“Se eu soubesse que aquele seria nosso último abraço, teria te segurado por muito mais tempo… só para adiar, por alguns segundos, a dor de viver o resto de minha vida sem você”.
E nos deixou como legado o grande escritor russo Fiodor Dostoievski : “tornou-se moda fazer da canalhice uma virtude’.
Na sexta feira que antecedeu ao sábado, dois dias depois veio esse domingo.
Quando fui ao banco cujo nome foi herdado do mesmo de nosso amado por vezes iletrado país, a fim de fazer um saque de uma importância a ser paga ao meu amigo caseiro Tom Zé.
A seguir de tentar retirar uma senha a ser atendido no sub solo onde teria de esperar alguns minutinhos já que sou considerado prioritário por minha idade avançada.
Embora naquele espaço confortável já havia centenas de pessoas a espera de nos caixas serem atendidos.
Meu irmão Fred, de Belo Horizonte me ligou ao celular.
Pedi-lhe um tempinho. Naquele lugar, e naquela hora imprópria, se podia ler alguns avisos. Entre eles desliga o celular.
Fi-lo num átimo e passei a ler no letreiro acima do assento onde estava qual era o número que era chamado naquele instante.
Meu saudoso pai, Paulo José de Abreu, aquele senhor austero, conhecido por sua lhaneza de trato, por sua retidão manifesta em atitudes e não apenas de palavras ditas ao vento.
Que me deixou como legado essa calva quase completa que brilha ao me olhar no espelho.
E dele sigo esse ensinamento ao pé das letras: “não se aposente nunca meu filho. O ócio é o começo do fim”.
Meu pai foi gerente dessa casa bancária. Acredito sim que foi ele quem trouxe uma cara nova a essa instituição meritória chamada Banco do Brasil.
Funcionário de carreira desde quando, solteiro ainda, trabalhava em Caratinga, em Boa Esperança onde nasci. A seguir veio ter aqui onde viveu até o ano dois mil onde. Se bem me lembro cerrou os olhos para sempre depois de pertinaz enfermidade deixando-nos órfãos de saudade. Da sua sabedoria, da sua credibilidade no cargo que ocupava. Da sua inteligência que penso ter herdado um cadinho. E, sobretudo do conceito que pessoas que o conheceram a seu tempo quando me param nas ruas e me dizem: “ doutor Paulo. Orgulhe-se de seu pai. Paulo Abreu foi, além de gerente daquele banco uma pessoa digna. Caridosa, amiga de verdade tanto dos seus funcionários como todos aqueles que tiveram a sorte de dele terem sido clientes”.
Os bancos tomaram caras novas.
Não mais se proseia com os gerentes que ficam escondidos em baias no andar superior.
Hoje, dentro dos bancos falamos e eles, os caixas eletrônicos nem sei se eles nos escutam. Temos de saber de cor e de saltos altos senhas, números, letras decoradas e anotadas em papeizinhos que, se esquecidos as tais máquinas fazem a gente passar vergonha e termos de recorrer a um funcionário que, sendo no horário conveniente ele ali fica a nos dar informações seguras de como sacar nosso próprio dinheiro que fica ali confinado como gado em período de ganho de peso até ser morto gordo e fatiado em partes desiguais sendo vendido como carne de boi mesmo sendo de vaca.
Quando meu irmão me ligou e eu não pude atendê-lo como gostaria pedindo a ele que me ligasse depois. Estando pra ser atendido pelo caixa atencioso como todos daquela agência.
Disse ao meu irmão Fred: “nosso pai não está aqui”.
E como gostaria que ele estivesse e ele mesmo me atendesse…
Seria extremamente prazeroso subir a sua sala. Assentar-me a cadeira defronte a ele.
Apertar sua mão e dar-lhe um demorado abraço.
Diria ainda ao meu pai, na sala que ele ocupa, assoberbado de trabalho com pilhas de papéis a espera de sua assinatura, a qual penso ser muito parecida a minha.
“ Meu querido pai, pena que não tivemos quase nenhum tempo de estarmos juntos na minha rocinha na zona rural de Ijaci. Foi uma vezinha só que ali estivemos e o senhor, amante de uma pescaria, me pediu uma varinha de pescar, e foi sozinho a uma represa que hoje foi tomada pelas taboas e está assoreada e não mais me pertence. Bem me lembro daquela derradeira vez que o levei na sua casa em outra represa de nome Camargos, que o senhor tanto amava e ali levava sua filha amada, embora a Rosinha não fosse sua filha e sim da irmã de minha saudosa mãe Rute. Meu saudoso e inesquecível pai, Paulo José de Abreu. Recordo-me ainda das disputadas partidas de tênis tendo o senhor do meu lado da quadra em duplas memoráveis tendo como opositores o não menos saudoso professor Louzada e dona Nieta Moreira com suas pernas morenas e seu lindo uniforme branco a moda de Wimbledon. Umas poucas vezes éramos vencedores. Noutras éramos derrotados mas pra mim era uma vitória ter jogado ao seu lado”.
Meu pai, não mais o tenho ao meu lado. Apenas eu e o senhor somos vistos numa fotografia aqui a minha mão direita sobre a mesa onde repousa a tela do meu computador.
O senhor, meu pai, não está mais aqui nem na sua casa que agora não mais existe. Nem se faz acompanhar de minha mãezinha dona Rute Rodarte.
No entanto uma certeza me consola e me traz paz e uma certa alegria.
Um dia estaremos todos juntos aí nesse lugar magnífico de nome CÉU.
CÉU em maiúsculo sim. Como o senhor era uma pessoa maiúscula sim, dada a sua grandeza palavra expressa por todos que tiveram a felicidade de te conhecer, meu pai.