Essas tais modernidades

A cada tempo que passa mais me sinto antiquado.

Não só os valores mudaram como da mesma maneira os costumes.

Hoje o respeito, a reverência, a tolerância, a oração à hora das refeições, reservar ao pai um lugar de destaque à mesa, são hábitos  que perderam a vez.

Infelizmente não mais se toma a benção dos progenitores. O carinho, a solicitude, dar o lugar aos idosos naquele ônibus apinhado de gente passou a ser ignorado. Não mais se tem o costume de dizer aquele agradável bom dia. Ou boa noite. Apertar as mãos passou a ser evitado. Principalmente nestes tempos de pandemia. Embora esta doença já tenha entrado em decadência. Oxalá se torne favas contadas num futuro breve.

Essas tais modernidades me fazem voltar os olhos ao passado. Que saudade dos tempos do bonde puxado a cavalo. Das saias rodadas. Da castidade que era dantes um fator primordial para se conseguir um bom casamento. Como também do rela do jardim. Ao final da missa das nove a gente, meninos ainda, corríamos ao jardim, para observar as mocinhas pudicas, que se ruborizavam todas aos nossos olhares nada castos.

Agora, nestes tempos de hoje, com o advento da internet, não mais se pode fazer visitas sem deixar de lado o celular. Olhar nos olhos do interlocutor deixou de ser bom costume. Já que os tais faces, instagrans, tomam o nosso tempo.

Assim como agora existem os tais influenciadores digitais, pessoinhas sem pedigree, que se vangloriam de ter mais de não sei quantos seguidores. Como se seguir atrás de coisas e loisas de tal tipo fosse bonito.

No meu tempo os bons exemplos eram outros. Os médicos, professores, gente correta, bons pagadores, eram de fato gente que se deveria seguir o mesmo caminho. Não os tais que viralizam na internet simplesmente por se exibirem com belos traseiros. Rebolando até o chão.

Exemplos a serem seguidos ostentavam na sua folha corrida fatos de notória respeitabilidade. Como quem salva vidas dentro de hospitais atendendo diuturnamente sem pensar no salário ridículo que iriam perceber ao final do mês.

As tais modernidades mudaram ao sabor do tempo. Não mais se corteja gente obreira da roça. Graças a eles temos o alimento que nos mata a fome. Com suas mãos calejadas. Que trabalham do sol a nascer da lua.

Não seriam Tatá Werneck, Marcelo Vieira, Winderson Nunes, Anitta, muito menos um Neymar, que nos iriam influenciar. O que eles tem a oferecer senão uma polpuda conta bancária? Uma notoriedade que se esvai com o tempo. Logo serão outros. Na fila enorme esperam tantos outros.

Pra mim a melhor influência ainda é ter bom conceito perante a sociedade. Ter um currículo não apenas midiático. E sim recheado de estudos que ultrapassam os bancos escolares.

Influencio-me pelo exemplo que me deixou meu pai.  Até hoje tenho ouvidos elogios a sua pessoa.

Hoje qualquer carinha bonita, egressa de um big brother qualquer, em pouco tempo ganha fama, uma injustificada maneira de enricar.

Outros, de notório e verdadeiro valor, passam a vida inteira no ostracismo, e morrem a mingua, e são sepultados sem seguidores fiéis disputando a alça do caixão.

Não me deixo influenciar por pessoas sem lastro. Sem um passado que as dignifique. Sem algo que me faça admirá-las.

Essas tais modernidades me fazem pensar. Como eram bons os tempos de outrora. Quando se dava valor a quem em verdade possuía. Não a falsos profetas que colecionam seguidores. Como a gente usava colecionar amigos de verdade em épocas que já se foram.

 

 

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