“Vaca! Capivara não!”

Tentar ofender a alguém chamando-o de vaca pra mim não ofende a ninguém.

Não tem animal mais dependente do homem que aqueles ruminantes não pensantes. Que vivem a tentar engordar a renda de gente da roça produzindo leite. Carne, couro. E até os chifres têm serventia. Para fazer berrantes. E outros adereços que passam a enfeitar mesas ou paredes. Tanto em fazendas como na casa da gente. Embora os chifres usados pelos maridos iludidos. Pensantes que a esposa boazuda é santa. Muito embora ela seja uma das santinhas de pau oco. Que, quando o marido trabalhador exala suor numa fábrica qualquer. Ela, dizendo que está na academia. Não de letras. E sim aqueloutra onde seu personal afaga carinhosamente suas belas coxas roliças. Passando a mão no seu traseiro rechonchudo. Nádegas ao contrário. Em verdade, depois da aula de ginástica. Lá se vão os dois a outro espaço. Cujo preço cobrado por uma hora de permanência é dos mais salgados. E é pago com o cartão de crédito do chifrudo.  E ele nem desconfia que está sendo traído. Justamente com aquele personal que jura ser seu amigo. Da onça. Bom que se diga.

Chamar alguém de vaca pra mim é um encômio. Palavras elogiosas bom dizer antes que julguem o revés.

Vaca não só da leite bem como exibe tetas enormes mesmo depois da ordenha. Nos fornece graciosamente não só o couro. O mugido dela mesma como o esterco que recobre o curral. Onde canarinhos da terra ciscam tentando encontrar bichinhos os quais irão lhes servir de repasto alimentar.

E você deseja um adubo mais rico em nutrientes que aqueles encontrados no esterco curtido?

Não tem igual nem símile.

Na minha não abalizada opinião quando alguém o ofende com palavras de baixo calão. E você não deseja se calar. Para evitar uma tunda naquele boquirroto. Chame-o de capivara.

Aquele roedor gigante. Uma ratazana que procria como uma garota sedenta de amor que não se previne. Não usa qualquer contraceptivo. Tem sido uma enorme dor de cabeça seja aos sitiantes ou donos de latifúndios esparramados país afora.

As capivaras andam em bando como os vândalos bandidos que infestaram Brasília no último domingo. Causam um estrago gigante seja nas plantações de milho ou pastejando capins a serem ofertados as vacas ou equinos.

Além de serem vetores perniciosos de carrapatos e piolhos. Intermediários nocivos que podem carrear enfermidades graves a nós ditos humanos.

Dizem os gastrônomos que sua carne é de rico sabor. Já eu penso exatamente o contrário.

Alguém sabe me dizer se couro de capivara se compara ao de boi? Não duvido que não.

E ainda, para nos atazanar. Que, quando se mata uma capivara adulta ou filhota a cana é certa.

Pagaremos cadeia por prazo indeterminado. Nem imagino a fiança que somos intimados a desembolsar.

Vem daí a minha ojeriza quando alguém, na intenção de me xingar, chama a comadre dona Janja de vaca.

Não admito tal descortesia com elazinha.

Se por acaso, de um descaso, a chamarem de capivara. Aí sim. Dou-lhe um soco na fuça que por certo vai levá-lo a nocaute.

 

 

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