Aquela brisa fresca arrebatou-me o coração

Quem ainda não sentiu uma brisa fresca neste calor de verão?

É como se a mão de nossa mãezinha nos afagasse os cabelos numa hora de aflição.

Ou com o seu carinho de mãe nos perdoasse os pecadilhos nanicos. E nos desse o seu perdão após cumprirmos um castiguinho leve. E de lá saiamos com a cara lambida prometendo não incorrermos novamente no logro. Mas quem disse que criança não faz novas lambanças não viveu a infância. Não teve passado e nem sabe como doía aquelas palmadas dadas em nossos fundilhos ou as surras com vara de marmelo que nosso saudoso paizinho nos dava com olhos rasos d’água.

Brisa. Ventinho maroto que assopra as saias das mulheres e nos permite ver de que cor era a sua calcinha ou se ela não usava por ser despudorada menina. Que se tornou garota de programa para manter-se na faculdade. Pois seu sonho era ser doutora. Em qualquer de suas nuanças coloridas ou não.

Brisa. Pode ser tornar tempestade tempestuosa ou uma ventania que acabou por batizar um cavalo que foi meu. Pois aquele cavalinho inteiro. Um piquirazinho. Presente dado por meu pai. Pois, nos idos anos de minha meninice peralta eu amava roça. Como ainda meu coração bate acelerado por elas. E, aquele cavalinho nanico. Trotão. Corria como seriemas assustadas morro acima e morro abaixo. Com aquele seu gritinho estridente típico daquelas aves pernaltas.

Brisa. Vento que assopra folhas mortas. E como assistia triste e desconsolado as flores do ipê despencarem prematuramente de sua árvore mãe. E eu tentava debalde conversar com elas: “minha caríssima florzinha amarela ou roxa. Deixa-me tentar inseri-la de novo ao galho mais fino de onde você veio. Quem sabe assim vocezinha ressuscita de novo e espera a nova florada de suas irmãs”.

Mas elazinha simplesmente balança as suas petalazinhas e diz – “impossível”.

Brisa; não sabia que era nome de mulher. E exemplo de mulher.

Existem mulheres com M e outras. Perdoem-me se não apreciarem meu escrito. Que um m minúsculo faz jus a sua pequenez.

Certas mulheres são tóxicas e verdadeiros machados. Nós machos podemos ser da mesma maneira. Tóxicos e machados de fio não afiado.

Mas ela. Uma mulher sócia de uma ótica. Que tem o nome parecido ao brilho do sol que hoje me acordou com sua amarelice cegante. Filha de um grande comerciante hoje afastado do seu negócio. Aquele pai de familia que de vez em quando tomávamos café na mesma padaria perto de sua ótica. Hoje ele se faz ausente. Mesmo de alma presente.

Aquela casa de óculos atrai muita gente. Não somente para comprar seus produtos. De ótima qualidade. Que nos permite enxergar além das entrelinhas. E adentram da mesma maneira para tomar um cafezinho passado na hora ou para se relaxar com a prosa boa das garotas do lugar.

É lá que mando fazer meus óculos e aproveito o ensejo para vender meus livros.

E a tal Brisa, mulher maravilhosa, me recebe com suas lentes presas aos seus olhos negros. Usando seu maior artificio que é a simpatia e o sorriso aberto. Cada hora é um batom a tintar seus lábios fartos. E de lá não saio sem jogar conversa fora. Sem pilheriar com suas vendedoras. Sem tentar seduzi-la com minha lábia fora de moda.

Mas ela resiste estoicamente ao meu assédio. E creio que ela não vai me denunciar por este crime que consiste em admirá-la demasiadamente.

Ah! Se eu pudesse. Linda Brisa. Levá-la na garupa do meu corcel negro noite. E com você cavalgar até onde as águas do mar encontram as do rio.

E com você fazer amor até a exaustão.

Brisa mulher. Uma das proprietárias da ótica Brilharte.

Receba esta missiva como prova de carinho deste médico escritor. Você é como uma brisa suave que de tempos pra cá arrebatou meu coração sofredor.

 

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