Certa vez, em passagem por minha rocinha, tempos se vão, assisti a uma cena que me fez matutar.
Um caboclo, mãos caludas, tez queimada pelo sol, pele apergaminhada como a de um velho pergaminho, começava a sua faina costumeira, era quase madrugada, fria, assoprando com sua boca banguela um certo hálito fumarento, no meio de um sarandi danado, o capinzal cobria-lhe até a cintura, mal se lhe podia ver seu corpo franzino, tentando colocar em fila uma dezena de bois de carro.
Eram garrotes pouco acostumados à lida. Faltava-lhes a experiência do velho carreiro.
Com grandes dificuldades aquele senhor de quase a idade do meu avozinho, que nos deixou aos quase noventa, chamava pelos nomes seus bois de carro.
“Belzebu, Matraca, Antonino, Marcão, Espiridião, Conserto, Reticência, Incontinência, talvez ele perdesse um cadinho de urina pela idade vetusta, São João, Sarapião, Condenado (a não sei o quê), Barnabé Chulezento, creio não ter perdido nenhum deles na cerração que logo se abriria num lindo sol, resistiam em se deixar cangar. Cada um destes bois, parrudos, ainda que em plena juventude, perfilaram-se quase em linha reta. Salvo um ou dois deles que resistiam estoicamente a se deixar levar adiante aquele carro de boi cantarolante. E o peso que o tal levava era bem maior que um reles trator de não sei quantos cavalos poderia puxar.
Enfim a boiada seguiu seu caminho. O dono deles, com uma varinha encimada por um ponta aferroada ia tocando adiante a boiada, passando pelas invernadas naquele inverno seco e poeirento.
Muitas vezes, durante a minha saga escrevinhatícia, faz um tempão que escrevo, na presente data contabilizo mais de dez mil textos, fora os constantes nos livros já editados, entre romances entremeados de sexo e ação, as crônicas são maioria, agora mesmo estou prestes a editar mais uma coletânea delas, com o nome dado por mim de Leia com meus olhos, o requisitar, dentro de meus leitores, pessoas que quase sempre apreciam meus escritos, e respondem via zap comentários os quais deleito sempre, confesso, sem nunca ter entrado dentro de um confessionário, se não me falha a memória, meu filho, de mais idade, batizado de Stenio, sem acento, hábil tenista, um baita advogado, pai do Gaelzinho, marido da estudiosa professora de faculdade, Vanessa, assim escreveu seu comentário, por mim encomendado ( antes, em conversa com o próprio, fiz a ele saber que jamais passou-me pelas ideias me inscrever em algum concurso de literatura pura).
Antes faço um comentário, an passant, quem seriam aqueles felizardos premiados num prêmio literário nomeado de Prêmio Jabuti? Quais os critérios usados para premiar os melhores? Seria pela qualidade dos livros publicados? Pela correção gramatical? Ou, simplesmente, pelo conteúdo inspirado dos contos ou novelas, dos romances ou coletâneas de crônicas? Na minha imodesta opinião, sem me avexar de emiti-la, penso ser por um simples critério: o tal QI. Trocando em miudezas – quem indica.
Não tenho tal pretensão. Se por acaso, algum dia, me indicarem a tal comenda, não foi por minha encomenda. Desejo que tenha sido por meu próprio valor. E, se por acaso eu vier a me tornar num best seller, que seja pelos meus próprios méritos. Pela qualidade e interesse que despertam meus escritos. Quem sabe algum dos meus romances um dia se torne em tema de filme?
Este meu filho, leitor que ainda escreve bem, no seu comentário, ontem me enviado via e-mail, assim disse: “nome próprio geralmente designa um indivíduo. Neste caso já poderia designar nome de prêmio ou concurso. Contudo, a pessoa de quem eu falo não poderia concorrer. Seria covardia com os participantes. Essa pessoa seria hors concurs. Respectivo escritor já tem o direito de dar nome ao prêmio- concurso. Prêmio Paulo Rodarte de literatura. Ele venceria facilmente. Tanto no quesito quantidade como no de qualidade, que é o que realmente importa em tempos de preguiça mental coletiva. Bravo quem semeia cultura”.
Assim concluiu seu escrito (Stenio Lasmar de Abreu).
Agora talvez saiba que dar nome aos meus bois. O meu boizinho, rufiãozinho, decerto vai se chamar “Leia com meus olhos”. Não fechem os seus na hora de nele passar os olhinhos.