Estamos às vésperas de um feriado prolongado.
O carnaval se aproxima.
A partir de hoje, depois de encerrado o expediente, muitos já estão em viagem, a cidade fica vazia. Embora seja prudente não nos aglomerarmos. Já que a pandemia está longe de terminar.
Imagino o que anda acontecendo na distante Ucrânia. As tropas russas já estão quase tomando aquele país na intenção de anexá-lo a antiga União Soviética. Um amontoado de países que comungavam o mesmo credo. Agora separados por intenção de seus povos.
A guerra parece inevitável. São conflitos que nos fazem pensar neste momento de extrema gravidade. O que será de nós num futuro próximo? Esse conflito com certeza vai repercutir no mundo inteiro. Pois nós, brasileiros, sofreremos, por certo, a alta do dólar, o aumento crescente do petróleo, e os preços subindo à estratosfera. Como se não bastasse a crise por que já estamos atravessando.
Já aprecei os carnavais de tempos antigos. Os bailes de salão eram concorridos. Aquelas marchinhas em verdade nos atraiam. Com seus versinhos inspirados. Com suas músicas que nos faziam pular.
Agora, depois que a idade me tomou pelos costados prefiro me isolar no mato. A ficar na cidade sem ter o que fazer.
Tenho um compadre, gente simples da roça, Seu Benedito, já bem andado em anos, acostumado ao trabalho duro, mãos caludas e tez tostada pelo sol, que desconhece o que seja feriado.
Pra ele tanto faz, como tanto se desfaz, o trabalho não lhe dá tréguas. E ele tem de carpir o mato que invade a pastaria. Capinar a horta de couve. Ordenhar as vacas bem cedo. Alimentá-las a cada manhã. Tratar da porcada sempre faminta. Colher os ovos antes que algum bicho do mato chegue mais cedo. E o trabalho continua. Na mesma rotina costumeira.
Para Seu Benedito não tem tempo ruim. “Se piorar melhora.” Diz ele.
Naquela sexta-feira, quando nos encontramos, ao cair do dia, já estava me despedindo da cidade, na intenção de passar o feriado na roça, encontrei o compadre Benedito entregue às tarefas do final do dia.
Era uma sexta-feira ensolarada. Havia chovido na noite de ontem.
A relva molhada conferia um cenário de fazer alegrar os olhos. Tudo estava verdinho.
Em nossa curta conversa procurei saber dele as novidades. Se por acaso iria passar o carnaval na cidade. Tiraria uma folga. Ou continuaria a trabalhar.
Seu Benedito, não tendo tempo a perder, com aquele seu jeitão estabanado, simplesmente desconversou.
“Pra mim não muda nada. Tenho de continuar na lida. Vagabundear só na outra vida. Se é que ela existe. Quando me levarem ao céu”.
Confesso certa afinidade com o que me disse o amigo Benedito. Ficar de papo pro ar, nem eu quero.