“Apreceio muié de cá de pertim”

Tantos senões infestam meu título de vernáculos amineirados.

Quando me gabo de ser fluente em seis idiomas. Entre eles o alemão, o francês, o espanhol, o lindamente falado na bela Itália, e tenho pelo inglês como minha segunda língua. E, ao me expressar “wie heissen sie”? Aq    uele desentendido neste lindo idioma falado na Alemanha logo fica sem resposta.

No entanto, deixando os entretantos do lado de lá, e voltando a nossa pátria amada Brasil, quando estou na roça. Em pouco tempo apareço por lá correndo pelas próprias pernas. Já que sempre apreciei as corridas de longa distância. Embora não tenha a velocidade de um Usain Bolt e nem de nenhures velocista brasileiro campeão dos cem metros rasos. Pois simplesmente troto como um cavalo trotão sem ser apressado e irrequieto.

Quando uma vez lá, nas bandas não fanfarras da bela Ijaci, mudo por completo meu vernáculo. E passo a conversar com meus amigos da roça usando as seguintes expressões: “pronde nois vai memo? Vo sumi na braquiária. Pra vê se na banda de lá tem muié mijando pelada e  limpando o fiofó com foia de urtiga braba. E, quando me topo com aquele veinho de quase da minha idade veia. Pitando um paiero apagado pois elezinho nunca tragou fumaça cinzenta a não ser no dia de Santo Antonho casamenteiro. Quando o fogo se apaga e da fogueira apagada exala fumaça fedorenta dado a alta ingestão de batata doce dos festejantes. Que soltam puns com odor de ovo podre e choco. Eu de lá não me escafedeio. Apesar de a fedentina fazer muié oia de banda pro meu lado pensando ser eu o autor de tais peidos mais fedorentos do que gambá sofrendo de piriri por ter comido rato mofado”.

Pertim da minha rocinha, naniquinha a exemplo de um galinho garnizezinho anãozinho.

Vive, diz ele que, muito mio que vancê, cidadão da cidade, pobre coitado que vive açodado de contas a pagar. E notas promissórias vencidas no ano passado. Assoberbado e meio aloucado com o trânsito que não anda. Resmunga. Que só anda de artomove memo que que i apenas a padaria que fica na esquina da sua rua. Que quando encontra muié formosa e de bunda arrebitada e tem a descompostura de passar a mão nela e leva um tapão na cara de pau de aroeira do sertão. E pode passa a noite entre grades de onde não se vê a luis do sol e os pirilampos que servem de lanterna na minha roça. Perdida onde Judas perdeu as botas e deixo a cueca como espantalho de espantar tico ticos.

Mora, pertim a minha porteira ainda de pé, quase despencando de tão veia.

Um tar de Sinhô apelidado de Sinhô dos Aflito.

Que, de tão mão de vaca que sempre foi. E ainda o é. Mais sovina que ele mesmo só meu amigo dono de uma fazendona de café lá pelas bandas das serras. Pessoa cujo único defeito é ser pão mais duro que pão de sal deixado na geladeira dias a fio para ser comido, sem manteiga ou margarina. Mas se trata de um sujeito, médico de pele e exerce medicina do trabalho com maestria de um entendido em leis trabalhistas mais ainda que os advogados que tratam destes casos. Estupidamente honesto consciencioso de sua profissão ainda um cadinho dita nobre. Embora tentem deturpá-la e atirá-la no lixo.

Este memo home, o qual é meu veio conhecido desde aqueles velhos verdes anos que acabava de comprar meu pedaço de chão sujo. Naqueles tempos ex ele mais parecia um sarandi.

O Sinhô dos Aflito vivia num casebre mais simplesinho que uma casinha de João de Barro feito sem projeto. Uma casa ideal pra se morar já que ela pega sol pela manhã e sua portinha fica escura ao anoitecer.

Mas ele, talvez por ainda ser sortero. Nunca testou a quentura do colo de uma muié. Uma vez apenas ele foi a um puteiro pertinho da porta de tras da cidade perto. Cujo nome é Lavras. E se deu mal por um singelo acaso. Depois de meia hora de tentativas malogradas de penetrar a fêmea ele acabou desistindo do seu intento. E a coisa faiou. E num subiu mais como um balão sem gás. E tudo aquilo de mais de trinta centímetros quando murcho. E ia aos cinquenta quando empinado. Nem com reza mansa deu conta do recado. E acabou deixando fiada a tentativa prometendo colocar na conta dos Abreus. Se não pagarem nem eu.

Mas, por ainda desejar se deitar entre os edredons com uma fêmea. Já que éguas foram peças de seu passado na roça de umas tias avós já falecidas faziam anos.

Uma bela e ensolarada manhã. Como a de hoje primeiro dia do mês de março.

A ele apresentei uma linda garota de programa que a ele brindei com sua amável visita.

O nome dela era Nhá Chica. Não era exatamente uma garota de programa pois ela tinha mais horas de cama que urubu avoando.

Ao ver as pelancas da veia que não fazia mais programas desde quando Flavio Cavalcanti se afastou por morrer da televisão meu amigo cujo sobre soava dos Aflito me respondeu com duas pedronas nas mãos: “vê lá! Oia a feiosa que me truxe. Se, por acasu eu tivé de corre atrais de muié prucuro coisa mió. Aqui pertim memo tem uma cabritinha que só de me vê suspende o rabicó balindo béeee. Quero mais”.

 

 

 

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