Não sei quem deles é o pior

“No ruim pelo menos ruim voto no menos pior”.

Esta foi a frase dita por um amigo da roça às vésperas das últimas eleições.

E em verdade não sei qual dos dois é o menos pior.

Se o ladrão consumado. Condenado e libertado. Hoje nosso presidente a contragosto ou por desgosto da maioria. Ou o outro. Ex presidente dito genocida e pesticida. Por tentar, debalde converter a nossa nação em um país do bem. Tentando erradicar as ervas daninhas e não conseguiu apoio dos petistas. Que não se sabe como elegeram uma porcaria de oito dedos que nunca trabalhou de verdade. E deu em verdade trabalho à polícia quando líder sindical. Bravejava, com sua voz possante pelos palanques de São Bernardo. Vociferando seus ideais nada confiáveis tanto aos sem terra quando aos invasores de Brasília naquele domingo passado.

Agora não sei qual dos dois é pior.

Já votei no caçador de marajás que morava na linda casa da Dinda. Dei com meus burros nágua.

Já inseri meu voto na urna em favor de Jânio Quadros. O quadro que ele pintou me cheirou a renúncia. Puro ato covarde que não me penitencio em nele ter votado.

Votei no tal Lula numa eleição passada. Foram quatro anos de amargura e o preço da picanha não abaixou nadica de nadinha.

Votei em Bolsonaro acreditando que, se reeleito, a pobreza fosse erradicar ou pelo menos minorar. E agora José?  E se o eleito fosse Mané? Ou Curumim? Estaríamos a salvo das ladroeiras que acontecem por aqui?

Creio que um não sonoro responde a qualquer questão.

Hoje cedo. Ao chegar ao consultório, onde para agora retornei, deparei-me com uma cena que me fez pensar no título desta crônica de agora a tarde.

Um pobre peixinho amarelinho mortinho da silva boiava nas águas transparentes do meu aquário. E, por debaixo dele o autor do pexicidio mordiscava a sua barriguinha.

Era um dos cascudinhos a comer-lhe as entranhas. Não sei se ele ou seu irmão cascudo o matou. Ou se já estava defunto a hora que observei o peixicidio.

Agora, prestes a ir embora. Penso, repenso. Volto a pensar.

Quem é pior. Ou menos ruim que os dois presidentes?

Será o cascudinho assassino? Ou simplesmente ele. O cascudo. Aproveitou a morte de um dos peixinhos para comer-lhe devagarinho.

Não tenho deudas se o pior somos nós mesmos. Cidadãos que trocam seus votos por dois sacos de cimento duro ou um monte de areia fedorenta.

Os cascudinhos são meros circunstantes daquilo que chamamos óbito.

Já nós nos locupletamos de gente que nos oferece sua confiança em um destino melhor para a nossa pátria amada chamada Brasil. E nos atraiçoa assim que o poder lhes sob à cabeça.

 

 

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