Aquela manhã de finado novembro acordou Chico tentando de refrescar debaixo do ventilador. A noite passou em claro tentando dormir na escuridão. Exausto, sem tirar férias nem sabe quando. Chico era um exemplo de sujeito de uma retidão de fazer inveja a uma estrada cheia de curvas. Mal sabia ele como furtar. A palavra propina […]
Crônicas
” Tô acostumado”
Deveras. A gente se acostuma a quase tudo. Acordar cedinho. Tomar aquele cafezinho quentinho. Quase sempre desacompanhado de um pão de queijo feito na horinha. E sair ao trabalho que nos espera de hora marcada. Ir caminhando devagarinho até chegar ao nosso destino. E, ao chegar meio atrasado somos repreendidos pelo patrão. Que nos espera […]
Só se for de muita precisão
Como os tempos mexem com a gente. Dantes não nos preocupávamos com o porvir. A gente, meninos ainda, indiferentes ao que estava pela frente, só pensávamos em brincadeiras. De rodar pião, jogar finca e bete, pular amarelinha, cricar bolinhas de gude. E, a hora de fazer nosso dever de casa, quem diz que nossa mãezinha […]
O dia em que a vaca foi pro brejo
Como choveu naquela segunda feira meados de novembro. Nada se via no alto senão nuvens cinzentas. “Bendita chuva” dizia quem morava na roça. Era tempo dela. Antes tarde do que nunca. Benziam-se as comadres. A chuva caia do alto em saraivadas. Não era propriamente chuva e sim uma verdadeira tempestade. Ventos acoitavam as bananeiras. Árvores […]
Véia poética
Desde tenra idade Mariazinha sempre gostou de fazer poesias. A princípio versinhos insossos. Que cadinho a cadinho se transformaram em prosas poéticas de real lirismo. E elazinha pouco a pouco se metamorfoseou numa linda borboleta de asas azuladas. Que não paravam de flor em flor. Mariazinha crescia em inspiração. De olhinhos grudados ao cotidiano rico […]