Em pleno domingo, passados da hora do almoço, aqui estou, no meu refúgio, escondidinho neste prédio vazio, depois de passar horas agradáveis em companhia dos meus dois netinhos, falta apenas o Gaelzinho, a tentar desovar de dentro do meu eu, uma mesquinharia de inspiração, que transborda dentro de mim.
Neste belo domingo não poderia passar em branco. E como o céu se mostra azul. Faz calor. Nenhum indicio de chuva se mostra no ar.
Não tenho passado um dia sequer sem escrever uma linha. Depois de selecionar quase umas duzentas crônicas, as quais compõem meu livro novo : “ Leiam com meus olhos”, assim se intitula meu décimo nono compêndio, não de medicina, precisamente na minha especialidade, a Urologia, e sim de literatura purinha como alma daquela criança, que se perdeu na lembrança de quando era menina, por causa de um sedutor velhaco, que nela passou a lábia, fê-la deixar de ser criança para se enveredar pelo infausto e desafortunado caminho de se tornar mulher mundana, vendendo seu corpo a qualquer que lhe pagasse alguns caraminguados, em troca de com ela passar a noite, em claro, rolando entre lençóis sujos, que deveriam ter sido lavados, e, por causa da alta rotatividade da corruptela não viam água nem sabão desde meses atrás.
E aqui, neste meu refúgio, neste sétimo andar, não poderia de deixar de tecer não uma teia de aranha. E sim meus sinceros agradecimentos. A um verdadeiro amigo. Gente da prateleira de cima. Bem no alto. Fora do alcance de qualquer um. Que não tenha tido o prazer de passarinhar os olhos no que ele escreve. Pena que ainda não tenha deixado um livro sequer. Contando os causos que só ele poderia contar melhor.
Miro Menezes, meu amigo de todas as horas, boas e más, assim postou um comentário, no Face Book, há dias ou horas atrás.
“Paulo Abreu (nome do meu pai), bom dia meu amigo. Que bom ler, reler, reeler, com três ou mais es, sua mensagem. Para muitos estas suas palavras são de uma grandeza incomensurável. Não só por vir de um grande amigo. Mas sobretudo por partir de um exímio escritor, romancista e cronista. Portanto são palavras de um especialista na arte de tricotar palavras.
Elas entram codificadas pelas minhas retinas, foram até o processador cerebral e decodificadas, uma cópia foi enviada para a central de emoções, coração e sentimento de alegria e de júbilo… e porque não, agradecimento; o original foi enviado para o HD cerebral, onde ficará, com certeza, armazenada além vida.
Tenho me aventurado em escrever e postar pequenos textos. E você sabe o quanto é gratificante quando um ou outro elogio aparece. Principalmente de um especialista no assunto.
Obrigado pelas palavras de incentivo. Finaliza o amigo Miro.
Não me foi possível segurar as lágrimas que escorriam como cascata depois de uma chuva copiosa. Muito menos consegui, naquele átimo de segundos, atenuar os batimentos cardíacos. Que descompassadamente faziam os meus átrios e ventrículos tiquetaquearem como cavalos em corrida louca pelas pastarias.
Não tenho a pretensão, como você mesmo diz, de ser um especialista no assunto. Muito menos desejo abdicar do meu dito. Você sim, amigo das letras, e das palavras juntas que podem, se você, assim o desejar, tomara seu primeiro livro seja o começo e não o desfecho de uma carreira que tudo tem para ser coroada de êxito.
Conforme retirei de palavras suas, sublimadas acima, meu comentário, meu incentivo para que seus textos culminem em livros, não foram palavras vãs.
Comecei por perguntar quem seria Miro Menezes. Não simplesmente um amigo do peito. E do coração. Situado no mediastino. Entre os dois pulmões.
Um baita entendedor de televisão e seus congêneres.
E sim um incipiente amontoador de palavras. Que juntas poderiam muito bem compor não sei quantos livros.
Miro Menezes ainda vai fazer parte daquelas pessoas tidas como imortais. Não os seus corpos que apodrecem. Mas suas obras com certeza serão lembradas. E imortalizadas ad eternum.