“Por favor. Volte logo”

A partir da amizade que comecei a sentir por eles.

Ditos com razão e sem um pingo de mentira os melhores amigos do homem.

Quando escrevo homem subentendem-se mulheres.

E eu me indago? O que seria de nós sem elas?

Sem aquelas pessoinhas ditas de sexo frágil. Ledo engano. Frágeis somos nós.

Quem da gente iria suportar nove meses ou menos. Com aquele barrigão estufado.

Tentando nos enganar dizendo: “que nada! A minha barriga dói nadica de nada. E ela some depois do parto. E você quer coisa melhor do que sentir. Entre as mãos. Ainda sob os efeitos da anestesia. Aquela fofurinha toda sujinha de um líquido de nome complicado – líquido amniótico. Que nada mais é que parte da gente onde os nutrientes são levados ao feto. E sem ele o rebento nasce um fracote. Dizem os pediatras ou entendidos com apgar menos de dez. Quase zerado”.

E é pura verdade.

E ainda dizem que a gente consegue sobreviver sem as mulheres…

Ledo equívoco. Eu não conseguiria passar uma só noite ou um só dia sem elas a cuidarem de mim bem de perto. Entre esposas. Namoradinhas ou ficantes. Nem de longe deixaria de citar o santo nome das mães. Mulheres são insubstituíveis embora tentem acasalar homem com outro o resultado não pode ser outro senão lobisomem.

Mas os melhores amigos entre todos os amigos que a mim declararam amizade não compartilham os nossos genes.

São eles de outra espécime.

Ladram os cães e a caravana passa. Cães que ladram não mordem enquanto ladram.

Mas quando um cão morde ele tem seus motivos.

Eles não saem mordendo a qualquer um. Eles, nossos melhores confidentes, pois não são fofoqueiros muito menos línguas de trapo. E se abocanham os nossos calcanhares com certeza algum motivo eles têm. Ou tentam nos livrar de algum perigo iminente ou apenas mordiscam a nossa perna como sinal de carinho.

Eu atualmente tenho três cães. Dois aqui pertinho de onde estou no presente momento. Em pleno carnaval.

Robson e Clo são ainda filhotes crescidos. Estabanados e divertidos.

Clo costumo dizer que é a minha sombra. Quando corro ou caminho ele anda do meu lado.

Já o Robson, bem pretinho, tenho certeza que elezinho não vai me denunciar se a ele chamo de preto por racismo. Mas como ele é espertinho e valentão.

Já noutra represa mora desde filhotinho meu outro amigão o Pirunguinha. Ele tem a pelagem em preto e branco. Acredito que ele já passou dos doze anos. Mas não parece.

Quando ele corre veloz como um raio tentando morder marolas feitas por embarcações na represa de Camargos ele age como um menino travesso.

Mas ele bem sabe eu sou seu dono.

Confesso-me um tanto ausente não da amizade do querido Pirunguinha.  E sim de onde ele mora. Um tanto distante de aqui mais perto da minha Lavras amada.

De vez em quando penso em trazê-lo para esta represa. Mas não sei como ele vai se dar com os filhotões Clo e Robson.

Pirunguinha foi acostumado livre não como um passarinho, pois ele não sabe voar.

E cá tanto o Clo quanto seu amigo Robson se os deixo soltos tenho medo que eles fujam. E vou esperar mais um tempinho para deixá-los livres como passarinhos.

Ontem passei um dia e uma noite na represa de Camargos. Outro lugar que deveria ser incluso no quesito paraíso terrestre.

Lá o meu amigo Pirunga quase não me deixou só. Aonde eu ia ele me acompanhava.

Não o convidei para dormir ao meu lado. Tenho quem me ajuda a embalar meu sono curto.

Já em plena madrugada tive de partir. Ao me levantar da cama. Era mais ou menos seis da manhã. Chamei pelo Pirunguinha. E ele veio às carreiras abanando o rabinho.

Ele não pernoitou na varanda da minha casa. E sim lá noutra varanda na casa do meu caseiro Valdir e Nazaré.

E, ao partir, na minha caminhoneta Orock.

Ao me despedir do velho amigo Pirunga ele me olhou fixamente nos meus olhos e me fez um pedido: “por favor. Volte logo”.

 

 

Deixe uma resposta