Hoje, segundo dia de maio, a primeira coisa que fiz, depois de acordar, deixar a cama, bem cedo, lavar o rosto nágua fria, tentando espantar o sono, ao chegar ao prédio onde ainda trabalho fiz questão de presentear ao amável e solícito porteiro, meu amigo Renildo, com a minha máscara negra, quase nova, de pouco uso, já que a partir do começo deste mês ensolarado torna-se dispensável usar aquele anteparo que não só nos veda o sorriso como também quase nos torna irreconhecíveis.
Máscaras fora moradores do meu país! Felizmente a tal pandemia se mostra em descenso. Creio, otimista que sou, em pouco tempo ela vai desaparecer completamente. Deixando as demais patologias serem cuidadas como deveriam.
Maio é o mês quando celebramos o dia delas. Precisamente no dia oito. Que cai no próximo domingo.
Dia das mães é uma data comemorativa que homenageia anualmente a figura familiar materna e a maternidade. Talvez aquela de maior significado. Já que sem a intercessão das mães não teríamos nascidos. Não se deve esquecer do papel primordial que nossos pais exercem na concepção. Muito embora tentem desviar nossa atenção para outros métodos modernos que existem por aí afora. Como filhos de proveta. Oriundos de inseminação artificial.
E quem não tem a felicidade de desfrutar da presença maternal, neste dia especial, traz no peito uma amargura difícil de ser preenchida. E muitos passam este dia, e outros mais, apenas na lembrança daquela pessoinha querida que nos gerou, sofreu com nossas dores, alegrou-se a mercê de nossas vitórias, chorou frente aos nossos sofrimentos, embalou-nos o sono, trocou as nossas fraldas, e sem pedir licença despediu-se da gente num dia inesquecível.
Só quem perdeu a mãe bem sabe a falta que ela faz.
A minha se foi há exatos vinte e dois anos. Ainda me lembro desta data.
Chamaram-me no hospital onde até hoje trabalho. Estava no centro cirúrgico. Em menos de dez minutos cheguei aquela casa. Hoje dela não resta senão um lote vazio.
Encontrei minha mãezinha arfando de cansaço. Minha esposa, e uma tia querida, me esperavam preocupadas.
Em menos de cinco minutos chegamos à Santa Casa. Levei-a ao centro cirúrgico. Onde me esperava um primo. Especialista em artérias e veias.
Foram debaldes as tentativas de fazê-la reviver. Seu coraçãozinho parou de bater apesar de esforços hercúleos para ressuscitá-la.
Assentado a uma cadeira pedi que a deixassem partir. Aquele foi o pior dia de minha vida.
No próximo domingo, oito do mês corrente, celebra-se o dia das mães. A minha vai estar ausente.
Ainda me lembro de quando elazinha ainda vivia. Com que carinho ela me tratava. Com que desvelo ela me vestia. Naquela mesma casa, da Costa Pereira, ali ela me ensinava as diferenças entre o bem e o mal.
Professora de letra bonita, linda no seu vestido branco, olhando pela janela da casa dos meus avós, ela pra mim parece um anjo. Que avoou ao céu numa carruagem encantada. Deixando no seu rastro exemplos de dignidade e respeito. Sempre me lembro dela sorrindo. Talvez ela não me deixasse vê-la chorar.
A sua figura linda sempre vai me acompanhar. Pra onde quer que eu vá.
Um dia espero reencontrá-la. Rodeada de anjos. Esparramando amor.
No próximo dia oito ela não vai estar ao meu lado. Vai ser mais um dia das mães sem ela.
Mas bem sei, onde ela estiver, vai estar me abençoando. Como sempre esteve em vida. Desde quando a tive ao meu lado. Minha mãezinha querida.