Estamos em doze de abril.
Amanhã, quarta-feira, a semana santa tem seu curso. Quinta e sexta-feira são dias santificados, feriados em todo o território nacional.
Muitos guardam estes dias na intenção de fazer orações. Já outros preferem acompanhar procissões. Cada um com seu credo. O importante não é apenas e tão somente ficar de joelhos. Ir à missa. E, na minha modesta opinião, respeitar o próximo. Fazer o bem sem olhar a quem. Ser solidário quando a ocasião enseja. Amar e distribuir amor. Principalmente aos menos aquinhoados pela sorte. Aqueles pobres infelizes que cada vez mais sofrem a mercê da desigualdade social.
Tenho por mim não apenas distribuir abraços. Como dar conforto a quem necessita. Ser amado e respeitado por sua conduta frente à sociedade. Dar exemplo de retidão a todos àqueles com quem convive. Fazer o bem aqueles que precisam de nossa ajuda.
Estamos em plena semana santa. Às vésperas do dia magno da cristandade.
Não apenas e tão somente na sexta-feira devemos nos lembrar da presença de Jesus. Ele nos acompanha em todos os dias de nossa vida. Imolou-se na cruz para nos aliviar das próprias dores. Tomando as nossas na própria pele. Não me esqueço daquela cena trágica. Na distante Gólgota onde diz o livro sagrado.
Um dia me contaram a história de uma menina. Cujo nome era Madalena.
Era religiosa ao extremo. Desde criança não faltava a nenhuma missa.
Cresceu e aprendeu todos os versículos da Bíblia. Sabia de cor e salteado recitar todos os capítulos do livro tido sagrado.
Era uma menina que só cultivava bons sentimentos. Afável no trato. Sempre pronta a ajudar.
Madalena sempre foi uma pessoinha admirada por sua santidade. Nunca teve olhos para outra coisa senão os designíos de Deus Pai.
Aos vinte anos decidiu abraçar a causa eclesiástica. Gostaria de ser padre. Mas dada a impossibilidade de se tornar um, enclausurou-se num convento. Ali passou metade de sua vida santa. A outra passou a cuidar dos enfermos.
Madalena se tornou dedicada enfermeira. Desde os vinte anos acabou por morar num hospital.
Passava o dia inteiro a cuidar dos pacientes. Era esta a sua vocação. Que a acompanhou vida afora.
Um dia a encontrei entre leitos. A cuidar dos enfermos. Naquela lida constante.
Nunca a percebi cansada. Desdobrava-se noite e dia naquela faina diária.
Madalena era um exemplo a ser seguido.
Envelhecia a olhos vistos. A minha santinha da semana santa, e como ela amava as procissões, acabou nos deixando prematuramente. Fechou os olhos aos cinquenta anos. Foi velada no mesmo hospital onde sempre trabalhou.
Já hoje, neste dia, quase feriado, véspera da semana santa, ainda me lembro daquela santinha dedicada ao próximo. Seu nome era Madalena.
São vários santos venerados na semana santa. Pra mim a santinha Madalena nunca vai ser esquecida. Desde quando a conheci. No velho hospital onde sempre trabalhei.