesmo que elas não sejam verdadeiras faça de conta que são. Em sã consciência irão pensar que és insano. Maluco beleza já cantaram em verso e prosa. Bem dita louquice nesse mundo em que muitos pensam que são normais. Mas eu considero que a linha divisória entre a sanidade e a loucura tem a espessura de um fio de cabelo bem fininho. E a envergadura de um braço de anão estendido em direção ao outro.

Não deixem que o levem a sério nesse mundo tão carente de felicidade.  Pilheriar faz falta. Abraçar mais ainda. Sorrir, então, tem a competência de tentar afastar a tristeza. Com a mesma ligeireza das pernas das seriemas que correm pela pastaria sempre em casal.

Pra quê ajuntar desafetos? Bem melhor colecionar afeto. Amizade, companheirismo e solidariedade.

Não vivemos isolados numa ilha deserta. E sim num aglomerado ruidoso de pessoas algumas desconhecidas. Então, por que não nos darmos as mãos? Estreitar laços de amizade? Ressentimentos fazem mal ao fígado. Nunca se viu tantas farmácias e pessoas se automedicando. Tomam-se remédios como se aprecia um bom prato de comida.

Eu mesmo não me levo a sério. Brinco quando tentam falar sandices aos meus ouvidos. Finjo-me de surdo mudo quando pressinto que a prosa não me diz respeito. Mas respeito os de mais idade, pois são iguais a mim.

Tento não levar a sério quando o assunto versa sobre política. Ainda mais nesses tempos obtusos e obscuros quando julgadores tentam julgar um ex presidente por um crime a ele imputado. Assuntos como esses prefiro não meter o bedelho. Melhor não me intrometer.

Não me levo na seriedade quando falam mal de terceiros. Em terreiro alheio melhor me alienar.

Brinco, pilherio, faço troça quando a prosa engrossa. Não entro em briga, pois sei que irei apanhar.

Não levo na devida seriedade quando a mim tentam incutir dogmas e religiões. Tenho as minhas crenças evitando desavenças.  Melhor viver em paz.

Se tentam me fazer pensar que aquilo ou aquiloutro é certo ou errado pra mim não importa. Tenho as minhas convicções e delas não me afasto.  Isso me deixou como legado meu saudoso pai.

Não me levem a sério quando digo que escrever pra mim não importa. Conta sim, e muito. Ajuda bastante a domar minha ansiedade. E ainda me faz muito bem, melhor ainda. Quando dizem que gostam muito do que escrevo.

Não me levem com tanta seriedade quando deixo escrito coisas e loisas que não testemunhei. Ficcionar, ou criar, inventar faz parte intrínseca do que sou. E espero continuar sendo até o fim.

 

 

 

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