Não é bem assim…

Nem sempre se pode dizer que aquilo é certo e aquiloutro errado.
Cada um de nós temos nossas crenças e se deve respeitar as crendices de nossos vizinhos do lado.
Eu creio em Deus Pai Nosso Senhor Jesus Cristo que se deixou imolar na cruz, pensando erroneamente que, com seu sacrifício pudesse endireitar a tortuosidade desse nosso mundo que muitos não acreditam que ele seja redondo e sim quadrado.
Como bom mineiro, nascido aqui quase no centro, mais certo dizer que ao sul de nosso estado. Numa linda cidade onde vi as estrelas pela vez primeira já que foi durante uma noite estrelada que minha amada mãe me tomou nos braços feinho como uma jararaca mais feia que urubu zarolho e perneta.
Tomando emprestado a um baita cronista, Carlos Starling, quando li em um dos seus textos isso: “ser médico não é profissão e sim parentesco com o destino. E ainda deixou-nos de queixos caídos ao dizer em todas as letras- aprendi a dar alta a todo mundo menos a mim mesmo. E outro escrito que dele copiei- esse detalhe ninguém põe na saudade. A medicina é uma profissão que mais nos enche e mais nos deixa ocos. E como bom mineiro dele peço emprestado mais essa- o mineiro tem mais essa virtude teimosa de achar saídas onde só existem paredes “.
Nem sempre pode-se dizer que uma perdida acabou perdendo a vida por ser uma reles prostituta ou uma mais enxuta e mais novinha garota de programa.
Atirem a primeira pedra se puderem…
Cuidado onde irão cair os caquinhos de vidro. Eles podem cair na sua própria janela.
Abram bem os olhos, tire deles suas próprias remelas. Olhe-se no espelho antes de dizer que aquela pessoa tem vida desregrada, anda em más companhias, tem uma bela bunda arrebitada e um narizinho feinho, não critique os outros sem se olhar pra dentro de si mesma.
Assim como não te desejo mal não quero que você pense mal de mim. Não tentes conter o espirro pois, assim como maus olhados não devem ser evitados; por que não desvias teu próprio olhar e vais cuidar da tua própria vida?
Cada um é caco quebrado do sofrer que sua mãe passou quando te viu nascer. Olha pro lado antes de dizer que aquela putinha deveria mudar de vida, deixar a sua bolsinha dependurada no cabide, ao revés de fazer trottoir pelas ruas da cidade a vender seu belo corpinho antes que ele se torne um traste velho que ninguém cobiça mais.
Assim foi-se a vida pra muitos a não ser seguida daquela menina, não tão mocinha e ainda não tanto balzaquiana. Que perdeu, não foi o caminho e sim seu selo de castidade, deixou-se desvirginar aos doze anos de idade. Naquele dia do qual se lembra em prantos, no seu quartinho brincando de médico e pacienta com seu priminho moleque, e elezinho safado, ao tirar seu vestidinho de chita, na tentativa moleca de examinar sua garganta que doía muito.
Acabou por levar sua mãozinha boba aonde não deveria e foi indo, devagarinho, e não mediu consequências e a desvirginou.
Aninha não gostou daquela primeira vez. E continuou intacta anos depois.
Aos quinze, passando necessidades em casa, já não mais tinha seu pai ao lado. A mãe era uma dama diziam de vida fácil embora não tenho por mim que ser puta seja igual viver em palácios e sim em palafitas insalubres.
Aninha embarrigou aos quinze aninhos de um rapazola que nem quis cuidar da cria e a deixou a ver navios naufragarem na areia de uma praia linda.
Ela sozinha abocanhou a linda menina com uma fome de leoa.
Como não tinha profissão definida, não foi além do primeiro degrau do curso primário.
E ainda por cima era meio zoronga dizem apalermada. E como era bonita a mocinha Aninha. Olhos amendoados, bundinha redondinha feita a compasso de um habilidoso cirurgião plástico. Altura não da altura de um prédio de muitos andares e sim de uma casinha pequenina onde seu amor que não teve nasceu. [
Aos dezesseis passou a rodar bolsinha pela sua cidadezinha flertando com unzinhos e se vendendo a quem pagasse mais.
Ana, garota de programa, sem hora marcada, girava de cama em cama não sentindo orgasmos e dizendo aos seus parceiros que sua maior felicidade era ler, na cara de seus inúmeros fregueses que sua maior alegria era sentir o esperma deles adentrar em suas entranhas.
Ela cobrava a hora e a dormida das suas transas segundo se ia ou não com a cara de seus parceiros. Se gostava daquele sujeito a conta era de mais ou menos cem. Se não subia a duzentos. Fazia questão de cobrar antes do ato consumado. Com a nota na bolsinha, por vezes recheada ou cheia de nadinha, Aninha cumpria à risca o prometido. Fazia de tudo que o freguês pedia e só não beijava na boca, tinha por costume para não se apaixonar.
Assim girava a vida desregrada da pobre aninha. Ora com um, deitando-se e fingindo fazer amor com o segundo e por vezes o terceiro na mesma noite e em outras. Na maioria das vezes dispensando a camisinha até aquela infausta madrugada fria e nevoenta quando, de carona num caminhão, de não bom agrado aceitou a monta do caminhoneiro. Foi deixada na subida de uma rodovia desprotegida àquela hora madrugada, com frio e faminta, tentando pedir carona pra voltar a sua casa e rever sua amada filhinha.
Eis que aconteceu o imprevisto impensado que pôs fim a sua curta vida.
Ana, não mais menina e ainda moça, foi atropelada por um carro que não a viu por ser uma madrugada nublada de cerração densa.
Não é bem assim como julgam as pessoas tidas de bem. Não atire as pedras que elas podem voltar e danificar o seu telhado como um bumerangue que vai e volta às mãos de quem o mandou. Não façam juízo errado de segundos pois você pode ser o primeiro a ser julgado culpado por aquele ato falho.
Não façam julgamento equivocado de meninas mocinhas que se prostituem nas ruas.
Como da pobre infeliz Aninha, da qual dizem as más línguas ser uma garota de programa. Uma perdida que acabou perdendo a vida em circunstâncias trágicas numa estrada que não a levou a nada a não ser ao céu onde hoje elazinha passa a viver feliz como nunca foi.

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