Minhas andanças de hoje rumo à maternidade

Já bem me recomendaram manter um certo repouso.

Recém operado de uma hérnia inguinal, perfazem dez dias apenas, meu médico, outro que não eu, recomendou-me cautela.

Segundo ele mesmo me disse eu deveria retornar à academia do Lavras Tênis Clube tão somente passados um mês, talvez mais.

E quem diz que burro velho não pega marcha, acertou.

Tão pronto deixei o hospital, recebi alta na manhã seguinte à operação, muito bem sucedida, por obra e graça não apenas das mãos hábeis do Bruno Petrini, filho de outro Bruno, para este lugar abençoado, minha oficina de trabalho, de novo conferi minhas nádegas ao assento.

E não parei de trabalhar deste então.

Correr, nem pensar? Não foi isso exatamente o acontecido.

E como caminhar, usando um fone de ouvido, escutando a sertaneja Paula Fernandes, pelo Spotify, se não faz mal que bem que faz?

Foi assim que indevidamente aconteceu.

Hoje, vinte e um de julho, dia que amanheceu nevoento e agora o sol brilha, parti para o ataque.

Sem armas e munições. Sem fazer aquele gesto de arminha como apregoa o nosso presidente.

Comecei a caminhada sem destino certo. Fui subindo a rua direita, pelo passeio, à sombra das laranjeiras e dos cafezais (mais uma invencionice minha), já que fui pelo passeio da rua principal, usando aquele foninho de ouvido, graças ao bom pai ele funciona a contento, não como os demais, até parar numa galeria, assaz conhecida na minha cidade, ela assina o sobrenome Curi, na intenção principal de entrar numa lojinha de gente finíssima, onde minha esposa comprou um aparelhinho de som. Só que não sabia onde recarregar sua bateria. Não dispunha de tomada onde inserir o plug.

Fui presenteado pelo dono da loja com um atendimento pra lá de cordial.

Continuei a subida pela rua principal.

Antes, bons tempos aqueles, quando mais moço, fui correndo até a terra do café. Nunca a bela Nepomuceno me pareceu tão distante.

Já hoje, mocidade perdida no horizonte, a caminhada até a maternidade onde iria nascer meu LEIA COM MEUS OLHOS, o décimo nono filho livro meu, fui parando, entrando e saindo de estabelecimentos comerciais, indagando a um ou outrem, se por acaso me conheciam. Quando diziam não tirava meu celular do bolso. E mostrava a todos os desconhecidos meu site – www.paulorodarte.com.

A primeira loja que adentrei foi num estacionamento bem montado onde minha adorada Rosa havia deixado seu carrão na intenção de venda. Ali parei alguns parcos minutos. Quem me atendeu, calorosamente, neste calorão que agora faz, foi um gordinho simpático, com a qual pessoa me encontrei na academia do meu amigo Bruno. Aqui mesmo neste edifício onde exerço a Urologia, até que o bom Deus o permitir.

Trocamos meia dúzia de palavras. O carrão da minha Rosa ainda está no mesmo lugar, a espera de compradores.

Fui deixando a Chagas Doria nos costados, escutando o cântico sertanejo, pelos meus ouvidos tapados, para, afinal, pertinho da Trel, do meu querido amigo Luís, pai da inteligente mecenas das minhas artes, que hoje mora na casa onde morava meu amigo de tantas caminhadas no entorno do condomínio Jardim das Palmeiras, onde morei, e agora mudei de endereço, até chegar, finalmente, dizendo a todos os passantes quanto tempo levaria até chegar à BH, a maternidade gráfica Indi. Onde meu décimo nono filho livro iria conhecer o sabor da vida. E quão linda ela é.

Lá, naquele lugar encantado, e encantador, fiz selfies com gatos e sapatos. Felizmente os cães não me morderam. Eles ladravam enquanto esta mula passava.

Tenho tudo documentado no meu celular. Se querem comprovar que me peçam. Não irei negar.

Agora, não com a língua de fora, como estou feliz com meu novo filho livro nascendo.

Logo elezinho vai colocar a cabecinha de fora do útero máquina impressora da Indi Gráfica.

LEIA COM MEUS OLHOS VAI FICAR UMA BELEZURA. Não a minha carantonha feiosa.

Mas, com certeza, ele vai ficar tão lindo quanto a carinha risonha tanto do Theo, do lindinho Gael, cheirando à esperteza do Dom.

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