Como pode ser predicado

Nos tempos de antão a mulher, para se casar, deveria ser antes de tudo casta.

Ter vários predicados. Como saber cozinhar. Cozer. Agradar ao marido. Vestir-se com decoro. Ser recatada. Submissa e pouco exigente. Aceitar sem protestar as ordens de seu senhor. Comportar-se adequadamente ao receber visitas. E, na lua de mel deixar sobre os lençóis brancos e cheirosos o selo de castidade que se manifestava como uma mancha tinta em vermelho vivo. Ainda cheirando a sangue. Se não seria devolvida a casa dos pais sob a alegação de não ser aquela a primeira e única vez que se deitou e fez amor com um macho.

Moça prendada ainda pra mim é coisa de mais valia. Já que a minha não tão mais moça em verdade o é. Quem conhece a minha Rosa bem sabe o que digo e não o contradizem.

Já homem que se intitula macho em tempos hodiernos não carece de tantos predicados.

Basta que ele tenha uma boa conta bancária. E um cartão de crédito com limites incrivelmente altos. E não seja tão sovina como um compadre meu que foi abandonado pela linda esposa por uma singela razão: quando de volta de uma viagem ao exterior. Quando ela trazia um carrinho de supermercado atulhado de coisas boas. Ele, justamente no momento exato que ela ia enchendo a esteira rolante. O marido ia recusando esta ou aquela mercadoria. Exatamente as de preço mais exorbitante. E pasmem! Já de volta a casa ela pediu a separação por justa causa. E até hoje o maridão se lastima do ocorrido. Mas agora é tarde.

Estamos de volta de uma viagem maravilhosa.

Eu, meu filho advogado, sua esposa gauchinha estudiosa. Sua mãe de Palmeira das Missões.

A Totó. Sobre quem comentei numa outra crônica sob o titulo “a namoradinha da Totó”.

Meu querido netinho Gael. E minha adorada Rosa. A mesma de tantos predicados e virtudes.

Não restam dúvidas de que Gramado não se parece em nada em nosso país. O Rio Grande do Sul e outros estados sulinos são distintos de outrem em nosso amado Brasil.

Ali inclusive o sotaque em nada se parece ao trem bão e a nosso uai.

E a limpeza das ruas nada deixam a desejar a nenhures Japão e similares.

E a cordialidade encontrada naquela linda cidade da serra gaúcha se equipara a do Nordeste.

Quanto ao preço praticado deve-se estar com a carteira recheada de notas graúdas ou um belo saldo bancário.

Nunca precisei usar banheiros tão limpos como os de Gramado. Mesmo os de uso público.

E olha que tenho intestinos bem usados. Que funcionam regularmente a cada duas horas ou mais.

Pena que o que é bom dura bem pouco. Quando se vê já é hora de voltar.

A volta de Gramado a Porto Alegre foi de ônibus bastante confortável. Que nos deixou no aeroporto internacional da capital gaúcha. Terra de mulheres maravilhosas. Deixando a minha de lado posso citar Xuxa, Gisele Bündchen e outras várias beldades.

Uma vez em São Paulo a paisagem muda significativamente para pior.

Já entrando em Minas das Gerais as montanhas sorriem pra gente. Amo Minas. Adoro a minha Lavras desde quando aqui apeei. Vindo de Boa Esperanca aos cinco anos de idade.

Já na divisa entre São Paulo e Minas. Em Extrema. A procura de um restaurante e junto dele um cômodo de banhos – leia-se banheiro.

Já com os intestinos pedindo arrego.

Numa curva da estrada pude identificar uma placa com os seguintes dizeres: “banheiro limpo a oito quilômetros.”

E sobre a comida? Nada dizia. E sobre o preço das refeições? Nada a contradizer.

Mas, dizer que o tal banheiro era limpo. Pasmem!

Acabei defecando numa moita de bambu à beira da estrada. Por sorte não limpei meu anus com folha de urtiga.

 

 

 

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