Despeço-me de ti Gramado

Espero, de coração a larga, que não seja esta a derradeira vez que nos vemos.

Ainda estou aqui.

Nesta quinta feira azul. De um dia lindo. A olhar pela minha janela todo o encantamento que você. Permita-me chamá-la assim. Oferece graciosamente não apenas e tão somente aos gramadenses, aos gaúchos, os forasteiros. Sejam da mesma maneira a nós, brasileiros. Gente que a visita do mundo inteiro. Com seus sotaques díspares e inconfundivelmente apaixonados por ti.

Esta cidade, infelizmente fora do meu estado. E como apreciaria que ela. Esta Gramado. Fincasse os pezinhos gentis pertinho de minha amada Lavras. E ombreasse costado a costado comigo e outros felizes lavreanos. Mas tu escolheste o Rio Grande para nascestes.

Despeço-me de ti linda Gramado. Sem poder conhecer-te todos os teus encantos. Nestes dias maravilhosos que passei dentro de ti quase pensei em me mudar pra aí.

Despeço-me de tuas avenidas largas e feericamente iluminadas durante as noites. Nestes dias em que o Natal Luz emana mais que luzes durante a escuridão noturna. E seus moradores praticam a máxima que gentileza atrai gentileza e gera beleza. Seja na lourice de suas lindas mulheres ou na morenice de quem a visita.

Despeço-me de ti linda Gramado. Das suas hortênsias de onde espargem flores multicores.

Tu me fazes lembrar de uma querida babá. Ela tinha teu nome. Inair Hortência Rosa. Era uma pretinha de olhos negros como as noites escuras. Foi ela quem me ensinou a dormir sob as canções de ninar.

Despeço-me de ti Gramado. Consola-me o fato que em alguns dias apenas vou poder chegar a outro gramado. Tão verde como tu. Mas infelizmente não tanto recheado de viço e beleza sulina. Pois este gramado fica bem perto da minha cidade. Na vizinha zona rural de Ijaci.

Despeço-me de ti Gramado. Já com olhos chorosos e lacrimejantes de saudades antecipadas.

Se pudesse, e meu dinheiro desse, preferiria morar em seus domínios. Num chalé fincado numa montanha qualquer. Onde caprinos balissem de saudade dos seus filhotinhos. Descendo ou subindo a montanha devagarinho. A espera de serem ordenhados por aqueles que se dizem seus donos.

Despeço-me de ti bela Gramado. Cidade floral. De uma majestade imperial. Onde a hospitalidade toma conta da gente de tal maneira que não nos é possível ser descortês ou pedir mais.

Despeço-me de ti linda cidade riograndense do sul. Não me imagino. Depois de conhecer-te. Viver longe de ti. Mesmo entre as montanhas da minha querida Minas Gerais.

Despeço-me sem vontade de dizer-te adeus.

Pra mim soaria melhor um até breve. Até qualquer dia destes. Que este dia não se alongue muito mais.

Hoje despeço-me de ti Gramado. Restam-me poucas horas para deixar-te.

O que será de mim sem a amabilidade de seu lindo povo? O que vai ser de mim seu o seu aconchegante chocolate quente?

O que vai ser de mim sem seus agasalhos de couro puríssimo? O que vai acontecer comigo sem ti?

E como seria maravilhoso levar você. Linda Gramado. Se tu coubesses na minha mala eu a levaria ao meu estado. Dentro desta mala levaria tu. E tudo que me encantou ou não nestes dias quando permaneci dentro de ti.

Despeço-me de ti linda mulher.

Pois, uma cidade como tu não deve simplesmente ser chamada de cidade. Mulher maravilhosa me parece mais apropriada.

Despeço-me de ti com meu coração choroso e amargurado. Ao sair de dentro de ti é como se o aço de qualquer de suas cutelarias me trespassasse o peito.

E me fizesse morrer de amor por ti. Minha magnífica Gramado.

 

 

 

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