Hoje o Brasil chora

Confesso não ter entendido nada do que se passou no dia de ontem.

E como tem chovido nestes dois meses.

Dezembro derramou água. Em janeiro continua a chuvarada.

Espero que esta chuva dê tréguas a partir dessa semana entrante.

Com essa chuvarada toda o pobre homem do campo nem pode desovar a sua produção. Que tanto pode ser de grãos como de leite.

No sábado, como motivo da última crônica, intitulada: “a dura rotina do Pejotinha.”

Acabei documentando as agruras daquele tirador de leite ao ver o caminhão leiteiro atolado na lama cascalhenta que nada contribuiu para atenuar o problema da subida pelo morro agudo. Antes da porteira e da estrada principal que liga aquela pequena artéria até a cidade de Ijaci. E todos os percalços daquela gente de mãos caludas e tezes tostadas pelo sol. Que, sem elas na cidade não haveria o que comer. E seríamos submetidos à dieta asfáltica. Não se pode dizer que não seja apropriada a regimes para perda de peso.

Quando, pela televisão, assistia aquele ato de insubordinação e terrorismo. Na nossa capital federal. A linda Brasília nascida das mãos artísticas de Oscar Niemeyer e Lucio Costa. Autores do projeto inicial. E pouco a pouco a pouco modificado. Fiquei sem entender o que se passava.

Se era uma coisa articulada e previamente ensaiada. E o desgoverno de Brasília a tudo assistia sendo omisso ou cúmplice. Acabei por pensar em mudar de país. Pra onde iria? Pra Pasárgada ou Ijaci? As duas localidades soavam como música aos meus ouvidos moucos. Não sei onde seria mais feliz se lá ou cá comigo mesmo.

Ontem o Brasil chorou. E eu derramei lágrimas unissonamente. Não lágrimas de crocodilo ou de anta adormecida. E foram lágrimas verdadeiras. Acabei me desfazendo do meu orgulho em ser brasileiro. Como discursou o grande águia de Haia. Pra quem não se recorda cito seu nome- Rui Barbosa.

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus. O homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”

Ontem o nosso país chorou. Parece que agora, nesta segunda feira do mês de janeiro, o céu deixou de chorar lágrimas de chuva. Tomara o sol volte a raiar.

Eu me avexei ao ver aquela multidão ululante invadir e depredar instituições que deveriam ser sagradas. Aquele quebra quebra ruidoso. Liderados não se sabe por que voz distante ou próxima. Aquele palco de sandice invadindo sem ser impedido por quem deveria proteger a câmara dos deputados ou o palácio do planalto. Ou até mesmo o palco maior da justiça em nosso paiseco agora governado por um petista no qual não votei. Mas confesso ter aceito a voz do povo. Já que considero esta a voz de Deus pai todo poderoso.

O nosso amado Brasil chorou no dia de ontem. Um domingo do qual não pairam boas lembranças em se tratando de uma democracia. Onde a ordem e a justiça deveriam prevalecer por todo cenário nacional.

O que devem estar pensando sobre o lamentável incidente de ontem nossos vizinhos e outros países mundo afora. De norte ao sul. De oeste a leste.

Ontem, domingo, oito de janeiro, nosso Brasil derramou lágrimas de verdade. Não só ele como eu.

Ao ver tanta gente, vestindo amarelo, sem mostrar o rosto, devem ser paus mandados, a mando de quem? Não acredito que a iniciativa da quebradeira tenha sido por vontade própria. E a que custo? Somos nós. Brasileiros e brasileiras, que iremos reconstruir, à custa de nossos caraminguados ganhos. Toda aquela infeliz destruição de nossos palácios. Isso sem contar a repercussão internacional que vai ter a manifestação nociva e impopular que no dia de ontem sucedeu.

Confesso que chorei junto a nossa bandeira. Ao nosso hino soberbo e único. Cuja estrofe nos diz pátria amada idolatrada Brasil.

Não tenho lágrimas mais para enxugá-las. Elas secaram no meu rosto.

Tenho sim vergonha de me dizer patriota. E que exemplo passarão aos nossos filhos ou netos aqueles baderneiros sem vergonhas. Será que eles protestam por suas contas e riscos?

Até agora não entendi o que se passou ali. Se foi um ato pensado ou previamente articulado? Se foi com o aceite das autoridades de Brasília ou independentes do pensamento delas?

Agora o nosso presidente está de volta ao cenário da tragédia. Entre mortos e feridos quem ficou incólume?

Eu não. E vocês?

Agorinha mesmo um peixinho do meu aquário acenou pra mim com a barbatana em riste um silencioso também não.

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