A maior praga de nosso jardim

Um dia destes, em plena tarde, tentava, debalde, retirar as pragas do meu jardim.

Ainda morava num condomínio elegante. Lugar recheado de muito verde. Onde as arvorezinhas chamadas murtas atapetavam o negrume do asfalto com suas florzinhas brancas. Quais salpicos de neve em pleno inverno.

Por mais que tentasse arrancar as tiriricas elas brotavam de novo depois das chuvas do mês de fevereiro. Outras ervas daninhas ameaçavam a saúde daquele grama preta. Numa competição desleal. Já que as pragas eram como um exército de soldados sob o comando de um general acostumado à guerra. Que não media esforços para saírem vencedores naquela peleja desigual.

Acabei capitulando depois de estender uma bandeira branca. As ervas daninhas foram mais fortes. Quem sabe o meu jardim se acostume a conviver entre pragas. Já que elas são mais fortes. E crescem nesta estação chuvosa, independente de nossa vontade.

Neste dia de hoje, dezoito de fevereiro, sexta-feira, quase carnaval, em plena pandemia, prestes a passar o final de semana na roça que tanto amo, assisti, meio embasbacado, a uma risada esculachada, zombando de nossa mandatária maior.

A princípio não entendi o que queria dizer aquela zombaria estridente. Só minutos depois consegui aquilatar do que se tratava.

Em nosso jardim, ao qual dou o nome de cidade de Lavras, tida como dos ipês e das escolas, desde quando aqui vivo persiste um ranço politico assaz antigo.

Nos primórdios de nossa civilização já existiam as tais desavenças. Os coronéis não fardados competiam com os soldados rasos. Já mostravam as garras partidos desunidos. Era uma tal de arena competindo com outra sigla conhecida como mdb. Oposição tolerável ao regime, sendo todos os demais partidos proibidos.

Desde então a situação pouco mudou. Embora tenham mudado os tempos. Agora, nesta era de poucos entendimentos, persistem as discórdias.

Quem perde com isso? A nossa cidade jardim chamada Lavras. Que não se moderniza, não atrai indústrias de porte, não consegue fazer representantes nas esferas estatuais muito menos federais.

E o nosso povo obreiro continua a esperar dias melhores.

E as eleições se avizinham. Como aquela avezinha de asinhas tortas a nossa querida Lavras continua na mesma situação periclitante. Sem representantes que deveriam trazer para a nossa cidade conquistas maiores.  Que continuam a migrar para Varginha.

Um dia tentei retirar as pragas do meu jardim.

As pragas de aqui continuam as mesmas.

O partido das tiriricas continua a fazer oposição. Uma oposição não construtiva.

Enquanto o partido da situação se debate na tentativa inglória de trazer o progresso o adversário rema na direção oposta.

Não seria melhor se darem as mãos? Comungarem da mesma opinião? Qual seja o bem estar do povo de nossa cidade?

Naquela tarde de fevereiro tentei retirar as pragas do meu jardim. Acabei capitulando.

Percebi que nem as tiriricas, nem as outras pragas, conseguiriam empanar o brilho da grama preta.

Não seria esta a opção ideal para acabar com as pragas que vicejam em nossa comunidade? Tão sofrida e ao mesmo tempo tão bela. Lugar ideal para se viver.

Lavras tem, como maior defeito, as pragas da politica que empanam o nosso jardim.

Neste dia de fevereiro, cinzento, nesta sexta-feira, quase carnaval, deixo aqui um conselho, de quem ama Lavras acima de qualquer suspeita.

Não tentem combater as pragas. Deem-se as mãos. Essa competição não vai levar a nada.

E o nosso jardim merece ser tratado com mãos de seda. Em prol de uma cidade melhor.

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