Estamos em plena segunda-feira de carnaval. Ruas desertas, sem folia. Sem gente se amontoando nos salões.
O dia de hoje amanheceu convidativo a uma boa piscina. Quente, céu azul, sol a brilhar lá em cima.
O que se vê, pelas ruas, é gente preocupada com a pandemia. E uma guerra fratricida ameaça a segurança de todo mundo. Não bastasse a penúria em que vivemos ainda temos de conviver com mais este imbróglio. Gente morrendo, bombas estourando, mortes acontecendo, e um insano tentando impor seu estilo bélico, pensando ser o dono do mundo.
Hoje acordei pensando em trabalhar um cadinho. Mas encontrei um prédio vazio. Precisei abrir a portaria. Já que os amáveis porteiros estavam desfrutando de um feriado. Bem que merecido.
Já tive outros carnavais inesquecíveis. Infelizmente eles se foram. Aqueles carnavais passados agora são relegados ao olvido do esquecimento.
Aquela colombina, por onde anda ela? Aquele pierrô, qual seria seu destino final? E aquela máscara negra agora tapa o rosto. Tentando impedir mais uma contaminação imprevisível.
Este carnaval de hoje foi postergado para o mês de abril. Como se fosse possível vivermos o mesmo clima, a mesma animação.
E o vou beijar-te agora vão levar a mal. Já que o beijo pode ser taxado de importunação sexual.
Este carnaval que estamos vivendo nem a Aurora consegue ver que bom que era. Pois ela não é mais sincera. E adora lançar Fake News.
Adeus aos velhos carnavais. As escolas de samba são feitas para turista ver. A preços exorbitantes quem pode pagar? Com esta crise que ora atravessamos a prioridade é outra. Encher a despensa, pagar as contas, e continuar vivos. Se possível for.
Me dá um dinheiro aí? Ah!, ledo engano. Só se for a juros altos. Com o aval de alguém confiável.
Mais um carnaval que passou. Em nada lembra os outros passados.
Agora, nesta segunda-feira, com cara de feriado, com a guerra se alastrando como fogo em relva seca, só nos resta esperar dias melhores.
Tá ai. E eu fiz tudo pra você gostar de mim. Até escrevi alguns versinhos poéticos. Que nem atingiram seu coração.
E a jardineira, se perguntarem a ela por que esta tão triste, ela vai responder que foi por causa da camélia que caiu do galho. Deu dois suspiros e depois morreu.
Em mim morreu a alegria de outros carnavais passados. Esse sim, merece ser enterrado.
Penso que outros carnavais não terão o brilho de dantes. Devido a quê. Por falta do amor que a colombina não mais sente pelo triste pierrô.
Entrar na roda? Não mais quero dançar com você.
Confesso. Este carnaval perdeu a graça. Entrou em desgraça. Já se foi o tempo de pensar só em você.
Tenho outras prioridades. Achar um emprego. Ganhar algum dinheiro. Conseguir abrir um negócio rendoso.
E dizer que todo mundo bebe e ninguém passa do ponto não passa de mais uma inverdade. Não mais estamos embriagados de felicidade. E a nostalgia impera em nossos corações acelerados.
E as águas irão rolar provocando desastres. Já que as autoridades nada fazem para prevenir tais catástrofes.
Hão de concordar comigo. Este carnaval perdeu a graça. Agora só vemos trapaças.
Onde é que eu vou morar? Como pagar o aluguel? Onde é que eu vou parar? Daqui não saio. Daqui ninguém me tira. Só se for à força da borduna do guarda.
Se por acaso vier a escorregar numa casca de banana, tenta amparar-me a queda. Não passo do chão. Livre-me Deus das contusões.
E se me chamarem de palhaço não refuto o epiteto. Sou em verdade um palhaço das perdidas desilusões. Por tudo que tenho passado. Até neste carnaval que passou.
Melhor que, como este, não volte mais…