Pelas estradas afora

Hoje, vinte de julho, meu netinho Theo completa seis aninhos.

Ai que saudade daquela tenra idade. Cujas brincadeiras eram tão diferentes.

Não se passava quase o dia inteiro defronte à televisão, quando em férias, assistindo a desenhos animados, brincando com bonecos dinossauros, e outras brincadeiras mais, como a gente, daqueles tempos que avoaram pra longe, no meu caso conto mais de setenta, agora, nesta quase aurora da minha existência, recheada de saudades tantas, nós brincávamos de jogar finca e bete, tentar cricar bolinhas de vidro, coloridas como as do arco-íris, pular amarelinho, saltitantes como cabritinhos peraltas, ou brincar de médico com aquela meninazinha de trancinhas e lacinhos de fita amarelinha, como as suas mães usavam fazer naqueles anos quando éramos felizes e não o sabíamos.

Diz o grande escritor Monteiro Lobato: “um país se faz com homens e livros.”

Já eu acrescentaria. Desde que este país fosse feito de homens letrados. Estudados e preparados para enfrentar procelas e tempestades.

“Pela estrada afora eu vou bem sozinha. Levar estes doces para a vovozinha. Ela mora longe e o caminho é deserto. E o lobo mau passeia aqui por perto”.

E por estradas afora caminha a humanidade. São estradas poeirentas, lamacentas, sem buracos ou cheias de tropeços, asfaltadas ou de terra batida, que levam a tão longe ou nos conduzem para aqui pertinho, estradas enluaradas ou desprovidas de claridade, estradas que cruzam encruzilhadas, ou até mesmo desenham retas intermináveis, subidas a prumo, descidas por onde se pode ir na banguela, ou até mesmo estradas vicinais, que levam praquele lugar especial, onde mugem as vacas, balem os carneiros, gritam frenéticas as maritacas em tempo de jabuticabas maduras, ciscam os canarinhos da terra o esterco do curral, onde, um dia, quando estacionava o potrinho Theo firmemente atado ao esteio de uma tronqueira tosca, alguém, lá de dentro, daquela casinha hoje vazia, não de gente, e de saudade dos seus moradores, gritou, tentando me saudar: “ doutor Paulo. O senhor, a exemplo de um cavalo inteiro, não tem parança”.

Eu realmente não a tenho. Sou irrequieto e indomável como o vento de agosto. Nos meus mais de setenta anos ainda me penso menino. Bulindo com a beleza da minha professora de aritmética. De cujas pernas bonitas não tirava meus olhinhos.

Pelas estradas afora caminham incontáveis dezenas de milhares, miríades de caminhões. Trata-se de uma frota pra mim inimaginalmente grandiosa.

O EXPRESSO NEPOMUCENO tem uma grande estrada pra contar.

Segundo o que pude extrair de nacos de sua história esta empresa gloriosa figura entre as dez maiores empresas de logística do país. E parte disso se deve ao nosso time, que sempre está em movimento pelas estradas de nosso Brasil.

Hoje ela conta com uma frota de nada mais, nada menos, de 1941 caminhões, que transportam de tudo um pouco. Na maior segurança de que a gente poderia contabilizar. O EXPRESSO NEPOMUCENO existe há mais de 57 anos no mercado de transporte e logística.

A familia Souza, cujo patriarca bem o conheço, homem de sorriso fácil e afetuoso, hoje descansa sobre seus louros e glórias na sua morada ao lado de sua linda companheira. E ele nem parece ter seus oitenta e oito anos. Não o tenho visto pelas ruas de nossa Lavras querida. Qualquer dia lhe faço uma visita (claro, se ele me convidar).

Há dias passados, caminhando pela praça central de nossa cidade, vi, com meus dois netinhos puxados pelo cabresto, uma caminhãozata, não sei se essa palavra existe, buzinando estridentemente pelas ruas e avenidas. A cada buzinada eu abanava as minhas mãos.

Era a festa do caminhoneiro. Não consegui identicar a logomarca do EXPREESO NEPOMUCENO entre aquelas carretas enormes. Muitas vezes somente o cavalo era visto. A parte de trás talvez estivesse à espera de cargas. Com a mesma ansiedade com que eu espero o nascimento de outro filho livro.

Na iminência de lançar mais um fruto de minha inspiração, desta vez uma coletânea de crônicas cujo nome é LEIA COM MEUS OLHOS, para que esta aventura aventuresca seja coroada de sucesso, peço, de chapéu na mão, o apoio de empresas que entendam o porquê da razão pela qual Monteiro Lobato tenha dito que um país se faz com homens e livros.

E assim, tiquetaqueando entre pedidos e súplicas, implorando que me auxiliem na minha nobre iniciativa (confesso ser uma temeridade tentar editar livros), entre dezenas de vozes dizendo não, outras prometendo o contrário, encontrei eco ao meu grito de socorro justamente na linda figura da diretora de marketing do tal EXPRESSO.

Na derradeira página do meu livro novo vai constar a logo marca de vários apoiadores.

Não vou declinar-lhes os nomes ainda. Esperem até o livro ser posto ao lume dos olhos.

Pela estrada afora percorre a vida em nosso país. Dizem, muitos entendedores, que melhor seria se o transporte ferroviário ressurgisse das cinzas como a ave Fênix.

Mas, enquanto esta realidade não se torne mais que um devaneio meu, aqui declaro, não apenas o meu orgulho por morar nesta linda Lavras. E, não poderia me furtar, não entendam afanar, deixo aqui, nestas linhas tortas, como são muitas estradas afora deste nosso país, e expressar, e como aprecio um cafezinho expresso, tomado aqui mesmo, na minha oficina de trabalho, os meus sinceros agradecimentos ao pessoal que ontem me recebeu, de portas e caçambas abertas, neste lindo EXPRESSO NEPOMUCENO.

Pelas estradas afora cuidado com o lobo mau. Ele pode surpreender a linda Chapeuzinho Vermelho. E ingeri-la por inteiro. Pelas estradas afora percorre, de ponta a outra ponta, os caminhões, as carretonas enormes, sabiamente conduzidas por seu idealizador maior.

Ao senhor Aguinaldo de Souza deixo aqui expresso mais estas linhas tortas, do quanto sou grato pela sua gentil acolhida.

Espero que as cargas transportadas por seus caminhões encontrem seu porto seguro.

 

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