Já vi de tudo nesta vida.
O arco-íris se apaixonar pela lua. Que por sua vez desdenhou desta paixão nas alturas.
Do beijo doce que o beija-flor deu num pacote de algodão doce. E acabou se lambuzando naquele beijinho doce como se fosse mel.
De esturdia, naquela noite fria, uma coruja, resfriada, deu um suspiro e depois morreu.
Ainda me lembro, faz trás anteontem, se não me falha a lembrança, por riba de um cupim mortinho, não incorrerei em novo logro, pois, por dentro daquele monte de terra seca, amoitam-se larvinhas novinhas, que num futuro perto gerarão cupins velhuscos. E, pasmem, descabelem-se. Justamente naquele matinho rurícola, reconhecido nos arrabaldes como matel, dos bichos, amavam-se, à perdição, um jovenzinho nanico, com sua concubina, a tal mulinha do rabo quente, fervente, que só de ver alguém previamente excitado levantava o rabicó permitindo a monta. Embora aquela não tenha sido a época mais adequada à cobertura. E não passava de sexo consentido e consensual. Não os tais malditos sexos abusivos. No qual a fêmea recebe o macho sem o aceite prévio. Assinado no cartório dos aflitos contritos.
Hoje, subindo pelo elevador, aquela coisiquinha meio amalucada, desconfiada, que sobe e desce sem salário ou carteira assinada, contrafeita na sua vontade, juntinho a mim subiu uma mocinha de conduta ilibada. Já a conhecia de subirmos juntos. Ela é secretária de uma clínica no andar de baixo. Pessoinha linda. Cabelos cacheados como os de uma bonequinha de piche. Cintura a qual gostaria de me entrelaçar. Sem acabarmos nos finalmente. Só para a sua lindeza observar.
Ela, antes de tomar o elevador, despediu-se do meu amigo porteiro, que além de comandar a portaria acumula outras funções. Ele se chama Renildo. Velho de casa e também de idade.
Antes da subida propriamente dita, a tal secretária, não sei de quem, assim confidenciou ao amigo porteiro eletricista: “hoje a gente ainda não coisou.”
Subi com a pulga atrás das orelhas. Naquela dúvida que só ela e meu amigo Renildo dariam conta de resolver.
Já conhecia, como especialista em sexo, pois urologista que se preza tenta resolver as inadequações sexuais, entre outras atividades, precípuas e principais, que praticar o ato sexual tem incontáveis títulos: transar, comer, não com a boca, ficar, trepar, ficar tal e qual papai e mamãe na cama, um acima do outro, e vice e conversa vai, amar-se, e ser amado, perder-se um nos abraços de outrem, ter relação, intercurso, coito, cópula, acasalamento, copulação, e por aí fica, para não falar palavras de baixo calão.
Mas, naquela hora recente, antes de chegar por aqui, no consultório, ao ouvir aquela prosa boa, entre a secretária e meu amigo porteiro, ficar sabedor que coisicar dá no mesmo que transar, foi a primeira vez.
Agora, quando, naquela hora grata, entre os edredons e lençóis macios, o desejo me sobe a cabeça, a segunda se levanta, comunico a minha partner: “a senhora deseja coisicar”?
Antes de saber se ela aceita ou recusa parto para o ataque. Cujas armas e munições não escondo de ninguém. A arminha que uso fica escondidinha dentro da minha cuequinha cor de rosa choque. Só que, um pequeno detalhe quero deixar no escuro. Não uso cuecas, nestas horas impróprias. Durmo peladinho mesmo. Do mesmo jeito quando nasci.